Escritas

Lista de Poemas

INTEMPORALIDADE

As minhas palavras, jazem jogadas, rasgadas no chão,

escombros em papel amarrotado, de letras rasuradas

borradas, talvez por lágrimas caídas por desilusão,

tristes e carentes como esta poesia insuficiente,

que não disfarça as frases gastas, desequilibradas,

sem rima, de alguém desinspirado, só e penitente!

O cântico treslouca, quando a dádiva é o pranto

que estaca em paixões envenenadas de maldade.

Dirimindo espanto, enterrei os prazeres por cada canto!

No tempo quepassou, plantei um jardim de visões,

reguei-o com lágrimas de esperança em saudades

suadas pelaesgrima da vida e pelas goradas ilusões!

Foi a poesia que preencheu os meus dias desolados!

Numa química intemporal, petrificada e indiferente

que percorre todos os ditames snobs, perpetuados

em fugazes segredos, sentindo um halo ávido de existir,

que verto na escuridão até o sono chegar e adormecer-me

para acordar no solo escalavrado da monotonia, e partir!

Palavras rasgadas, que rodopiamna magia da alquimia!

Na prematura sonolência intemporal, o halo floresce

entre os bocados de poesiaacorrentados nesta ortografia.

Seguindo os teus passos, lado a lado, de dia e de noite,

singela sombra coreografada, nummarcante sobe e desce,

ao compasso de espera de umabraço que em ti pernoite!

João Murty

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REENCONTROS E MEDITAÇÃO II

intercalam o prelúdio de um passado repleto

dehistórias, que vagueiam no sentimento,

carregando nos ombros, o estigma do bom e do completo

Sou poema amarrotado, subjugado em códigos e tabus,

de silabas e vogais partidas, por frases de fantasia e avareza

onde o limite é o céu de querubins sem asas e corpos nus!

Talveza vida seja a ignorância,

a insegurança e a incerteza;

Talvez seja tudo e um pouco do nada.

Marcaram-me por desejo por ódio e ganância,

ferraram-mea pele de adjetivos, tecidos pela calada,

morri de ensejo e na paz a minha alma encontrou riqueza.

Não sei se a saudade e emoção me trarão de regresso,

se apenas estarei em pensamentos alados e doloridos,

expiando pecados, voando nas letras do verso,

cavalgando nos silêncios de gestos amestrados,

circundando sombras que perpetuam nos meu ssentidos,

fantasmas do passado que desfilam em sons amordaçados!


João Murty

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REENCONTROS E MEDITAÇÃO - I

Vasculho no recanto das memórias,

enquanto ouço o ruido do mar a bater

procuro nos sentimentos, mil histórias.

As que vivi e perdi,

por não as ver e não saber;

Por não poder e não as ter.

Serão apenas palavras imaginadas,

histórias mirabolantes, forçadas

por imaginações ainda embriagadas.

Talvez eu não passe de imaginação!

Eu e tudo o que sou;

Talvez a vida não passe de inovação

e, ao mesmo tempo, saudade de tudo o que passou.

Repleto de metáforas, em palavras que se riam na cara,

não sei se sou eu! Ou se apenas não vejo o que fui e o que sou?

Sinto-me como um poema incompleto,

resgatado ao tempo, por pena tolhida e avara

num tinteiro de tinta anémica, que o sonho secou!


João Murty

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ECOS DO PASSADO - I

Esperas que a noite caia, para a sós

poderes contemplar as tuas memórias.

Amando-te perdido, desatando os nós

do narcisismo, marcantenas histórias!

Prisioneiro do pensamento, apetece-te vomitar

as cinzas de um passado tão recente,

que dentro de ti, não param de se revolver

como brasas incandescentes a faiscar.

Tempos marcados empresença ferida!

Sons que ressoam num adeus imarcescível,

um rasgo que acolhe o bloqueio permanente,

no relevo recolhe e bebe o resto da força da vida.

Gritante e torpe falacia insensível!

Apenas queres calcorrear ruas,

e vielas escuras e nuas da cidade.

Procurar,reencontrar os amigos,

provar todos os cânticos da saudade,

mergulhar no tempo e no vento,

recuar, voltar àinfância, viver o momento!

No canto contristado das tuas memórias,

ecos melodiosos de todas as vidas juntas.

libertam fogos-fátuos, que à distancia

brilham, na intangibilidade quântica e tática

das imagens da infância, que arvoram o sentimento.

João Murty


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ECOS DO PASSADO – II

Infância, essa feliz e doce idade,

de risos cristalinos e fragilidade inocente.

Guardando no espaço poético,

todos os sorrisos, muitos abraços

num poema de orgulho e vaidade,

de padrões lavrados com sangue nas palavras,

queno imaginário, escorre por entre os dedos,

comoas horas de areia, em que as insónias

transformamos teus medos.

Sentimento vassalo, jucundo

que em espiral, turveja na ambiguidade,

preenchendo a canonicidade do teu mundo,

perpetuada num mero trago de poesia,

declamada,num altar para a eternidade.

A noite cai, o mundo desce, nuvens escondem aLua.

O céu escurece, num triste eterno anoitecer,

encobrindo a tua memória gasta, velha e nua,

que se reacende por entre períodos oscilados.

Vagarosa e transitória no seu parco reviver,

passam cenas fingidas, numa história que nãoé tua,

mas que na memória teimas em guardar,

como guardas a tua coleção de relógios parados,

sem horas, nem data, em que te vais voltar a erguer!

João Murty

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POETA MORIBUNDO - II

pelas divisõesmitigadas da memória,

a vida esmorece em brando armistício

entre bichos, que em paz adormeceram.

Tudo à volta entorpece! O espaço está vazio,

de risos, de murmúrios, que se calaram.

Fazendo do querer, um sinal, um apelo

num silêncio carente e profundo,

perpetuado nas fronteiras do seu degredo,

o sentimento de falta conflitua em flagelo!

Desinspirado, pensa em tudo e no fundo

quiçá a Musa matou o poema de enredo.

As horas vão lentamente passando,

Imperfeitas em noite desesperada.

Vai fechando janelas, luzes apagando,

preparando-se para sair sem levar nada,

a não ser a sensação de que nesta vida,

tudo é efémero, até o sabor da vitória,

quando deixa que a morte se prenda

numa caixa escura de madeira chumbada.

Proscrito no púlpito desta tenebrosa

Intrínseca oratória de insatisfação, no seu Eu

procura o verbo da vida! O cardo e a rosa!

Luz para um lugar,onde se faz breu.

Renasce a inspiração do poeta moribundo

num espasmo de iluminação, na sua mente.. grita!

Sou poeta deste e de outro mundo,

nesta dádiva noturna em que mergulho,

viajo no poema, na chama da palavra bendita,

onde me iludi! Me transcendi, e fui alguém!

Meus olhos tristes brilham mais! Mostram orgulho,

aqui nesta vida que se extingue sem ver vivalma,

pulsa mais forte o meu peito!... Para ir mais além,

entre dois sopros, que a vida ainda me resista

exorcizando os fantasmas que me habitam a alma.

A ti, entregue o espirito! Musa da poesia altruísta!

João Murty

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REENCONTROS E MEDITAÇÃO - III

Queria poetizar ternura, exorcizar a minha dor.

Conheço cada rua, cada esquina, cada canto,

travessas de enredos, recantos e refúgios de amor,

em vielas verti lágrimas e nelas sufoquei o pranto.

Quero pensar, sem o nó que me cresce na garganta,

Indiferente às gotas de chuva que escorre pelorosto,

gotas cúmplices, que se misturamcom o sal dos olhos.

São apenas fluidos sedentários, queo ego planta

e que a vida na sua marcha, decantapor apego e desgosto.

No desencanto; O vazio. No vazio; O olhar. Oolhar

de quem sai à procura de si mesmo, para seencontrar.

O olhar, que esconde as emoções e o silênciosolitário,

vendo o sol morrer em cada tarde, num ocasoimaginário.

Não sei se volto, não sei se me encontro, sesou eu!

Não sei,se a vida por mim passou e tudo em mim morreu.

João Murty

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POETA MORIBUNDO - I

Por entre o filme de juventude,

argumentado no seu passado,

procura palavras poéticas com

que se possa despedir do mundo,

sem conseguir encontrar

um único verso apropriado.

Espalmadas nas paredes,

fotos e um rasurado calendário

em contagem decrescente!

Esperanças emolduradas,

como postais de lugares que

alguém preso, numa caixa guardou.

Marcantes avanços e recuos noimaginário

reveladores de frustrações, mágoas,

ausência de um gesto de plenahumanidade

versado na génese de um poema

dotado de um discreto grau depiedade.

Recordação que o fazem lembrar-sede si

e daqueles lugares, que imaginou

percorrer um dia, com a sua doce Sissi!

Aquela que tinha rosto de mil poesias,

corpo de palavras e nos olhos,fantasias!

Fantasias, espojos invisíveis, queum dia tanto amou.

no varal dasua histórica e parca vida.

Um dia de cada vez, branqueado

em moira de sal de sangue vampiro

que se esvai num vórtice de sofrimento,


João Murty

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CHORO POR TI


Lágrimas amargas libertam o pranto

Caem fluxas da tua face inquieta

Vertidas por um amor que te esquece

Numa nuança, mansa que te cansa.

 

Sentido, Cupido lança o encanto

A magia do arco liberta a seta

Sarando as dores que o coração padece

Nuvens se rasgam, no calor d’ esperança

 

Retorna o amor, sorriso no rosto, riso de calma

Brilham os teus olhos, á luz do sol da tua alma

 

João Murty

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DUETO - ANATOMIA DO POEMA

DUETO - ANATOMIA DO POEMA - Carlos Alves /João Murty

 

Palavras que não foram escritas

 Nesse suspiro de sensações

 Costura a melodia do meu corpo

 Descoberto de emoções

 

Deslumbra-me o toque suave

 Do teu olhar apetecido

 Descobre os teus segredos

 E o sabor dos teus sentidos

 

Momentos ferozes

 No momento de loucura

 Pedacinhos de amor

 Inquietos de ternura

 

O luar desenha o teu corpo

 Num sonho de amargura

 A magia pinta o meu olhar

 Num pequenino raio de doçura

 

Agita a brisa que oscila

 Entre o teu encanto respirar

 Prolonga o teu olhar

 Entre a lua e a luz do luar

 

A musica encanta o teu corpo

 No meio da madrugada

 Que ilumina o teu sorriso

 Nessa longa Caminhada

 

Foste inventada por mim

 Entre o delírio e a dor

 Estas presa ao meu jardim

 Entre a pureza e o amor

 

As lágrimas só caiem

 Dos olhos de quem ama

 A ousadia do meu amor

 Esta acesa nessa chama


Carlos Bradshaw Alves

 


Silabas magoadas, embriagadas,

á solta no berço da ilusão

vogam  livres, amaldiçoadas

Encurralado num beco escuro

ingero, frases sem sentido,

dúbio fragmento e desilusão,

mastigo letras que não procuro,

arde-me o sangue, esforço ignoto,

 sou poço de febre, um lobo de fogo,

perseguido como um  mártir devoto.

Como se tratasse de um jogo,

cospem, palavras seladas na obrigação,

em escrita boçal, sem sentimento.

Por onde andas musa?

é da poesia , que eu me alimento!

 

Vem… vem, chega de mansinho,

anatomia do poema, musa da poesia

moras na alma, carrego-te nos meus ombros

então porque não vens? O amor é magia!

ternura , emoções, loucura, olhos de quem ama

vem, caminha na dor, entre ruinas e escombros.

desgrenhada, nua e fria, feres o espirito sem chama

 

Musa inspiradora, és meu prémio e meu castigo.

Eu não morri! Vivo na alma do poema! Vivo contigo

 

João Murty

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