Escritas

POETA MORIBUNDO - I

José João Murtinheira Branco

Por entre o filme de juventude,

argumentado no seu passado,

procura palavras poéticas com

que se possa despedir do mundo,

sem conseguir encontrar

um único verso apropriado.

Espalmadas nas paredes,

fotos e um rasurado calendário

em contagem decrescente!

Esperanças emolduradas,

como postais de lugares que

alguém preso, numa caixa guardou.

Marcantes avanços e recuos noimaginário

reveladores de frustrações, mágoas,

ausência de um gesto de plenahumanidade

versado na génese de um poema

dotado de um discreto grau depiedade.

Recordação que o fazem lembrar-sede si

e daqueles lugares, que imaginou

percorrer um dia, com a sua doce Sissi!

Aquela que tinha rosto de mil poesias,

corpo de palavras e nos olhos,fantasias!

Fantasias, espojos invisíveis, queum dia tanto amou.

no varal dasua histórica e parca vida.

Um dia de cada vez, branqueado

em moira de sal de sangue vampiro

que se esvai num vórtice de sofrimento,


João Murty

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