Lista de Poemas
FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO III
Alquimia do tempo,
trazidas no vento Suão,
galgam, bramindo sobre o verde manto,
por entre pinheiros mansos,
zunem orquestradas
pelas estrelas da constelação.
Dançam sobe o meu
olhar profundo
tremulas brilhantes no céu,
resplandecendo segundo a segundo
num cenário de altar
sem véu.
Pernoito no halo da tua
fortaleza,
por entre o olhar da
estrela guia,
abrigo-me no sonho azul
da tua beleza
escutando
dos teus lábios a melodia.
Doce Musa que ascendes na alquimia
bebe na fonte etérea do meu ser,
o sopro
da vida, ar quente de magia,
entre os lábios num suave desvanecer.
João Murty
FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO V
Recordação angélica,
telepatia da nossa história.
Eco longínquo que ressoa,
do momento do reencontro.
Um fogacho cadente,
no tempo e na memória.
Vou reinventar-te. Fazer o teu sorriso
com afetos de alquimia.
a batida do coração
ao ritmo do bolero de Ravel.
duas raspas da tua alma,
num poema de Brel,
tempero com sol e lua,
decanto com a luz do dia.
Descompasso-me no silencio serene
respiro o ar da magia do teu mundo,
numa viagem mutável de respeito perene.
No infinito me isolo, concebo, fecundo
.
João Murty
DUETO: LAGOS
DUETO - LAGOS - João Murty/Joana Aguilar
Zavaia, Lacóbrica, Lagos, terra de lendas e de mar
De vizires, príncipes, boémios, poetas,
vagabundos
Onde o litoral palpitante manda o Atlântico
beijar
Num beijo com história da demanda de novos
mundos.
Fortes, muralhas, igrejas, descobertas,
Eanes, Infante
Pedaços de história cantados num poema que me
conforta
Feitos por filhos de hoje e de outro tempo
mais distante
Forjados na raça e orgulho de um passado que
nos importa.
Nesse azul de luz cálido de hálito brilhante
que te torna mais diferente
A mansidão do mar espraia-se num suave
ronronar de um beijo permanente
Molhado em odes que Afrodite cantou na magia
do tempo que não passou.
Saltaste no tempo, cidade de agora e do
antigamente
Cresceste exorcizada nos hábitos de apatia da
tua gente
Moderna e sempre deslumbrante, pela natureza que Deus criou .
J oão Murty
Cidade
cujas memórias te afagam e beijam
Cálidas
sensuais como se tivessem boca
Vivas,
latente quando a presença é pouca
Memórias
que os nossos corações ensejam
História,
natureza, beleza em consonância
Raça,
orgulho de um povo que te ama
Magia
da luz, azul do mar, doce fragrância
A
terra, o céu amado o teu nome chama
Lacóbrica,
terra do teu corpo e tua alma.
Zavaia,
êxtase do amor em esperança ardente.
Lagos,
saudade, desejo que te embriaga e acalma
Cantar-te-ei
no meu poema, neste infindo
Versos á beleza que se espraia á tua frente
Natural,
deslumbrante entre clarões refulgindo
Joana Aguilar
DUETO: MENDIGO DA ALMA
DUETO - MENDIGO DA ALMA - João Murty/Fernanda Mesquita
Velho de olhar triste, pobre e vagabundo
Tens por companheira a miséria dominante
Viajante de alma e mendigo neste mundo
Que em delírio beijas o pó, murmurante.
Onde os dias e as noites passam sem ter
pressa
Onde nada é diferente e tudo te parece igual
Até o dormir, no canto escuro de qualquer
travessa
No chão de pedra, enganas o frio num leito de
jornal.
Mora próximo a demência, que cultiva esse
fadário
Nessa alma adormecida, em que a sorte é a
morte
Que num ato de amor, termina esse Calvário.
Poemas escritos de luto, marcados por almas
sem amor
Inspirados na desgraça, foram buscar a poesia
ao teu sangue
De trajos negros te veneram, declamando um
verso à tua dor.
João Murty
De que me servem versos escritos à minha
dor...
São um inferno na minha alma, murmúrios ofensivos
Que irrompem em mim a sensação de ser
inferior
Neste mundo indiferente, pleno de silêncios
corrosivos.
Como declarar independência de ideais tão
pouco nobres
Que desprezam a verdade e a tornam escrava de
uma moral,
Que envenenam o corpo da estrutura humana e
tornam pobres
Os direitos do homem comum, tornando-o tão
desigual.
O Homem fez do mundo uma caixa quadrada...
Mas não terá a Terra uma forma arredondada,
Sem cantos moldados por uma apatia que o
empobreceu?
O murmúrio sonso desses cânticos falsos são
Para amestrar o Homem-simples numa falsa
ilusão
E assim pague, obediente, para viver na terra
onde nasceu!
Fernanda R. Mesquita
DUETO - REBELDE
DUETO - REBELDE - João Murty/Joana Aguilar
me castres as ilusões, deixa-me sonhar longe
das amarras desse amor
Solto desse ensejo e ardor, que me marca e me
amachuca em profundos traços
Deixa-me cantar ao vento, libertando em
soluços esta minha dor
Até que o sol entre na minha alma e se funda
no calor de outros braços.
Não me imponhas obrigações, deixa-me ser
livre e amar como eu sei
De uma forma pura e selvagem, límpida e
translúcida como a água
De um rio, que corre e desagua no amor desse
oceano que já naveguei
De marés vivas, de ondas doces, sem o sal de
lágrimas, sem o fel da mágoa.
Deixa-me voar no meu verso, sonhando nas
letras dos poemas em que viajo
Em cada escala em cada passo, vejo-me
enterrado no medo das tuas mágoas
Atira a angústia ao vazio do mar, e se a dor
tiver cor, será de negro o seu trajo.
Como ondas rebeldes que se espraiam enroladas
no seu movimento
O meu amor desaguou no teu martírio, solto à
deriva, levado nas águas
Desse fingimento, feito de ardores onde se
esconde o sentimento.
João Murty
Meu amor, as tuas ilusões se perdem em mar
ilimitado
Sonhos que esvoaçam, libertos na quimera que
fulgia
Confusos, procuram água num rio que não havia
Da alma ansiosa, não fora corpo teu ainda
habitado.
Mares e angústias são já amantes dissolvidos
Na massa aventurança do seu sangue e lamento
É o refluxo da constelação do sofrimento
Meridiano de longura, em negros trajos
vestidos.
Voa no verso em louca espiral da desventura
Através das dobras da noite régia iniciada
Á luz do amor extinto, unem-se corpos em aventura.
Que as feridas fecham o tempo gasto em amores
E as palavras sentidas caem na noite
apedrejada
Escondendo nos teus muros as minhas dores.
Joana Aguilar
DUETO - SENHORA DO LAGO
DUETO -S ENHORA DO LAGO - João Murty/Fernanda Mesquita
Donde vieste tu senhora do lago, ardente,
vibrante audaciosa?
Envolta nos mistérios das brumas, que
esconderam tanta beleza
Que ilha de aromas e encantos te conservaram
tão airosa
De que reino e de que história são as
insígnias da tua nobreza.
De que tempos, de que séculos, te trouxeram a
nós doce rainha
Embalada por harpas pressagias e pelo troar
das trombetas
Que horas profundas, lentas e caladas, teve
senhora minha
Que não ouvistes os cânticos sacros que te
cantaram monges poetas.
Quem te prendeu nesse lago, de marés
nostálgicas e de mágoas
Que neblinas de feitiçarias te deixaram no
tempo adormecida
Esquecida de ti, eremita de clausura, nesse
sono Elfo sem vida.
Já não és mais cativa, a doce magia da luz te
desfolha nessas águas
Decantas um casto sorriso, rasgando a bruma
que no ar ascende
Teus olhos de luz irradiam a pureza do azul
que o céu resplende.
João Murty
Alguém calou o eco da minha voz, deixou-o
apagado,
Sufocando-o de lágrimas, frio, rude e
indiferente...
Por um tempo vivi sem entusiasmo, como um ser
cansado,
Convicta de que não voltaria a viver
novamente.
De que tempos, de que linhagem eu descendo,
não sei...
Sei que vivem dentro de mim as harpas da
poesia, descritas
Em cada verso dos poetas, onde em tantas
leituras me desnudei,
Renovando-me em cada cântico nas horas
aflitas.
Aprendi que a felicidade nunca reina por
inteiro
Não importa, antes de amar a minha dor,
amarei primeiro
Os dias que me foram dados para viver e
então,
Sem esquecer que a felicidade de saber sorrir
é ter,
Diante da adversidade, a certeza de querer
vencer
O lago de
marés nostálgicasque nos atira à solidão.
Fernanda R. Mesquita
Vivi por uns tempos num lago de marés de aflição
Irrequieta, insatisfeita contra os erros da
humanidade...
Tentei emancipar-me do que me liga à
tradição,
Soterrada no silêncio, procurando a verdade.
Lá em baixo, lutei contra mim mesma, sem
entender,
A obrigatória obediência aos costumes, que
destrói
A minha índole romântica que teima em não
morrer,
Que me emotiva, me fascina e ao mesmo tempo
tanto dói.
Que confuso tropel de sentimentos, que
insano...
Entre a beleza da vida e o som crítico feroz
humano,
Salvou-me do fanatismo moral, fez-me mulher
completa;
Aceitar o meu íntimo, porque na verdade,
Entre a maior felicidade e a mais profunda
infelicidade
Vive a natureza cantando os versos puros do
poeta!
Fernanda R. Mesquita
INSENSIBILIDADE DO CAOS
Não vendo que ali ao lado, a fome habita e tudo se agita em ansiedade
Mas ele de olhos abertos esconde as mãos tapando a verdade.
Parte-se o cordão da harmonia
É solta a besta que em seu desejo
Sacia a fome no seu frio beijo
Em ondas de crueldade e mordomia
Soprando a terra com ar revolto, o vento gélido em céu que arde
Sem rumo, sem destino, como um gigante que acordando tarde
Segue a saga das profecias, nas profundezas de Babel
Actor sinistro e cruel, que no desempenho do seu papel
Vai calando os risos humanos, fracos sem substância
Que numa patética ignorância, em ânsia de bem viver
Vão destruindo o que resta e pouco ou nada há a fazer.
Estava o homem no princípio…
Da vida me alheei, obscura monótona. Raspo uma mão cheia de nada,
Com sacra flâmula abunda a miséria e os horrores da fome perdura e não acaba
Do rito obsceno do dia-a-dia gela o frio e o medo não tem horas nem morada.
Ancestrais profecias primitivas
Num cenário de holocausto adiado
São palco de um critério malfadado
Dos genes, maléficos narcisistas
Pensamentos de fé mitigados
Olhos cansados, profundos angustiados
Trazem imagens de óperas alucinantes
Dos vícios e tempos desesperados.
Funde-se a luz num eclipse
Devorando o bem que pouco resta
Resto de um mundo podre, que não presta
Prenúncio da hora do apocalipse
Remorso, que queres abraçar o céu num gesto fraterno
Absorve em ti, toda a dor do universo
Já não mora aqui o poeta eterno
Partiu na demanda deste triste verso.
Estava o homem no princípio…
Eterna Deusa da poesia, que não seja o princípio do fim
Não amortalhes a luz perdida, canta e declama sobre as almas
Porque a força e sensibilidade dos teus poemas, é o querer, é um sim,
Penitencia este tempo, onde o remorso já se senta nas noites calmas.
Num gesto de amor, bebe o cálice do mal, exorciza tanta dor,
Nos teus jardins de pedra em doce esquecimento da oprimente vida
Colhe a flor do desespero estende o áureo escudo de deusa maternal
Ao som da flauta da harmonia sepulta o holocausto no mar do sal.
Amortalha o vendaval e a dor ingente se esfuma no lado escuro do vento.
Talvez as mentes se abram e a luz da poesia seja a génesis de um novo alento.
João Murty
AMOR PERDIDO
Procuro-te e não
percebes quem te procura
Neste sonho, que
percorro sem alento
Pelos recônditos da
noite fria e escura
Nas memórias dolorosas
do sentimento
Ébrio de amor, sonho e
penso em ti
Mastigando palavras que
já ouviste
Entre um cigarro e o
álcool que já bebi
Revivo, esse momento em
que tu partiste.
Quero cismar e viver
num desafogo
Sentir nas entranhas
como um bálsamo entornado
O calor do teu corpo e
a doçura desses lábios de fogo
Num gosto suave de quem
ama e é amado.
Quero entrar no teu
mundo e viver essa vida louca
Quero de novo, dormir
em segredo contigo
Quero o assombro do teu
rosto e a ansiedade na tua boca
Quando o sim for a Fénix de um sonho antigo.
João Murty
UTOPIA II
Mais uma vez, busco-te e choro,
por te
poder achar
Por onde andais?
Bruta realidade tão dura e nua
No silêncio, em redor
ouço a noite no céu a estalar
Cedo a vida ao destino e ao tempo,
entrego a morte
Porque choro eu?
Se este sonho é meu. Utopia crua!
Um sonho de visões dilacerantes,
estranho sem norte
Acalento em meu delírio ardente,
que a tua imagem o destrua.
Deixai que a quietude do silêncio
invade a minha alma
Sou um ser, voltado ao seu interior,
na
procura do que perdeu
Percorro introspetivo
na penumbra que me acalma
Trago na mente a utopia
de uma espera que me enlouqueceu
E a noite alberga pálida a Lua,
ao encontrar-te à tua porta
Fitando a nublosa do sonho
num delíquio de ventura louca
Na bruma, vai-se minha alma
ri-se o meu coração na tua boca!
João Murty
FRAGMENTOS I
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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