Escritas

Lista de Poemas

DEUSA DA APARIÇÃO

No vento da noite o murmúrio do som de um violão

Um som que ecoa, uma voz que canta num tom que balança

À luz da fogueira vozes se juntam num velho refrão

Um corpo frenético, ao ritmo da música pula e avança.

 

Descalça de cabelos ao vento graciosa como uma gazela

Em movimentos ondulantes, num corpo de escultura

De recorte de Deusa Pagã, fresca e jovem, pura e bela

És poesia em movimento num soneto à formosura.

 

Um raio de luar flutua nos seus seios desnudados

Fúlgido e cálido, como um símbolo de liberdade

Suspirado num halo erótico de Deuses apaixonados.

 

Sem uma palavra, partiu num movimento de sensualidade

Sem saber quem és, revive o momento que te vi chegar

Marcante e mágico, nesse verão quente na luz sensual do luar .


João Murty

👁️ 736

SAGRES

Nesta terra diferente de mar profundo, onde os mitos outrora foram vencidos.

Declamo o poema a este povo coberto pelo rumor e pelo sal do seu mar.

Circundado por escarpas e ventos fortes, que sopram em todos os sentidos.

Sigo na saga de rumos desconhecidos, inspirado na magia intemporal do ar.

 

Em baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas por esses mares da desventura.

Sons alados, ecos de barcos naufragados, sepulturas que jazem no fundo do mar

Em cima. Astrolábios, compassos, cartas, velas, caravelas, mareantes, aventura

Escola, alquimia, Infante, rosa-dos-ventos, instrumentos rodopiando sem parar.

 

Esta terra diferente tem mais cor, feita de tinta de mil sonhos e de ansiedade

Que deram visões de novos mundos, construídos na mentira e na verdade.

Em temas épicos escritos por monges poetas que te honraram e declamaram.

 

Na ponta do Cabo de S. Vicente, nesses rochedos que se erguem ao universo

Colho na mão a tinta desse misticismo, que se esvai nas letras deste meu verso.

Poema de agora, bebe e sente essa aura de outrora, a quem os poetas sublimaram

João Murty
👁️ 290

SILÊNCIO E VOZES

Neste abismo de silêncio.

Deixa-me sepultar os nossos medos

Deixa-me sonhar junto de ti

Deixa-me sentir a doçura dos teus dedos.

 

E mesmo que despertes este meu pranto

Neste gesto de chorar que me enruga o rosto

Enche-me de calor com o teu corpo

Enxuga-me as lágrimas com o teu manto.


  Neste silêncio que percorro incógnito

Nesta vida em que riem as visões

Deixa-me superar as vozes fatídicas

Feitas de olhos claros de azuis tentações

Que tomam o corpo e fazem o coração refém

Asfixiado na prepotência e no cruel desdém

Que se alimenta como um proscrito

De angústias e temores, de quem está aflito.

 

Deixa-me ser alquimista e combater o silêncio do teu mal

Deixa-me sentir a mística e o pulsar do cálice da vida

Mesclado de água, terra, fogo, ar e condimentado com a magia

Perdida nos rituais ancestrais da pedra filosofal.

 

Deixa o sonho nos braços do Morfeu e procura outra via

Rompendo esse silêncio de tons escuros e profanos.

Encontra a alegria no meu peito e o conforto para tantos danos

E mesmo que não seja verdade, e, mesmo que eu esteja errado

Escuta o som do coração de quem ama, e, a razão de quem é amado.

 

Neste abismo de silêncio de campânulas negras retorcidas

Escuto as vozes do pensamento, soltas sórdidas e vencidas

Em sussurros sonolentos umas às outras vão contando

Que as lágrimas no teu manto são os sais da harmonia

E que o sentimento do meu pranto é querer, é vida, fantasia

É o sol da minha pena, é a força do meu poema, é um toque de magia.

 

É o calor da minha mão e o doce afago dos teus dedos

Que tocaram as nossas almas e afugentaram os medos

E num brusco movimento, filhas de um ego descontente

As vozes fundiram-se no silêncio e partiram para sempre

João Murty
👁️ 278

CAMINHOS

Não acendas fogueiras nem velas, nesta noite sombria

Porque essa luz, não ilumina quem se sente sozinho

Na penumbra, sentes o cansaço crescer dia após dia

E tudo te parece louco, na paisagem desse caminho

 

Agora já nada mais te importa, nem mesmo essas dores

Que perduram no tempo, estrebuchando o sentimento

Foste um grito altivo de revolta, no tempo dos amores

Que perdeu a força, esvaindo-se no eco do esquecimento

 

Sentes o peso do corpo inútil, que teima em não prosseguir

Mais quebrado e desgastado, nesta noite sombria e calma

Não te deixes sucumbir, remove a esperança e torna a sair

Nessa caminhada cíclica, que persegue a evolução da tua alma

 

Ofegante, sentes arder no peito essa luz turva vezes sem conta

Que se mistura parceira com a noite como uma sombra tua

Longos anos de uma dor tão presente e que te afronta

Aliviada mos colóquios que repartiste com a velha lua

 

Viajante tristonho, curvado, fraco e envelhecido

Descansa aqui as tuas dores por entre o ondular do meu verso

Neste caminho molhado de verde pinho florido

Semeia a sombra oscilante ébria e submersa

 

E o pouco sol dos olhos teus voa no meu verso

Como trinares de pássaros brancos que ascendem

Sulcaram trilhos profundos nesse espirito submerso,

Em fendas de luz, nesses pensamentos se estendem

 

Se o tempo voar e não parar, deixa-o ir na ampulheta da vontade

Segue o caminho dos poetas, na fonte dos seus conhecimentos

Bebes o bálsamo dos poemas, de letras sensíveis à bondade

E nas odes ao amor, suaviza a tua dor, sara os teus sentimentos.

 

 João Murty

👁️ 277

ETERNAMENTE

N o meu corpo a minha alma respira

Pelas minhas veias o meu sangue corre

Por ti o meu coração suspira

Sem ti, a minha vida morre.

Quero amar-te hoje e sempre perdidamente

Viver mil vidas de doce amor

Onde o tempo seja lento eternamente

E o amanhã seja eterno em esplendor

Onde os ventos entoam o som de uma nova vida

E os corpos entrelaçados respiram sofregamente

Em ondas incandescentes de ternura não contida

Juntando as nossas almas, num abraço permanente .

João Murty

👁️ 272

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments