Lista de Poemas
DEUSA DA APARIÇÃO
No vento da noite o murmúrio do som de um violão
Um
som que ecoa, uma voz que canta num tom que balança
À
luz da fogueira vozes se juntam num velho refrão
Um
corpo frenético, ao ritmo da música pula e avança.
Descalça
de cabelos ao vento graciosa como uma gazela
Em
movimentos ondulantes, num corpo de escultura
De
recorte de Deusa Pagã, fresca e jovem, pura e bela
És
poesia em movimento num soneto à formosura.
Um
raio de luar flutua nos seus seios desnudados
Fúlgido
e cálido, como um símbolo de liberdade
Suspirado
num halo erótico de Deuses apaixonados.
Sem
uma palavra, partiu num movimento de sensualidade
Sem
saber quem és, revive o momento que te vi chegar
Marcante
e mágico, nesse verão quente na luz sensual do luar
.
João Murty
SAGRES
Nesta terra diferente de mar profundo, onde os mitos outrora foram vencidos.
Declamo
o poema a este povo coberto pelo rumor e pelo sal do seu mar.
Circundado
por escarpas e ventos fortes, que sopram em todos os sentidos.
Sigo
na saga de rumos desconhecidos, inspirado na magia intemporal do ar.
Em
baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas por esses mares da desventura.
Sons
alados, ecos de barcos naufragados, sepulturas que jazem no fundo do mar
Em
cima. Astrolábios, compassos, cartas, velas, caravelas, mareantes, aventura
Escola,
alquimia, Infante, rosa-dos-ventos, instrumentos rodopiando sem parar.
Esta
terra diferente tem mais cor, feita de tinta de mil sonhos e de ansiedade
Que
deram visões de novos mundos, construídos na mentira e na verdade.
Em
temas épicos escritos por monges poetas que te honraram e declamaram.
Na
ponta do Cabo de S. Vicente, nesses rochedos que se erguem ao universo
Colho
na mão a tinta desse misticismo, que se esvai nas letras deste meu verso.
SILÊNCIO E VOZES
Neste abismo de silêncio.
Deixa-me
sepultar os nossos medos
Deixa-me
sonhar junto de ti
Deixa-me
sentir a doçura dos teus dedos.
E
mesmo que despertes este meu pranto
Neste
gesto de chorar que me enruga o rosto
Enche-me
de calor com o teu corpo
Enxuga-me
as lágrimas com o teu manto.
Neste silêncio que percorro incógnito
Nesta
vida em que riem as visões
Deixa-me
superar as vozes fatídicas
Feitas
de olhos claros de azuis tentações
Que
tomam o corpo e fazem o coração refém
Asfixiado
na prepotência e no cruel desdém
Que
se alimenta como um proscrito
De
angústias e temores, de quem está aflito.
Deixa-me
ser alquimista e combater o silêncio do teu mal
Deixa-me
sentir a mística e o pulsar do cálice da vida
Mesclado
de água, terra, fogo, ar e condimentado com a magia
Perdida
nos rituais ancestrais da pedra filosofal.
Deixa
o sonho nos braços do Morfeu e procura outra via
Rompendo
esse silêncio de tons escuros e profanos.
Encontra
a alegria no meu peito e o conforto para tantos danos
E
mesmo que não seja verdade, e, mesmo que eu esteja errado
Escuta
o som do coração de quem ama, e, a razão de quem é amado.
Neste
abismo de silêncio de campânulas negras retorcidas
Escuto
as vozes do pensamento, soltas sórdidas e vencidas
Em
sussurros sonolentos umas às outras vão contando
Que
as lágrimas no teu manto são os sais da harmonia
E
que o sentimento do meu pranto é querer, é vida, fantasia
É
o sol da minha pena, é a força do meu poema, é um toque de magia.
É
o calor da minha mão e o doce afago dos teus dedos
Que
tocaram as nossas almas e afugentaram os medos
E
num brusco movimento, filhas de um ego descontente
CAMINHOS
Não
acendas fogueiras nem velas, nesta noite sombria
Porque
essa luz, não ilumina quem se sente sozinho
Na
penumbra, sentes o cansaço crescer dia após dia
E
tudo te parece louco, na paisagem desse caminho
Agora
já nada mais te importa, nem mesmo essas dores
Que
perduram no tempo, estrebuchando o sentimento
Foste
um grito altivo de revolta, no tempo dos amores
Que
perdeu a força, esvaindo-se no eco do esquecimento
Sentes
o peso do corpo inútil, que teima em não prosseguir
Mais
quebrado e desgastado, nesta noite sombria e calma
Não
te deixes sucumbir, remove a esperança e torna a sair
Nessa
caminhada cíclica, que persegue a evolução da tua alma
Ofegante,
sentes arder no peito essa luz turva vezes sem conta
Que
se mistura parceira com a noite como uma sombra tua
Longos
anos de uma dor tão presente e que te afronta
Aliviada
mos colóquios que repartiste com a velha lua
Viajante
tristonho, curvado, fraco e envelhecido
Descansa
aqui as tuas dores por entre o ondular do meu verso
Neste
caminho molhado de verde pinho florido
Semeia
a sombra oscilante ébria e submersa
E
o pouco sol dos olhos teus voa no meu verso
Como
trinares de pássaros brancos que ascendem
Sulcaram
trilhos profundos nesse espirito submerso,
Em
fendas de luz, nesses pensamentos se estendem
Se
o tempo voar e não parar, deixa-o ir na ampulheta da vontade
Segue
o caminho dos poetas, na fonte dos seus conhecimentos
Bebes
o bálsamo dos poemas, de letras sensíveis à bondade
E
nas odes ao amor, suaviza a tua dor, sara os teus sentimentos.
João Murty
ETERNAMENTE
N o meu corpo a minha alma respira
Pelas minhas veias o
meu sangue corre
Por ti o meu coração
suspira
Sem ti, a minha vida
morre.
Quero amar-te hoje e
sempre perdidamente
Viver mil vidas de doce
amor
Onde o tempo seja lento
eternamente
E o amanhã seja eterno
em esplendor
Onde os ventos entoam o
som de uma nova vida
E os corpos
entrelaçados respiram sofregamente
Em ondas incandescentes
de ternura não contida
Juntando as nossas
almas, num abraço permanente
.
João Murty
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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