Escritas

ECOS DO PASSADO - I

José João Murtinheira Branco

Esperas que a noite caia, para a sós

poderes contemplar as tuas memórias.

Amando-te perdido, desatando os nós

do narcisismo, marcantenas histórias!

Prisioneiro do pensamento, apetece-te vomitar

as cinzas de um passado tão recente,

que dentro de ti, não param de se revolver

como brasas incandescentes a faiscar.

Tempos marcados empresença ferida!

Sons que ressoam num adeus imarcescível,

um rasgo que acolhe o bloqueio permanente,

no relevo recolhe e bebe o resto da força da vida.

Gritante e torpe falacia insensível!

Apenas queres calcorrear ruas,

e vielas escuras e nuas da cidade.

Procurar,reencontrar os amigos,

provar todos os cânticos da saudade,

mergulhar no tempo e no vento,

recuar, voltar àinfância, viver o momento!

No canto contristado das tuas memórias,

ecos melodiosos de todas as vidas juntas.

libertam fogos-fátuos, que à distancia

brilham, na intangibilidade quântica e tática

das imagens da infância, que arvoram o sentimento.

João Murty


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