Lista de Poemas
DUETO - EU SOU ÀGUA QUE ME MANTÉM SEM VIDA
DUETO - Carlos Bradshaw Alves / João Murty
Talha-me nesta vida que me espreita
Solta o laço da minha fome
Onde claros turvos se deitam
Ergue-me nestas rochas perdidas
Perco-me a procura doutras vidas
Afaga-me nestas correntes encolhidas
A vida é um seguimento ou casualidade
Causas medonhas ameaços de saudade
Sou a brisa do monte
Vontades que morrem de triste fé na minha fonte
Quero adormecer
Não quero pensar no que possa acontecer
O vento domina o meu pensar
Me envolto nesse chão frio... Quero sonhar
Arde essa brisa sem fogo e sem chama
A minha morte no seu cântico dormente reclama
Carlos
Bradshaw Alves
Agua viva, nascida pura,
Nas rochas perdidas dos montes,
Corres num rasgo de formosura,
Gorjeando, abraças outras fontes,
Galgando correntes encolhidas,
Despontando a força da existência
Na procura de outras vidas,
Respira a alma a inocência.
A lua segue seu destino,
O vento perde-se no tempo,
Por desertos sem fim,
A noite canta o seu hino,
Abafando o teu lamento.
Sofre, mas serve o caminho
Vence a sombra que te invade
Se a hora é de torpe tempestade.
Onde está o êxtase que te
embebedou?
Renega a morte no seu cântico
jucundo!
No vácuo eterno se calará
disperso,
Exorciza-a no aroma fértil da
vida que te criou?
Nessa brisa sem chama, num fogo
moribundo,
Jazerá castrada, num último
suspiro ao Universo.
João Murty
DUETO - AMOR NAUFRAGADO
DUETO - AMOR NAUFRAGADO - João Murty/Fernanda mesquita
Nunca perto, sempre longe, sem domínio e sem
cadência
Navego na noite escura, sem estrelas, à luz
das velas
Sem rumo nem orientação, sou um náufrago da
tua demência
Perdido neste mar de sentimentos, sem portas
e sem janelas.
Deste amor navegante que se perdeu no mar e
naufragou
Por não encontrar um porto de abrigo, farol
ou uma luz acesa
Flutuando há deriva não resistiu a tanto
rombo e se afundou
Nos vis baixios do ciúme contra os rochedos
da incerteza.
Onde estavas quando precisei de ti? Perto,
longe, distante do meu chamar
Náufrago de ti, não escuto os passos, não
sinto os teus braços, não te ouço falar
Já não sinto, nem vejo esse teu gesto sem
jeito de te enroscares no meu peito.
Nunca perto, sempre longe e distante,
naufrago neste mar de amor imperfeito
Onde os poemas morrem e as musas cantam os
sentimentos que já senti
Guardo em mim um desejo, recordar o primeiro beijo
e a última vez que te vi.
João Murty
Que pena, como são tantos os descaminhos,
quem diria?
Triste olho o relógio, os ponteiros mexem-se
mentindo
Para que eu não espere aquele que prometeu
que viria
Para atear a última réstia de luz que se vai
diluindo.
A incerteza é aquela que nasce na escuridão
Que envolve o rosto do outro, atraindo
desamor
Pois a distância traça o caminho da solidão
Alimentando e fechando cada um na sua própria
dor.
Se tu te sentes abandonado, então que direi
eu?
Que dentro de mim enterro aquilo que por ti
viveu;
Esse amor naufragado, que chamas de
imperfeito, triste...
Os descaminhos de um amor apenas são um
mistério
Porque nós, descuidadamente inocentes, não
levamos a sério
Que um coração sozinho cansa-se de esperar...
desiste!
Fernanda R. Mesquita
DUETO - RECORDAÇÃO
DUETO - RECORDAÇÃO - João Murty/Joana Aguilar
Nesta água da verdade, tão distantes estão os
anos
Que me salvaste do abismo e de emoções
tenebrosas
Recolhendo no teu regaço as lágrimas de
muitos danos
Brotadas por tantos enganos, suavizado por
rosas.
Refletido nesta água vê o teu rosto ardente
Vejo o teu olhar sereno, no pedido que me
fizeste
Comissura nos teus lábios, que sorriam
docemente
No adeus permanente, do ultimo beijo que me
deste.
No torvelinho desta água, vejo e relembro o
passado
A dor que me vara o peito, nas lágrimas
colhidas no manto
E a etérea palidez da saudade, vincada no
esgar do teu pranto.
Num olhar profundo, colocamos o adeus num
ósculo puro e amado
Esperando para além da morte, para além dos
nascimentos
Que o crepúsculo do ocaso reencontre os
nossos sentimentos
João Murty
Reencontro-te, perdido nos farrapos
da razão rasgada
Dilacerada nos danos e enganos deste
tão frágil amor
Memorias que habitam, pondo em mim
vago tremor
Como olhos de vidente cegos, é breu e dor
desamparada.
Nessa água desfraldei a bandeira da
compreensão
Em cada olhar, falece a noite régia
mortal iniciada
Arde-me no peito essa luz turva da
morte anunciada
E com ela, o desejo ignoto de
reencontrar o teu coração.
Na prematura sonolência do tempo, um halo
floresce
Por entre a terra e o céu o meu espirito sobe
e desce
Alma ardente, amar e perdoar, é a hamonia do exemplo.
Vive com o teu sentimento! Num querer de amor e confiança
No adeus o meu corpo se vai e a minha alma descansa
Com que mágoa te
adoro! Velo por ti, nesta luz te contemplo.
Joana Aguilar
DUETO - TEMPO DE ALMA
DUETO - TEMPO DE
ALMA - João Murty/Fernanda Mesquita
Ai! Se eu pudesse parar o tempo e esculpir
Esculpia esse teu sorriso de lábios rosados
Emoldurado nesse olhar afogueado de fugir
De cabelos soltos de tons ruivos acobreados.
Ai! O porquê de tanta incerteza se o tempo voa e não para
Mas se chegar e não partir, é porque o prendi nos meus braços
Então eu vou rir, rir, porque o riso todos os males sara
Teria de novo os teus beijos e o calor dos teus abraços.
E na memória uma história esvoaçando na ilusão
Teria vida e fantasia, nos gemidos das noites quentes
Dos clamores e desalentos de um amor de perdição.
Ai! Quero reter o tempo e cerrar os olhos de desejo
Ouvir o murmúrio da tua boca sobre a minha boca
Num prazer e ensejo transportado nas asas de um beijo
João Murty
Ai! O nosso tempo esfuma-se nesta distância
fria
E eu vou morrendo triste, em desalento,
Restos mortais de uma flor que em melancolia
Se desfaz no ar ao sabor do tempo.
Que romântico delírio, que desengano
Quereres segurar o tempo, que sonho vão
Quando se podem contar os dias num ano
Em que eu sinto a tua mão na minha mão.
Um dia estarei velha desfiando o novelo
Do tempo que passou e não atendeu ao meu
apelo.
Velhinha, sentada na porta olhando o
horizonte distante,
Tentando ver-te a ti, também já velhinho,
pois...
Ou será que o tempo dará tempo a nós dois
De vivermos, ainda jovens, este amor por um instante?
Fernanda r. Mesquita
DUETO - LÁGRIMAS
DUETO - LÁGRIMAS - João Murty/Fernanda mesquita
No céu azul dos teus olhos, correm nuvens de tempestade
nascidas no coração em dor, sopradas pelo vento do momento
lágrimas, solidamente agrilhoadas aos ferros corroídos da saudade
tardam a apagar o fogo, que ateia a desilusão e incendeia o sentimento.
Lágrimas que correm sem cadência, no leito do rio da demência
num percurso de escolhos, para além do nada, onde mora a eternidade
desaguam intempestivamente, no oceano insondável da existência
onde a vida tem danos, entre tantos enganos, na procura da felicidade.
Neste oceano das dores, afoga essas lágrimas filhas da vida e da morte
segura o leme da tua nau, iça a vela da sabedoria e procura a tua sorte
circunda a orbe cintilante, onde o norte é distante e o vento não tem tino.
No cimo da montanha do ocaso, condensa-se
esse intangível desejo
nos raios entrelaçados, onde brilham as lágrimas de procura e ensejo
que mata a tristeza e sara a saudade, no renascer das cinzas do destino
J oão Murty
Quantas vezes fui
tomada por
rítmicos
soluços,
Trémulos queixumes
da minha alma ressequida,
Lágrimas jorrando
dos meus olhos tempestuosos fluxos
Molhando-me os
lábios, refluindo à alma para lhe darem vida.
Quando me ponho a
pensar no que tive que fazer,
Pelo impenetrável
universo, o que tive que traçar
Para dos escolhos,
alegres gestos e sorrisos colher
Para que as
lágrimas, de alegria pudessem brilhar.
Desfolhei cada
lágrima como se fosse uma flor;
Tive nas mãos a
raiva, a solidão, a tristeza e a dor...
Como pudera eu ser
porta de aço sem me arruinar?
´´ Pensando que a maldade é demente que se
conduz
Num dúbio estado
que quando encontrar a luz
Não causará mais lágrimas, nem mais razões para chorar! ``
Fernanda r. Mesquita
POETISA DOS SES.......
DUETO - AMNÉSIA
DUETO - AMNÉSIA - João Murty/Fernanda Mesquita
Tu sabes e não falas, não dizes quem eu sou
Vagueio como um cão que não tem dono
Percorro o meu destino, sem saber para onde vou
Como uma folha que erra, no vento do outono.
Sou um ente esquecido, uma amnésia da vida
Nesta alma errante, para quem nada importa
Apenas tenho silêncio, na memória esquecida
E a rua como morada. Uma parede nua, sem porta.
De tempo em tempos, vejo uma imagem nublada
De vertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado
E uns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.
Sou mais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado
Que paga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada
Castrando na escuridão a chama desse desejo insaciado.
João Murty
Não evites certos
lugares da tua memória...
Talvez eles
transformem essa amnésia em fumaça
E permitam fluir
lembranças onde a tua história
É muito mais do
que essa mágoa que agora te despedaça.
O mundo não quer
saber de tristeza!
Quanto mais
quererá desgraças e pouco mais...
Existe um fulgor
intenso na sua natureza
Em fazer-te cinza
adorada entre os mortais.
È uma forma de se
enaltecerem mostrando dó;
Improvisam frases,
lamúrias por seres quase pó
Chorando
falsamente sobre a tua face, quão falsos são!
Não queiras ser
mais um nesta terra estéril,
Onde em vida já te
oferecem fúnebres flores...
Expõe a amnésia do
mundo mas rejeita a sua compaixão!
Fernanda R. Mesquita
DUETO - REENCONTROS
DUETO - REENCONTROS - João Murty/Joana Aguilar
negro cabelo ao vento, tez de rosado fulgor.
Musa de grito fulmíneo de vida, e no ciciar
em letras mentais, vou soletrando o teu nome.
no ar, um sentimento paira, perdura e me consome.
Numa arquitetura de suspiros, ligada de mim para ti
João Murty
Poetando amor senti, amei e no amor quis voar,
e os meus olhos brilhantes que te olharam
pousaram como gaivotas na espuma do teu mar.
Em ondas revoltas, conheci o amor e me despi.
Feliz, cavalguei os vícios que me tocaram,
amarga, sequei lágrimas, mordi o beijo e parti.
Cheguei na estrofe bela do teu verso,
voando no passado, sentindo emoção pura
E a minha alma ébria por te encontrar,
viajou por entre as estrelas do teu universo.
Onde te sigo, por querer dividir contigo,
um pouco de loucura, amor e muita ternura.
Recordações que me assalta a mente e me devora
Volúpia de desejos, vestida em poemas de aventura,
Desnude-me no passado que ruge num presente que chora.
Maria Joana Aguilar
DUETO - POEMA ADORMECIDO
DUETO - POEMA ADORMECIDO - João Murty/Joana Aguilar
Poeta tímido, que te escondes no silêncio cinzento do teu poema
Castrando a inspiração na brandura da tinta dormente do teu verso
Eu moro onde habita a tua dor, nessa estrada que percorre a tua pena
Bebo a água fria do teu lago, onde a inspiração, ascende ao universo.
Poeta sem língua, filho de um poema esquecido
Fustigas o remorso no castigo de uma vida sofrida a sós
Transportas a angústia no choro da tua aura de poeta adormecido
Queres que seja branda essa dor, então, faz da pena a tua voz.
Não te deixes amordaçar no riso humano de estéril substância
Onde o materialismo perdura e se cultiva a ganância
No teu peito aberto, brota a chama e o calor desse poema ardente.
E se tudo vale a pena, então vou seguir os atalhos da tua alma
Sentir a magia do poema adormecido, que desperta nesta manhã calma
Iluminado neste sol cálido, que te aquece esta vida tão só e penitente
João Murty
Poeta do silêncio, filho de um poema inspirado em amor ardente
A tua pena, percorre a estrada em escura intimidade
Com as linhas da dor que se entrelaçam em volta da verdade
Esvazias a inspiração no lago de água fria, tão só e penitente.
Poeta tímido, o meu amor desaguou no teu martírio
Nessa dor que te perscruta e inflamando o universo
Trespassa a morte, vivendo a ressurreição do verso
Em letras sagradas que ao céu ascendem, em delírio.
Liberta-te, sente a magia do dia nas cores puras do encanto
Declama honra e vida, nestes inglórios tempos malfadados
No teu peito brota, perfume ira e lume, que renova o canto.
Queima a tua angústia nas brasas da razão esquartejada
Num grito de alma que sangra por todos os poetas amordaçados
Acorda o poema incandescente, em letras de
cinza imaculada
.
Joana Aguilar
FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO II
Batem asas de anjos nos meus ouvidos,
sinto na minha pele
o aroma do teu perfume.
Sinto na minha,
a tua boca rosa de lume,
estrebuchando a alma,
despertando os sentidos.
Transformo
os sonhos
de tormentos e dor,
reinvento-te por entre o tempo perdido,
apagando o fogo,
em lagrimas de amor,
moldando o meu desejo ao imaginário
dou-te a forma do caminho percorrido.
Retenho no meu o teu espirito celeste,
soletrando a palavra desejo incendiada.
Nos teus seios, jaz a ampulheta cinzelada,
areias de tempo acariciam teu corpo agreste.
João Murty
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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