Escritas

INTEMPORALIDADE

José João Murtinheira Branco

As minhas palavras, jazem jogadas, rasgadas no chão,

escombros em papel amarrotado, de letras rasuradas

borradas, talvez por lágrimas caídas por desilusão,

tristes e carentes como esta poesia insuficiente,

que não disfarça as frases gastas, desequilibradas,

sem rima, de alguém desinspirado, só e penitente!

O cântico treslouca, quando a dádiva é o pranto

que estaca em paixões envenenadas de maldade.

Dirimindo espanto, enterrei os prazeres por cada canto!

No tempo quepassou, plantei um jardim de visões,

reguei-o com lágrimas de esperança em saudades

suadas pelaesgrima da vida e pelas goradas ilusões!

Foi a poesia que preencheu os meus dias desolados!

Numa química intemporal, petrificada e indiferente

que percorre todos os ditames snobs, perpetuados

em fugazes segredos, sentindo um halo ávido de existir,

que verto na escuridão até o sono chegar e adormecer-me

para acordar no solo escalavrado da monotonia, e partir!

Palavras rasgadas, que rodopiamna magia da alquimia!

Na prematura sonolência intemporal, o halo floresce

entre os bocados de poesiaacorrentados nesta ortografia.

Seguindo os teus passos, lado a lado, de dia e de noite,

singela sombra coreografada, nummarcante sobe e desce,

ao compasso de espera de umabraço que em ti pernoite!

João Murty

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