Escritas

Lista de Poemas

DUETO - SONHOS DOS POETAS

DUETO - Carlos B. Alves / João Murty

 

Domina-me com o teu corpo os meus anseios

Saboreia-me por inteiro nos meus receios

Tudo é bom, tudo é raso, com ideias incríveis

Escrevendo liberto-me d'algemas invisíveis


Carlos Bradshaw Alves

 

Escrevendo, libertas ideias, encontras liberdade

Os teus receios são silêncios omnipresentes

Que à vida te prendem com invisíveis correntes

Os poetas perseguem os sonho e a eternidade,


João Murty

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DUETO - SAGRES

DUETO: João Murty/Joana Aguilar


Nesta terra diferente de mar profundo, onde os mitos outrora foram vencidos.

Declamo este poema, a este povo coberto pelo rumor e pelo sal do seu mar.

Circundado por escarpas e ventos fortes, que sopram em todos os sentidos.

Sigo na saga de rumos desconhecidos, inspirado na magia intemporal deste ar.

 

Em baixo. Fome revolta, vagas cruéis lançadas por esses mares da desventura.

Sons alados, ecos de barcos naufragados, sepulturas que jazem no fundo do mar

Em cima. Astrolábios, compassos, cartas, velas, caravelas, mareantes, aventura.

Escola, alquimia, Infante, rosa-dos-ventos, instrumentos rodopiando sem parar.

 

Esta terra diferente tem mais cor, feita de tinta de mil sonhos e de ansiedade.

Que deram visões de novos mundos, construídos na mentira e na verdade.

Em temas líricos, escritos por monges poetas que te honraram e declamaram.

 

Na ponta do Cabo de S. Vicente, nesses rochedos que se erguem ao universo.

Colho na mão a tinta desse misticismo, que se esvai nas letras deste meu verso.

Poema de agora, bebe e sente essa aura de outrora, a quem os poetas sublimaram.


João Murty

 

Sagres onde o vento se faz ouvir, num bruar infernal

Circundado por esse mar fundo, a tua voz buscou

Os mitos foram vencidos pela fé da Virgem maternal

Castrando ecos de vozes que o pensamento criou .

 

Ladeado por escarpas no árido escolho ermo do mar

O Cabo de S. Vicente se ergue, em granito gigante

A sua face intemporal, imóvel austera e dominante

É escola, compasso, rumos, viagens que irão despontar

 

Destas pedras donde o misticismo de Henrique Infante

Traçou sonhos, ganhou mundos, marcou estrelas no ar

Fixou o céu crepuscular e o inferno no espirito de Dante.

 

Lançou caravelas que velejaram nos mares da desventura,

Inspirados na magia intemporal e na arte de bem navegar

Engoliram Adamastor, dando inicio á grande aventura.

 

Joana Aguilar

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FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO IV

Alopatia da cura, nos segredos do universo.

Transgride o tempo da harmonia,

aos astros me exponho,

na alucinante viagem do verso.

Rasgam-se as estrelas, faz-se dia,

meus fragmentos de sonho,

varrem-se nas memórias,

apagando a chama.

Na palavra se segrega a voz,

do lamento da tua queixa,

selando de mármore e fogo

os elos da  ignomínia  de quem ama,

perpetuando  no infinito o jogo,

que tudo almeja e nada deixa.

Quando acordar o céu estará saqueado,

enxergando o além, só com a minha realidade.

Egrégio mistério, no meu sonho, desapontado

Amplitude do vazio, que me tomba de saudade.

 

João Murty

 

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BALADA DAS PALAVRAS DOCES

Em cada linha que te escrevo, em cada verso
Faz-me sentir mais só, nesta noite tão longa e fria
Perdido nas doces palavras do teu universo
Deslumbro o toque do teu olhar no anoitecer
Minha boca seca morde o beijo, que tanto queria

Astrolábio incandescentes de emoções
Azimutes traçados na candura do meu querer
Rumos zingareados por entre as constelações
Habita em mim, segredos e sabores do teu ser
Melodia de doce mel, em suspiros de sensações

Já não sei o que sei, e não sei já quem sou
Já não sei o que digo e não sei por onde vou
Só digo o que sinto, sabor doce, mel e absinto.

Viajo no ocaso, por entre as cores do arco-íris
Nas gotas de orvalho que te escorre pelo rosto
Colhendo doce mel do teu olhar e palavras que te fiz
Salto no orbe de xisto em viagem alucinante
Nos aromas do teu corpo, baunilha, caramelo e mosto

Neste dardejar de um coração que sente e deseja
Universo dos meus versos nesse olhar fascinante
Alquimia conjugada, mistura de prata ouro e marfim
Em bebedeira cintilante de um astro que flameja
Por entre asas de querubins de verde jade e jasmim.

Já não sei o que sei, e não sei já quem sou
Já não sei o que digo e não sei por onde vou
Só digo o que sinto, sabor doce, mel e absinto

 João Murty




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BEIJAR TEU BEIJO

Guardo esse olhar límpido como dois lagos

E na memoria o cheiro do teu corpo confidente

Prende-me tua pele ao perfume dos teus seios

Ondulante, dardejante envolvido nos meus afagos

Na amargura do partir ficou apenas esse beijo ardente.

 

Revejo os teus olhos de um azul cintilante

Faiscando na última noite voluptuosa

Foi um tempo flamejante tão distante

Marcado por utopias de uma espera tortuosa.

 

Cruze a memória desse ultimo adeus

Recordo-te, distorço a tua imagem imaculada

Para reviver o teu carinho e os lábios teus

Nesta forja de frases rubras, do tudo ou nada.

 

Nas palavras murmurantes do desejo

Tão perto e tão longe que não te avisto

Coloquei asas prematuras no meu beijo

Neste querer  que  tanto insiste

Beijar esse teu beijo, que resiste.

 

João Murty

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LÁGRIMAS

No céu azul dos teus olhos, correm nuvens de tempestade

Nascidas no coração em dor, sopradas pelo vento do momento

Lágrimas, solidamente agrilhoadas aos ferros corroídos da saudade

Tardam a apagar o fogo, que ateia a desilusão e incendeia o sentimento.

 

Lágrimas que correm sem cadência, no leito do rio da demência

Num percurso de escolhos, para além do nada, onde mora a eternidade

Desaguam intempestivamente, no oceano insondável da existência

Onde a vida tem danos, entre tantos enganos, na procura da felicidade.

 

Neste oceano das dores, afoga essas lágrimas filhas da vida e da morte

Segura o leme da tua nau, iça a vela da sabedoria e procura a tua sorte

Circunda a orbe cintilante, onde o norte é distante e o vento não tem tino.

 

No cimo da montanha do ocaso, condensa-se esse intangível desejo

Nos raios entrelaçados, onde brilham as lágrimas de procura e ensejo

Que mata a tristeza e sara a saudade, no renascer das cinzas do destino

João Murty
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MONOLOGO ANATOMIA DO POEMA

Olha vai tu……..

Vou para aonde? aqui vou escrevendo,

voando no verso…

 

Fraca desculpa, não é razão absoluta!

anda, sai, vai para o teu Universo .

 

Olha vai tu…

Nesta persistência que persiste,

nas frases gastas, o poeta está nu.

 

A final o que procuras?

Alimentar o ego, um amor virtual,

palavras e juras, ilusão e aventuras,

desassossego no espirito que mata a solidão,

palavras escondidas, frases mal escritas,

o eco da própria voz na imensidão

faminta, escura e tenebrosa,

que te alimenta as entranhas do medo,

massacrando com arte vagarosa

a solidez do teu rochedo.

 

Olha vai tu……

Por muito culpado que me julgues,

não me flageles com palavras

o meu corpo sangra e a minha alma

foi engolida pelo esquecimento

Não, quero histórias, nem lavras,

nem piedade, nem sentimento.

 

Será que a Musa da Poesia abandonou-te?

essa força quente perscrutada,

corpo de névoa, de imagem

com sulcos de tatuagem,

voz absoluta escutada .

 

Olha vai tu…….

A Musa habita na minha alma

a poesia não sucumbe, canta a vida e a morte,

congrega a visão do mundo, que em espaços

profundos se miram e se abraçam,

enaltecendo, reacendendo a chama.

Não sou poeta, sou apenas um profano sem sorte,

em demanda do céu da terra e da eternidade,

bebendo na poesia, o elixir da harmonia,

expurgando a inercia , na  vital necessidade,

de perseguir os sonhos , reacendendo a chama.

O  poeta é uma árvore, com frutos de tristeza

e com folhas murchadas de chorar o que ama.

 

Em tão o que fazes aí!

esgotaste o teu tempo. Sai, vai embora!

sai, sai  já daí…

 

Tens razão vou  agora!

 fechei o verso, saí………..

 

João Murty

 

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RECORDAR A INFANCIA

Navego nos mares dos sonhos,

por entre as recordações de criança,

gritando, pulando, desafiando a ilusão,

calças rotas, corpo sujo, olhos risonhos,

nativo de Lagos, filho da ribeira,

 desfraldo velas em  ventos de mudança,

desafiando o mar, num bote da traineira

 

Que fantasia, que sol, que vida,   pios de gaivota, sulcando o ar,

ronronam ondas, em noites de melodia 

naquela doce alegria, naquele ingênuo brincar! 

o céu bordado de estrelas, a terra de aromas cheia, 

as ondas beijando a areia   e a lua beijando o mar!

 

Preso na minha imaginação,

fui mascarilha,  num  corcel de pau

correndo na pradaria da ilusão,

 num bote, fui  Barbas - pirata mau,

persegui ovnis de olhos no céu,

fiz magia, abri a porta da fantasia

de um espirito inquieto, voando ao léu.

Que vagarosas saudades,

silenciosas lembranças,

aos muros do meu desgosto,

sou um poeta esquecido,

que suspira no tempo vencido,

quando o sonho, perde o rosto.

 

João Murty

 

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AGUARELA

Nesse quadro em que o verde da tinta tem menos cor

E o tempo se entrelaça no misticismo do anoitecer

Colocaste um rio de águas proféticas onde se afoga a dor

E as mágoas se espraiam nas cores rugosas do envelhecer.

 

Nesse quadro em que as margens do rio estão cobertas por açucenas

E o sol do entardecer vai morrendo em clarões de aurora

Colocastes auréolas e asas prematuras nos meus poemas

De tinta húmida e incolor colhida na face de alguém que chora.

 

Nesse quadro de alma pintado em tintas que ninguém consegue ver

Encontram-se caídas palavras de poemas que ninguém pretende ler

Ébrias de cansaço, juntas pelo vento nas paredes de qualquer viela.

 

As cores pardas debotadas e amarelecidas que ensombram a aguarela

É a esperança perdida das coisas que não tive e que no sonho me pintaste

Nesse quadro de tintas e palavras, eu sonhei, tu sonhaste, eu parti e tu ficaste

.João Murty
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MENINO POETA

Menino poeta, de olhos cansados, escutando, os sons roucos das palavras sem nexo nesta escrita de loucos, deste poema corrido, onde a perseverança é nublada  por pensamentos vestidos de negro, decantados na desilusão da espera e trajados em crepúsculos pálidos da incerteza. As frases dos teus poemas jazem vencidas  caídas, varridas, para esse abismo profundo de solidão. E a sorte, essa, amarga e profana até na morte, cai em mergulho profundo, asfixiando-se por entre ais e  lamentos numa mortalha lírica coberta por aromas de cedro e de rosa. Nada mais resta, apenas perpetua o barulho rasgado do silêncio dilacerado por sons  imaginários, que bramindo corre no rio do pensamento, envolvendo lentamente a tua alma numa monotonia latente de escrita, sem fio de versos, sem espaços em  escrita de prosa.

Poema escrito no luto, inspirado num tempo devoluto e sem sabor, de traje negro te venera, declamando estes versos à minha dor.

  É uma tristeza sentida. É uma lágrima que cai.

 É a voz que já não fala. É o corpo dormente.

 É a amargura da vida. É a esperança que vai.

 É a pena que cala. É a fuga para a frente.

 É a agrura sentida. É uma luta sem sorte.

 É a tinta que goteja. É o tinteiro que cai.

 É a sina da vida. É a gadanha da morte.

 É o anjo que beija. É a alma que sai.

 

  É o sono profundo do menino que cedeu.

 É o sonho sem mundo do poeta que morreu.

 

 João Murty

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