Escritas

ECOS DO PASSADO – II

José João Murtinheira Branco

Infância, essa feliz e doce idade,

de risos cristalinos e fragilidade inocente.

Guardando no espaço poético,

todos os sorrisos, muitos abraços

num poema de orgulho e vaidade,

de padrões lavrados com sangue nas palavras,

queno imaginário, escorre por entre os dedos,

comoas horas de areia, em que as insónias

transformamos teus medos.

Sentimento vassalo, jucundo

que em espiral, turveja na ambiguidade,

preenchendo a canonicidade do teu mundo,

perpetuada num mero trago de poesia,

declamada,num altar para a eternidade.

A noite cai, o mundo desce, nuvens escondem aLua.

O céu escurece, num triste eterno anoitecer,

encobrindo a tua memória gasta, velha e nua,

que se reacende por entre períodos oscilados.

Vagarosa e transitória no seu parco reviver,

passam cenas fingidas, numa história que nãoé tua,

mas que na memória teimas em guardar,

como guardas a tua coleção de relógios parados,

sem horas, nem data, em que te vais voltar a erguer!

João Murty

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