Escritas

Lista de Poemas

EXTINGO UMA PÁGINA DA VIDA - II


No meu Eu! Procuro lucidez, limpando

fantasmas neste caos emocional.

Vagas de tristeza vão-se acantonando,

crepitando na minha mente!

Procuro extinguir essa chama,

matá-la no frio da espera racional.

Mas a dor que esmiuça o sentido,

persiste em queimar-me lentamente

como um beijo possuído, marcado

por bocas indivisíveis do passado.

Entre nós e o diálogo surdo, extingo

meu querer e o sórdido ultraje,

que vive na sombra da dor

e se oculta no seu negrotraje …

Quero esquecer, selar a página

de uma vida que já não sei se gostava.

Quero rir-me do que penei e passei

e de tudo o que eu amei, ou amava!

Do passado, apenas o móvel do papel e tinta

e a minha voz que ecoa no coração vadio.

Esse grito sufocado que na garganta ficou

e permanecerá nas tácitas asas do silêncio.

Legado ácido de uma aventura extinta,

que acabou na penumbra do vazio!

Entre nós e o amanhã, extingo

tudo o que existi-o, tudo o que quiseste

um amor algemado que eu não te dei,

mas que tu me deste!

João Murty

👁️ 455

CICLOS


Cada passo mais afastado do relógio da vida,

rompi com o sonho impercetível e murmurado.

Trepo ao céu, agarrado às letras e ao vento,

flutuando no espaço ao sabor da corrente,

ávido dos silêncios que a noite provida.

Esperança ardente num sonho, sonhado

em louca espiral da pressa! Isole-me no advento

do tempo, que acaba e se estagna à minha frente...

Uma melodia! Uma luz se aproxima! Tudo faz sentido.

Quantas solidões para ver? Quantas vidas para aprender.

Decanta a plenitude cíclica! tudo o que está mal, érepetido!

João Murty

👁️ 530

POESIA SEM SUBSTÂNCIA


Prendi o anjo ao elo dos meus desejos,

Que me protege, me eleva e me redime

á luz mortiça da comedida penitência,

cobri – lhe o espaço da alma, com beijos

numa crise de afeto e amor sublime,

desbravei o gosto, absorvendo demência…

Só a minha mão não enlouqueceu.

Neste poema versado na inconstância ,

que perdura nesta réstia amarga do tempo.

É parca e contida minha indulgência

esmaecida na luz de um verso que emudeceu.

É naco de poesia sem substância!

É fímbria do passado no advento,

que se extingue na luz da penitência!

João Murty

👁️ 457

EXTINGO UMA PÁGINA DA VIDA - I


Na poesia, quis abusar

das palavras agressivas,

aquelas que vão engrossar

o vocabulário dos protestos.

Escrevi de raiva, frases vivas,

ditadas, sopradas por figuras

anónimas, fãs dos manifestos e da confusão.

Li, e reli, rasgando as passagens ofensivas

e com elas fui engolindo agruras,

mastigadas no tempo em depuração…

Entre nós e as palavras, extingo

o meu querer e a agrura

exorcizando um destino

omisso de ventura….

Afastei o nevoeiro que a razão impele

que o meu grito sufoque e saia assim

engolido em seco, sufocado na garganta

por cenas vividas, múltiplos repúdios

acantonados à flor da pele.

Metamorfoses aprisionadas em mim,

decantam em crescente, por a dor ser tanta,

virtuais compassos de espera! Autênticos interlúdios

trabalhados, em árias de gemidos dedilhados,

por mãos brancas de músicos amortalhados.

Entre nós e a solidão, extingo

o meu querer e todo o deboche,

que vai marcando o palco da vida

neste teatro de fantoche.

João Murty

👁️ 433

CICLOS


Cada passo mais afastado do relógio da vida,

rompi com o sonho impercetível e murmurado.

Trepo ao céu, agarrado às letras e ao vento,

flutuando no espaço ao sabor da corrente,

ávido dos silêncios que a noite provida.

Esperança ardente num sonho, sonhado

em louca espiral da pressa! Isole-me no advento

do tempo, que acaba e se estagna à minha frente...

Uma melodia! Uma luz se aproxima! Tudo faz sentido.

Quantas solidões para ver? Quantas vidas para aprender.

Decanta a plenitude cíclica! tudo o que está mal, é repetido!

João Murty

👁️ 523

POESIA SEM SUBSTÂNCIA


Prendi o anjo ao elo dos meus desejos,

Que me protege, me eleva e me redime

á luz mortiça da comedida penitência,

cobri – lhe o espaço da alma, com beijos

numa crise de afeto e amor sublime,

desbravei o gosto, absorvendo demência…

Só a minha mão não enlouqueceu.

Neste poema versado na inconstância ,

que perdura nesta réstia amarga do tempo.

É parca e contida minha indulgência

esmaecida na luzde um verso que emudeceu.

É naco de poesia sem substância!

É fímbria do passado no advento,

que se extingue na luz da penitência!

João Murty

👁️ 459

POEMAS DAS PALAVRAS RASGADAS - I


A flecha só morre no pássaro, quando a luz

se apaga e o canto se escreve!

É nessa dor que começa o poema

de palavras rasgadas,

como se a alma quisesse libertar

das suas amarras

as frases contidas no sentimento,

que o momento sente e reproduz

injetando nelas o ar para respirar.

Soltas e desenfreadas

fluem livremente à velocidade

que a mente prescreve,

divagando na inspiração!

São como o cântico das cigarras,

livre e selvagem,ressoando

quando o dia perde a luz.

Espontâneo e intemporal, opoema

corre galgando alegrias e dores

ao sabor de uma corrente,

que leva emoções na viagem

do seu sentir! Canta tristeza,

chora no riso, fala deamores,

pulsa na saudade,

reage pragmático à visãoromântica!

Esmaecendo-se nos costumesténues

e tépidos na genéticaperseverança,

ante agoniatelepática de uma imagem

em semelhança com a fraseque ecoa

por dialética semântica.

A poesiaé o lirico idioma do espirito,

grito do inominável, o urro do imprevisto.

Onde respiram pensamentos sequiosos

epalavras que queimam, fortes e sensiveis.

renegandoa vileza do ultraje, da tortura

e dos impropérios obsequiosos,

proferidos em tom mordaz

por alguns cretinos insensíveis,

que vão surfando a onda da desventura.

João Murty

👁️ 436

POEMA DAS PALAVRAS RASGADAS - II

A poesia das palavras rasgadas,

galga a cancela do medo,

afastando o nevoeiro que impede

a razão de ultrapassar o centro dos conflitos,

recuando até às circunstâncias

injuriosas, onde habita a essência

dos homens grotescos.

Aqueles que se gostam de ouvir,

murmurando em segredo

pérfidas formas de denegrir!

Pedantes na sua formade falar,

julgam-se deuses da razão,

donos de todas as importâncias.

São depravados do verbo

que nos seus gorjeios pitorescos,

estão devorando as palavras

em farta verborragia! Uma a uma,

temperadas na ironia, regadasa copos do ópio

das gramáticas com a sua espuma

letal, transbordando vicio,

deceção e sarcasmo pelochão.

Verso a verso, prosa aprosa,

vão rasgando palavras eletras

que são servidas ao vivo,

aos antropófagos das mil tretas,

em bruta e sádica orgia verbal!

Não fossem eles os doutos da opinião!

Rasgam-se as palavras,

o verso esvai-se, mas não termina

a poesia não falece! Floresce.

O poema não germina! Mina.

Estará sempre presente erguendo os punhos

contra aqueles que na sua falsa verdade,

disfarçam a maledicência,

sob os ornatos da modernidade.

João Murty

👁️ 403

FRAGMENTOS III

Escorre-me

tinta das narinas e na boca,

cavalguei na ironia, explodi na certeza,

mastiguei

fragmento de poesia louca,

persegui os sonhos, reacendendo a

chama,

fui uma árvore, com frutos de tristeza,

com folhas murchadas de chorar o que ama.

Retalhos da vida, a minha alma é água fria,

que vai correndo saída no leito da desilusão,

dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.

Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento

a sombra que arrasta uma auréola apagada,

queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.

.João Murty

👁️ 428

INVERSO

Hoje sou miragem, que percorre o que não vejo.

Hoje sou saudade, sou fogo e brasa, sou vontade,

sou poeta mal-amado, que viaja no verso da verdade,

sou tristeza e pranto, lágrima que salga o desejo.


Hoje sou amargura e irmão do sonho que não almejo,

nos ditames do tempo na volatilidade da minha capacidade.

Tudo cobro por um punhado de silêncios. E mesmo que não mereça,

expio no âmagodo deserto, percorrendo o que não ensejo!

Querendo sem poder reacender verdades de plena humanidade.

Entre nuvens de mágoas, sem que verdade apareça,

viajo desterrado na assombrada longitude pletórica,

no sincronismo das palavras! Minto por mim e por ti,

mastigandoe cuspindo cada frase parida na retórica,

esperando que avontade se erga, me sacie e humedeça.

No eufemismo do tempo,sucumbirei por calar o que senti.

A sensibilidade do impossível, também traz seu inverso.

Vejo a minha paranoia desfilar fabulosamente iluminada,

trazendo a verdade que hoje sou! Expiando o karma no verso,

como se fosse a salvação da minha alma gangrenada!!!


João Murty


👁️ 447

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments