Escritas

Lista de Poemas

PONTA DA PIEDADE

Cansado por remar tanto naquele dia

Morava a quietude onde cheguei!

Só o ronronar das ondas se ouvia

Esbatendo-se nos rochedos que encontrei.

 

Nesse lugar deslumbrante de íntima natureza

Me enlevei... Libertei... Esmaeci... Sonhei….

Místico e pragmático, flutuei no sonho. Que leveza!

Embriaguei-me de belo... Embeveci …. Chorei!

 

Visão deslumbrante, vesti-me de orgulho e em graça!

Entre o inefável e o amor que me encheu o peito

Interstício da infância, eco de um passado que deleito.

 

É nesta paz que eu sei que Deus me protege e abraça!

Levita meu espírito... Energiza... Aliviando o coração.

Silêncio harmonioso...Se eterniza …. Doce sensação!


João Murty

👁️ 493

AQUI ESTOU EU

A vida, me deu mundo e o trabalho confiança

Estudei, tracei metas, respeitei, porfiei

Versátil para aprender, ganhei força e lutei

Naveguei nas estrelas, buscando o que o sonho alcança!

 

Sou alma indomável! Que caminha na evolução

 Amo o mar... Os amigos….A música... A poesia!

Sou altivo! Ou humilde! Num mundo de fantasia

Rio e ralho comigo! Introspetivo na lição.

 

Não tenho medo de perder, nem começar de novo

 Busco a justiça e a lealdade e nela enxergo a razão

 Fujo da mentira dos políticos, dos falsos e da opressão!

 

 Não nasci Duque nem Conde, sou um simples filho do Povo

 Pai pintor, Mãe doméstica, humildade por linhagem

 Mas tenho sangue nobre, decantado na coragem!


João Murty

👁️ 455

FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO I

  1. Fragmentos - "Alquimia do Tempo" é um poema longo. Encontra-se  fragmentado em 6 partes, por forma a que a leitura do poema, não se perca na sua extensão!


Corro em volta do pensamento,

porfiando um amor

que em mim se fechou.

E nele ecoam as vozes

que o tempo calou,

afogadas na mordaça

do pântano do lamento.

Por águas paradas,

turvas em cinzenta espuma,

um derradeiro olhar

por entre tumultos,

percorro o pântano sem te achar,

na espiral de vultos

que levitam na bruma.

 

Cerre os olhos pelo tempo fora,

sabendo que vou te encontrar,

aqui, ou ali em alguma hora,

hoje, amanhã em qualquer lugar.

João Murty

 

 

 

👁️ 459

MENDIGO

Velho de olhar triste, pobre e vagabundo

Tens por companheira a miséria dominante

Viajante de alma e mendigo neste mundo

Que em delírio beijas o pó, murmurante.

 

Onde os dias e as noites passam sem ter pressa

Onde nada é diferente e tudo te parece igual

Até o dormir, no canto escuro de qualquer travessa

No chão de pedra enganas o frio num leito de jornal.

 

Mora próximo a demência, que cultiva esse fadário

Nessa alma adormecida, em que a sorte é a morte

Que num ato de amor, termina esse Calvário.

 

Poemas escritos de luto, marcados por almas sem amor

Inspirados na desgraça, foram buscar a poesia ao teu sangue

De trajos negros te veneram, declamando um verso à tua dor .


João Murty

👁️ 850

CELA DO SILÊNCIO


Saudades do amor, com beijos se cura,

sarando a dor que aperta o coração.

Chega a moite e com ela a lua se lança

nas nuvens cinzentas, que vogam na altura,

bruxeleante, nua, vai-se no Céu em exaltação.

Chega o dia e com ele o Sol de esperança.

 

Entre o branco marfim das minhas alvas cãs,

recordo e prendo o teu sorriso á minha boca.

Sei que persegui o sonho, amei e fui amado

fluindo no anonimato, por entre máscaras vãs.

Em mil flechas, me quebraram a vontade louca

num tempo sem horas, corrosivo e  desolado.

 

Apago o sonho de liberdade, no despertar morno

da cruel realidade. Contestatário politico, preso isolado.

Moro com a saudade, com o silêncio e o mar em torno.

 

João Murty

👁️ 733

SONHOS DE POETA - I


Filho de um contentamento descontente,

flutuo mo sonho de símbolos e lavras.

Onde enigmático se esconde esse silêncio

de figuras que marcham, entrando nas palavras

cínicas, déspotas, que subjugam rudemente,

esmagando o verbo pelo prestígio da morte.

Escorre-me letras dilaceradas pelas narinas e boca,

cuspo palavras no papel amarrotado.

Encarno o personagem da poesia maldita,

só e penitente, arrasto-me até à hora da morte.

Mastigarei visões, porfiando retalhos de vida louca,

metade de mim é verso, num grito esconjurado.

A outra metade é prosa corrida, mal escrita

lida e relida na mente, no silêncio amargurado.

 

Os poetas perseguem os sonhos e a eternidade

 a utopia da pedra filosofal, decantada na alquimia

uma névoa luminosa dentro da nossa obscuridade

o desejo de transcendência, o delírio da verdade

que envolve a existência, embriaga e nos vicia.

 

Tiram-nos o sonho, a tristeza impera e não resistimos,

tiram-nos os versos o ar acaba e não respiramos,

tiram-nos o amor o coração para e não existimos.

Não seria possível sonhar se os poetas não nascessem

e as lágrimas morressem.

 

João Murty

👁️ 342

FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO VI

Num gesto de tédio, em doce amargura,

solto o pensamento sem espaços.

Bebo o cálice da alquimia fluindo a mistura

mato a fome e a sede no infinito.

Tenho o teu corpo nos meus braços,

a visão esbatesse nas luzes ceifadas,

na tela da lembrança, projeta-se num grito. 

Selo a memória, perante as imagens amadas,

num mundo parado, nossos corpos alados,

ganham garras e forma de condor.

Rodopiam, suspensos em lampejos de penumbra

num volteio ligado no sentimento,

entrelaçados pela harmonia do tempo,

luzindo raios num bailado de amor.

 

Mordo as palavras que não saem da garganta,

escoam pelo tempo vazio do amor que se perdeu.

Num grito ao sentimento, a minha boca canta,

coração vadio, o meu, será sempre teu.

 

João Murty

👁️ 728

SONHOS DE POETA - II

Poema de sofrimento, um grito alado de dor

que ecoa no vazio, entre as margens do lamento.

Na conjuração das asas, para transpor abismos,

segura nas garras o símbolo do sentimento.

Fragrância latente no estigma da alma em flor,

verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos

dos pensamentos trajado no negro da desilusão.

Sem alento, as visões mastigadas, jazem caídas,

 varridas, para esse abismo profundo de solidão.


Epifania, doce ilusão que baila na mente amargurada

num querer que força o desejo, a esperança ardente.

Mas a sorte, profana, esvai-se aos poucos, dilacerada

no vórtice dos silêncios que ressoa pela madrugada,

 aos olhos dos gentios, é mortalha lírica á minha frente.

 

Poeta da poesia maldita deste e do outro mundo

de palavras desertas, perdidas na metáfora do verso.

Dia a dia, hora a hora, na dor que me corrói me afundo,

No casulo do amor pungente, no desejo diferente de ser

Interrogo-me se não serei um ente do outro mundo,

que no sonho ignoto, se esvai em lágrimas a correr.

  João Murty

👁️ 322

AMNÉSIA

Tu sabes e não falas, não dizes quem eu sou

Vagueio como um cão que não tem dono

Percorro o meu destino, sem saber para onde vou

Como uma folha que erra, no vento do Outono.

 

Sou um ente esquecido, uma amnésia da vida

Nesta alma errante, para quem nada importa

Apenas tenho silêncio, na memória esquecida

E a rua como morada. Uma parede nua, sem porta.

 

De tempo em tempos, vejo uma imagem nublada

De vertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado

E uns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.

 

Sou mais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado

Que paga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada

Castrando na escuridão a chama desse desejo insaciado.


João Murty

👁️ 685

FRAGMENTOS III

Escorre-me tinta das narinas e na boca,

cavalguei na ironia, explodi na certeza,

mastiguei fragmentos de poesia louca,

persegui os sonhos, reacendendo a chama,

fui uma árvore, com frutos de tristeza,

com folhas murchadas de chorar o que ama.

Retalhos da vida, a minha alma é água fria,

que vai correndo saída no leito da desilusão,

dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.

Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento

a sombra que arrasta uma auréola apagada,

queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.

.João Murty

👁️ 723

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments