Biografia
Lista de Poemas
Meu eu fixo, Shakespeare
O tempo, tirano, insiste em reacender e suga meu eu
e se outrora o dia trouxe esperanças brandas hoje seus raios fóton ferem como lâminas
As hora cai pesada como chumbo marcando o passo lento do sofrer em vão procuro alento entre as estrelas,
Pois cada luz que brilha em alto céu
Recorda-me o fulgor de um sonho antigo,
Já morto, mas que insiste em respirar.
Ó destino cruel, que brincas com os mortais,
Teu jogo esgota as forças desta alma;
Contudo sigo, mesmo ao chão dobrado,
Pois há honra em lutar, ainda em pranto.
E se a dor que trago é fera indomável,
Que ruge dentro em turva tempestade,
Também em mim reside um ímpeto secreto
Capaz de enfrentar a noite sem temer.
Por isso ergo a voz ao vasto firmamento,
Clamando: “Luz, retorna ao meu caminho!”
E mesmo que o eco morra no silêncio,
Persisto, firme, em cada passo dado.
Pois sabe o coração, mesmo ferido,
Que a aurora nasce após o mais denso breu;
E quem não teme o peso da tristeza
Recolhe a glória suave do renascer.
Assim prossigo, entre sombras e lampejos
Humano, frágil, mas eterno em esperança entra, envolto em capas escuras... e mascaras
Ó vós que respirais o ar dos mortais,
vede como o fio da vida se enreda
em teias que o próprio tempo não desfaz.
Pois onde nasce o amor, ali também cresce a desgraça.
Que bruma é esta que cerra o meu caminho?
O céu, outrora claro, hoje se abate
como um presságio vil sobre meu peito.
Luna… doce luz que me guiava
por que teus olhos tremem como estrelas prestes a morrer?
Meu bem, não temas; há tormentas que chegam
não por culpa, mas por destino dos céus.
Ouço nas sombras um chamado estranho,
como se a própria terra sussurrasse teu nome
com voz de despedida…
Avançando, aflito
Silencia tais augúrios, meu amor!
Se o mundo ruir, que ruamos juntos!
Pois mais vale o abismo contigo
do que o paraíso sem teu toque.
Se o amanhã falhar… lembra-te de mim
não como flor caída,
mas como chama que jamais temeu o vento.
Aproxima-se lentamente
Ninguém foge ao destino traçado nas estrelas.
Aquele que ama paga o preço do amor,
e aquele que teme perde antes mesmo da queda.
Se afasta, tomada por uma visão
Ouço passos… não são deste mundo!
Que venha o que vier!
Pois se a morte estende sua mão gélida,
erguerei minha alma contra ela
como o último soldado diante do exército do tempo.
Ó ventos cruéis, ó sombras que me cercam
Tomai tudo de mim menos a coragem
Pois enquanto um só fio de esperança viver neste coração,
nenhum destino será o meu
Assim caminha o homem que desafia o abismo com amor nas mãos e tragédia à espreita o segue...
Por Charlanes Oliveira Santos
Tentei imitá-lo o Shakespeare Poeta e dramaturgo rsrsrs
Memoria do tempo
Beba da memória do tempo do cálice da aurora e tenha as lembranças do amanhã antes os ventos vermelho venha e poderemos roubar olhares antes do céu incendiar...
Rostos ocultos no rubro da ventania nós seremos testemunhas da eterna harmonia daquele que permanece no giro imortal, nas rosas dos ventos, no enigma cardeal
Páginas esvoaçam os segredos nas linhas o mapa caixa de pandora escritos da direita para esquerda o roteiro se move como mar que sussurra, como pedra que prove.
O medalhão do oceano, coberto de musgo,
guarda tinta secreta no silêncio ali se abre a constelação de Orión,
no dourado caminho que ecoa o som
A estrada de tijolos de ouro pavimentam memória das estrelas cada passo é fragmento da grande história e máquinas ousam riscar o infinito céu tatuado
Passearemos entre cometas errantes e estrelas dançantes como faróis cintilantes na estenografia da noite, um destino se enlaça,
na caixa de Pandora, a esperança ainda passa entre o espelho e sua luz, o reflexo revela a costura do tempo em trama singela com uma candeia de chama discreta iluminam os humildes, sabedoria secreta...
Tudo retorna ao mesmo caminho da videira fruto que cresce, raiz verdadeira círculos do tempo em eterno rodar somam perdas antigas que sabem guiar.
Pois o futuro é bordado no véu do passado um alto grau santo, mistério velado onde o jogo se mostra em propósito e dor,
um tabuleiro oculto regido no amor.
E nós, caminhantes, que ousamos viver, testemunhas da aurora, do nascer e do ser, seguiremos a trilha que o sopro conduz, na memória do tempo do infinito á eternidade
Lua que matou o amor
A lua assassina do céu a minha caneta no cansaço surdo e mudo
como borboleta afogada no tinteiro
Talvez lancei uma seta venenosa em uma lua incompreensível que iluminava pelos cantos tentando encontrar me... em outro alguém
As velhas poeiras congrega na estante e nos livros caixas que guardam silêncios mente caranguejos voadores
Decepção onde os sonhos tropeçava com a sua realidade cursor encontram o seu vazio... dor e alma oca pelo ar e mesmo a nudez da madrugada preenche
Os ventos as nuvens de algodões de uma canção estes sons já começaram no bordão e o quarto se irisava de agonia da tarde em sombra assobia
Nós sonhares tentava ver á beleza de nos..., mas seu amor era infante, o seu manto de seda como rosas murchas num ramo formidável, aurora monótono e amarga
A dor ecos lentos e timbre de sinos tristes tarde de crepúsculo vermelho e roca o ferro bronze fiado dolente alaúde de um jogral que soluça distante
Noite de mancebo com escamas negras e fria ate o eco da trombeta sua voz enamorada
Embarco na noite no seu desmaio choro de tristeza a lua bordada sobre o mar e sentir a nostalgia de olhar os eternos jardins nas sombras
A paixão enroscam serpente entre os teus seios e exausto depois buscar os seus beijos que foram lançados aos ventos Buscar como pipa o teu amor desgraçado e toma-lo de novo
Inquietude do pássaro poeta
Se não me amas quando estou do avesso ame-me como os pássaros pálidos sem canto no galho da inquietude pousado suave como uma pluma dormindo com as suas asas rimadas de poesias no ninho
E se permaneço calado as vezes é porque ando tão somente
á procura de espaço, pois meus pés agora são rodas e os meus braços converteram em asas
E se volto sobre o meu passo saudoso de canção poema e desfaço o meu amor e, pois com fé fiz um lindo laço em forma de anzol que pesco lembranças e sonhos
As vezes guardam no peito o vestido de silêncio
A tantos baús que precisava abrir coração-baú esperava aniversariar, pois as primaveras as flores com todas as suas cores
Ninhos de pássaros e amores, natureza em Flor e dor
Voar num dente-de-leão para escapar planar sem cair no chão…
Encomendo á lua e escondido sol deixar para ver o rosto quando sol se por
Embrulhar a luz do horizonte naquele crepúsculo em todas as suas facetas carregar a doçura do ar nas gotículas do mar ou em dia que se forma para chover
Catalogar os meus silêncios em marés e marolas
Espera do tempo transbordar com amor colher os frutos da vida nada é eterno...
O tempo é o jardineiro que planta também ceifa mesmo os mais imperfeitos que exista
Enquanto formos nos fios do tear da existência
Que possamos regar os pensamentos…
Cordas e portas
Tento alcançar-te entre as linhas e as cordas do destino entre o véu e portas rabiscadas a estrada cheia de vetores que catapultas as possibilidades
A luz de cada cor quente ou fria... emaranhado de encontros e desencontros mesmo entre os fótons táquion carregada de elétrons as barreiras do livre-arbítrio mesmo sendo de escolhas erradas que vai gerar arrependimentos não consigo muda-las para ti, para nos
Amanhã escurece o dia tardio escala na tarde ate o anoitecer que arde... e neste circulo vicioso tempo á ruí
O norte da morte contramão de quem vivi o sul fundo cativa á cova sem querer der repente...
A história que os outros vão contar e que contem você
caminhada de passo em passo o espaço de intervalo e ser as cascas frágil, curtas e inútil do próprio tempo
O mistério do sem fim de um instante... que equilibra a lógica de estar a ilusão de achar que sempre estivemos aqui e que sempre estaremos eternamente... por isso quero fixar o meu eu em poesias
O sagrado e o profano
Deixa se o seu alquimista'mor entre o sagrado e o profano?
Traz outra vez as borboletas no meu estômago
Pois, sua partida foi tormenta e vendaval e coloquei dês de então á alma no varal
Poeta alquimista que não transforma a matéria em ouro mais as palavras em amor que e nos dias imperfeitos em valor eterno
Desloco-me de um universo de estrelas que pesa um talento elos de ouros e pedras preciosas de um espaço sem fim
E mesmo assim transcender a sua beleza e impossível inimaginável você é á essência do amor da liberdade prometida...
Tu és o ego feminino de uma flor
Você e o meu ar meu fôlego
Os meus medos são a sua ausência dragões em metamorfose, E os meus desejos seivas de fogo dentro de mim, cavalos alados que rugem quando você se aproxima e gemem de dor e agonia quando você se afasta...
Os seus beijos que gravito a sua pele odorífera medicina perfumada
Vem para um deleite longo e amoroso cheios de juras e esperanças eternas corpos casados e mentes inflamadas as suas caricias angelicais e corpo possuído em brasas
Eu anônimo
Escrevo nas ruas vielas e becos a minha poesia de poeta anônimo...
Debaixo da sacada de um botequim versos que deixei para amada já violada juntos com as serenatas das madrugadas...
As vezes frases feitas de um poema sujo que não tive coragem de criar embriagado com as palavras engarrafadas de um adeus
Dormir nos braços de alguém que me lembrava você prazeres laminado de uma alma venial
Escutei a noite chamar por mim e procurei as lembranças dela em vão e construí a ilusão mais forte que era você
neste ritmo luz da lua de mercúrio e amoníaco deste amor maníaco
Que esfola alma e retalha os olhos...
Na luz azul a nirvana mais límpida e forte lapida a ideia do canto da sereia beijo foice açucarada de águas cristalinas e escura na sua profundezas
A seringa que sonda veias vazias o plasma que goteja e o frio da falta do vermelho e o coração na inquietude vai se aquietar no sono para o despertar da mente adormecida
Sou poeta? Queima-se as palavras em brasas e sangram os punhais na garga nos ventos...
O tempo cospe cinzas de um amor que não volta e nas calçadas, os passos ecoam as fazer e nomes da lua esquecida?...
A lua e o seu perfume exalar num perfume de poesia
Embriago no cheiro nas frestas das estrelas estendida no manto da noite ouço canções que só existir senão em mim...
A poesia é o meu cárcere e a minha fuga das amarras que eu mesmo crio o meu vício, minha cura e minha maldição.
A aurora vier, que venha tardia e nos trópicos da tragédia silenciosa
do universo da alma crio e que escrevo com a tinta do abismo que deseja-me
Sabendo que nenhum poema trará de volta continuo cavaleiro errante na lucidez e tatuar nas paredes do tempo o teu nome invisível na esperança vã de que a noite, um dia leia a minha dor e devolva o teu olhar.
As espada negra
Espada Negra
Os meus versos tão longe como copas de espadas no Ás,
às turbas dormes e sem ti, vou, arquitetura de arcadas...
Noite enorme de sombra e do passado, a terra e os céus movendo vultos num espelho enlutado...
A astúcia do vácuo, a ação perdida, sopro sem ser o fim trevas viva, ainda erguida altivo e doce breu que oculta a sorte dá à alma um perfume exalando é à morte
Sobre o mistério da lei que oculta a luz e no véu do ser que à noite conduz vive a sombra no seu ofício mudo guardando o abismo e o além do tudo
O que vemos é só o reverso do ser reflexo de um tempo que não quis nascer sementes dormentes do antigo ser
Nada sabemos que oculta o véu igual à noite, igual ao céu Úrano noturno onde o sonho, em súbita vertigem faz-se lágrima na vertente origem
E se perder nos sonhares de vez em quando e uma pausa
Arte da morte flor da tua face há um riso indizível, mas nossa alma crê no alhures entre sombras e azuis puros, pois o corpo antigo transcende á alma em chamas no silêncio que tudo inflama mesmo na valsa dançante entre a sopra nos vermes, que os amantes são e lambe a lápide e no mármore frio ressoa o eco do meu estio
Alma que volta, enxague, a respirar poesia que insiste em não cessar derrotar a espada e a ilusão do sono fere o próprio abandono no raio ardente, o amor emanado, se você chegar antes do tempo
E quando a morte cansa os versos arfa da noite se cala e o poeta se farpa, pois é quem escreve, entre sombra ate o clarão do dia
Crava entre as trevas a sua própria ressurreição...
Maçã
A noite deslumbrante na beleza de deitar que é só sua
Os ecos e sussurros caminhando na aureola da noite que geme... Olhando você dormir nossos primeiros amanhecer.... e quando o campo começar a clarear aurora patina os ventos entre as nuvens surfando nas copas das arvores e balança arvoredos esperando o tempo ir pela montanhas
Andarei com os olhos atentos e fixos nos meus pensamentos sem ver o lado de fora da casa nem ouvir qualquer barulho lá de fora e anestesia com sua beleza de menina mulher... apreensivo no despertar admirando seu adormecer, querendo explorar seus segredos com um ramo de rosa e urze em flor você se mexe na cama em suspiro quando começa a canção piano e violão selo...
Meu coração se afoga ao som lento lânguido e longo sua pele clara
cabelo que ainda não defini a cor louro com pastes vermelha
Falta-me o fôlego quando olho para você...
As horas soam fundo e você não acordou café pronto e sanduicheis como você gosta presunto, lombo canadense e queijo cheddar
Meus pensamentos recuperam da noite passada prazeres intensos
Que você pequena cure me
Que o amor seja lindo enquanto dure esta eternidade e que nos do tempo fito espia á vida
E que nesta inquietude intensa de vazios que colecionamos dentro da'alma
E se busca constante que traga paz este silêncio...
E se as horas lentas acelera e que passam apressadas ate começa o dias bom de novo
Quero ver tempo esvaziar-se as lagrimas dos dias longos e de noites e madrugadas eternas
Que minha busca não seja vã pois dentro de mim há um mundo de imaginação e sonhos
Liturgia do Tempo e do Fogo
Outrora, nas arcadas do firmamento ignoto,
verteu-se o mosto do tempo em ânforas de sombra,
e o vento, em súbita vertigem, arrastou consigo
o fulgor mineral das constelações dispersas.
Submerso no âmago dos pomares órficos,
o sangue solar cintilava em crisólitas ardentes;
o estio, em paroxismo de febre antiga,
devorava as nervuras da macieira hipostática.
O céu, em sua liturgia sideral,
concedia apenas instantes de clarividência.
As raposas ululavam nos meandros glaciais,
sob a tessitura espectral dos seixos numinosos.
Eis que os cavalos ígneos, em relinchos de eternidade,
transpunham os umbrais da estrebaria verdejante,
abrindo veredas para os campos heterofônicos
onde a luz se fazia verbo primordial.
O tempo órfico e inflexível
circundava o espaço em espirais de ouro,
e nas órbitas inefáveis da manhã,
a melodia abscôndita dos astros
se desvelava em cântico inaugural.
E tudo, em combustão mística,
feneceu no instante de sua própria origem:
o feno em labaredas, a noite em ascensão,
e o sol, em último clarão,
reencarnou na vastidão do ser.
Outrora, a seiva do outono verteu-se
nas videiras esquecidas,
e as folhas, em fulgor crepuscular,
recobriram o chão com brasas mansas.
Na colina, um eco de sinos dissolvia-se
no vento errante,
e o sangue da terra pulsava como cântico em transe.
Nos antanhos dos círculos insondáveis,
quando o éter ainda palpitava
em silêncio de cristal,
o vinho arcano dos céus verteu-se
em cálices de sombra,
e o fogo oculto gravou seu selo
nos ossos do tempo.
Ergueram-se colunas de névoa hierática,
pórticos da noite em combustão seráfica,
onde os astros, como lâminas apotropaicas,
rasgavam o véu da matéria
em arabescos de ouro negro.
As águas primevas recitavam cifras abissais;
cada seixo guardava o oráculo dos abismos,
e no sopro gélido das raposas estelares
ressoava o cântico interdito das constelações.
Eis que os corcéis ígneos das estrelas,
em relinchos de magma e aurora,
atravessaram os umbrais do não-ser,
trazendo consigo a música cifrada
do nascimento da luz elementar.
O tempo, em órbitas cabalísticas,
traçava mandalas de fogo sobre o espaço;
e nas suas esferas melódicas,
a manhã se erguia como hieróglifo ardente
de uma verdade jamais pronunciada.
Tudo era rito, e tudo era enigma:
o feno em pira votiva,
a treva em clarão litúrgico,
o sol em êxtase abscôndito.
E quando a eternidade se voltou para si mesma,
no instante inefável do retorno,
a aurora coroou os mundos ocultos
com o selo indecifrável do ser.
Suspenso, o firmamento vertia clarões azuis
sobre os vales imemoriais;
as estrelas, como lâminas antigas,
fendiam o véu da noite.
O tempo pássaro invisível
permitia que eu tocasse o silêncio
e me erguia em claridade.
Nas margens do rio secreto,
corriam os cavalos de fogo,
ardentes, exalando orvalho em cada relincho sagrado;
e o dia nascia de suas crinas
como aurora primeira.
A luz inaugural rasgava os campos
e devolvia-lhes a eternidade.
Eis que o vento, em sua órbita translúcida,
trazia cânticos remotos de abismos e marés,
e tudo fluía em círculo perfeito
as nuvens, o feno flamejante, o astro cansado
até que o sol, desfazendo-se em ouro,
voltou a ser o silêncio do princípio.
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