As espada negra
Espada Negra
Os meus versos tão longe como copas de espadas no Ás,
às turbas dormes e sem ti, vou, arquitetura de arcadas...
Noite enorme de sombra e do passado, a terra e os céus movendo vultos num espelho enlutado...
A astúcia do vácuo, a ação perdida, sopro sem ser o fim trevas viva, ainda erguida altivo e doce breu que oculta a sorte dá à alma um perfume exalando é à morte
Sobre o mistério da lei que oculta a luz e no véu do ser que à noite conduz vive a sombra no seu ofício mudo guardando o abismo e o além do tudo
O que vemos é só o reverso do ser reflexo de um tempo que não quis nascer sementes dormentes do antigo ser
Nada sabemos que oculta o véu igual à noite, igual ao céu Úrano noturno onde o sonho, em súbita vertigem faz-se lágrima na vertente origem
E se perder nos sonhares de vez em quando e uma pausa
Arte da morte flor da tua face há um riso indizível, mas nossa alma crê no alhures entre sombras e azuis puros, pois o corpo antigo transcende á alma em chamas no silêncio que tudo inflama mesmo na valsa dançante entre a sopra nos vermes, que os amantes são e lambe a lápide e no mármore frio ressoa o eco do meu estio
Alma que volta, enxague, a respirar poesia que insiste em não cessar derrotar a espada e a ilusão do sono fere o próprio abandono no raio ardente, o amor emanado, se você chegar antes do tempo
E quando a morte cansa os versos arfa da noite se cala e o poeta se farpa, pois é quem escreve, entre sombra ate o clarão do dia
Crava entre as trevas a sua própria ressurreição...
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