Escritas

As espada negra

Charlanes Olivera Santos

Espada Negra

Os meus versos tão longe como copas de espadas no Ás,

às turbas dormes e sem ti, vou, arquitetura de arcadas...

Noite enorme de sombra e do passado, a terra e os céus movendo vultos num espelho enlutado...

A astúcia do vácuo, a ação perdida, sopro sem ser o fim trevas viva, ainda erguida altivo e doce breu que oculta a sorte dá à alma um perfume exalando é à morte

Sobre o mistério da lei que oculta a luz e no véu do ser que à noite conduz vive a sombra no seu ofício mudo guardando o abismo e o além do tudo

O que vemos é só o reverso do ser reflexo de um tempo que não quis nascer sementes dormentes do antigo ser

Nada sabemos que oculta o véu igual à noite, igual ao céu Úrano noturno onde o sonho, em súbita vertigem faz-se lágrima na vertente origem

E se perder nos sonhares de vez em quando e uma pausa

Arte da morte flor da tua face há um riso indizível, mas nossa alma crê no alhures entre sombras e azuis puros, pois o corpo antigo transcende á alma em chamas no silêncio que tudo inflama mesmo na valsa dançante entre a sopra nos vermes, que os amantes são e lambe a lápide e no mármore frio ressoa o eco do meu estio

Alma que volta, enxague, a respirar poesia que insiste em não cessar derrotar a espada e a ilusão do sono fere o próprio abandono no raio ardente, o amor emanado, se você chegar antes do tempo

E quando a morte cansa os versos arfa da noite se cala e o poeta se farpa, pois é quem escreve, entre sombra ate o clarão do dia

Crava entre as trevas a sua própria ressurreição...