Escritas

Meu eu fixo, Shakespeare

Charlanes Olivera Santos

O tempo, tirano, insiste em reacender e suga meu eu

e se outrora o dia trouxe esperanças brandas hoje seus raios fóton ferem como lâminas

As hora cai pesada como chumbo marcando o passo lento do sofrer em vão procuro alento entre as estrelas,

Pois cada luz que brilha em alto céu

Recorda-me o fulgor de um sonho antigo,

Já morto, mas que insiste em respirar.

Ó destino cruel, que brincas com os mortais,

Teu jogo esgota as forças desta alma;

Contudo sigo, mesmo ao chão dobrado,

Pois há honra em lutar, ainda em pranto.

E se a dor que trago é fera indomável,

Que ruge dentro em turva tempestade,

Também em mim reside um ímpeto secreto

Capaz de enfrentar a noite sem temer.

Por isso ergo a voz ao vasto firmamento,

Clamando: “Luz, retorna ao meu caminho!”

E mesmo que o eco morra no silêncio,

Persisto, firme, em cada passo dado.

Pois sabe o coração, mesmo ferido,

Que a aurora nasce após o mais denso breu;

E quem não teme o peso da tristeza

Recolhe a glória suave do renascer.

Assim prossigo, entre sombras e lampejos

Humano, frágil, mas eterno em esperança entra, envolto em capas escuras... e mascaras

Ó vós que respirais o ar dos mortais,

vede como o fio da vida se enreda

em teias que o próprio tempo não desfaz.

Pois onde nasce o amor, ali também cresce a desgraça.

Que bruma é esta que cerra o meu caminho?

O céu, outrora claro, hoje se abate

como um presságio vil sobre meu peito.

Luna… doce luz que me guiava

por que teus olhos tremem como estrelas prestes a morrer?

Meu bem, não temas; há tormentas que chegam

não por culpa, mas por destino dos céus.

Ouço nas sombras um chamado estranho,

como se a própria terra sussurrasse teu nome

com voz de despedida…

Avançando, aflito

Silencia tais augúrios, meu amor!

Se o mundo ruir, que ruamos juntos!

Pois mais vale o abismo contigo

do que o paraíso sem teu toque.

Se o amanhã falhar… lembra-te de mim

não como flor caída,

mas como chama que jamais temeu o vento.

Aproxima-se lentamente

Ninguém foge ao destino traçado nas estrelas.

Aquele que ama paga o preço do amor,

e aquele que teme perde antes mesmo da queda.

Se afasta, tomada por uma visão

Ouço passos… não são deste mundo!

Que venha o que vier!

Pois se a morte estende sua mão gélida,

erguerei minha alma contra ela

como o último soldado diante do exército do tempo.

Ó ventos cruéis, ó sombras que me cercam

Tomai tudo de mim menos a coragem

Pois enquanto um só fio de esperança viver neste coração,

nenhum destino será o meu

Assim caminha o homem que desafia o abismo com amor nas mãos e tragédia à espreita o segue...

Por Charlanes Oliveira Santos

Tentei imitá-lo o Shakespeare Poeta e dramaturgo rsrsrs