Escritas

Eu anônimo

Charlanes Olivera Santos

Escrevo nas ruas vielas e becos a minha poesia de poeta anônimo...

Debaixo da sacada de um botequim versos que deixei para amada já violada juntos com as serenatas das madrugadas...

As vezes frases feitas de um poema sujo que não tive coragem de criar embriagado com as palavras engarrafadas de um adeus

Dormir nos braços de alguém que me lembrava você prazeres laminado de uma alma venial

Escutei a noite chamar por mim e procurei as lembranças dela em vão e construí a ilusão mais forte que era você

neste ritmo luz da lua de mercúrio e amoníaco deste amor maníaco

Que esfola alma e retalha os olhos...

Na luz azul a nirvana mais límpida e forte lapida a ideia do canto da sereia beijo foice açucarada de águas cristalinas e escura na sua profundezas

A seringa que sonda veias vazias o plasma que goteja e o frio da falta do vermelho e o coração na inquietude vai se aquietar no sono para o despertar da mente adormecida

Sou poeta? Queima-se as palavras em brasas e sangram os punhais na garga nos ventos...

O tempo cospe cinzas de um amor que não volta e nas calçadas, os passos ecoam as fazer e nomes da lua esquecida?...

A lua e o seu perfume exalar num perfume de poesia

Embriago no cheiro nas frestas das estrelas estendida no manto da noite ouço canções que só existir senão em mim...

A poesia é o meu cárcere e a minha fuga das amarras que eu mesmo crio o meu vício, minha cura e minha maldição.

A aurora vier, que venha tardia e nos trópicos da tragédia silenciosa

do universo da alma crio e que escrevo com a tinta do abismo que deseja-me

Sabendo que nenhum poema trará de volta continuo cavaleiro errante na lucidez e tatuar nas paredes do tempo o teu nome invisível na esperança vã de que a noite, um dia leia a minha dor e devolva o teu olhar.