Escritas

Lista de Poemas

AMOR QUE NUNCA VI

Sonhos de amor de quem amou

Neste poema que te dou………

 

Marcados nos cumes de aéreos precipícios

Onde o sol reluz nas auréolas dos anjos

Refúgios de suavidade outrora assíduos

De fadas, musas e arcanjos.

 

Colhidas pelo vento e desbotadas pelos tempos

As frases de sons e ecos enfraquecidos

Rodopiam nos cumes brancos e amarelecidos

Falam de saudades, ilusões, lamentos

Amores, alegrias e maus momentos.

 

Escuto um poema perdido no vento

Filho incógnito que não é de ninguém.

Palavras inspiradas, escritas no relento

Por gente nómada, sem destino e que nada tem.

 

Nascidas entre silvas e árvores frondosas

Onde os gnomos e duendes se escondam

Colho as palavras no trinar dos cucos e flosas

Que em curtos voos se sondam.

Falam da sedução da floresta inquieta

Dos arbustos, cogumelos e de flores

Da sina deste triste poeta

Enfeitiçado pelo perfume dos amores.

 

De olhos verdes me seduziste

Com esse olhar sereno e penetrante

Teus seios, desnudados nesse instante

Emanam o aroma embriagado das flores

Despertam em mim, mil desejos de sabores

Parados pelo teu porte altivo de Deusa severa

Onde o amor ri e canta a primavera.

 

Sorri Deusa ao verde da floresta e desperta

Desfruta porque marchas para parte incerta

Meu pensamento em ti, hoje ainda floresce

Sonhando um sonho que ainda ninguém sonhou

Só sei que em mim ainda este amor cresce

Um bem que não gozei, mas por mim passou.

 

Sonhos de amor de quem amou

Neste poema que te dou………


João Murty

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ILUSÃO - I

Poemas ILUSÃO (I e II) - Dedicado a Catarina M. Antunes

No meu pensamento, flui a inspiração reencontro a tua alma e com ela viajo nas asas dos teus sentimentos, traçando de forma poética, como se fosses tu 

a escrever,  a desilusão vivida, sentida do teu grande amor.


Amei sim….

Como te amei,

espero os teus braços,

muma espera sem fim

Por ti clamei,

vencida pelo cansaço,

revejo o passado,

choro por ti…

 

Amei sim….

Neste sufoco grito por ti,

rasgada de amor

sem espaço para mim,

largada e louca,

ebria de dor,

num gesto reflexo

prendi o teu sorriso na minha boca…

 

Amei sim…

Vincaste-me as rugas,

marcaste-me os traços

Por lágrimas sem espaço

de olhar circunspecto,

numa espera sem fim,

volúpia de afeto,

espero por ti

Do tempo que chorei,

roubaste-me os gestos,

o calor dos abraços

fiquei mais pobre, mas por ti, fiquei…

João Murty

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ILUSÃO-II

Poemas ILUSÃO (I e II) - Dedicado a Catarina M. Antunes

No meu pensamento, flui a inspiração reencontro a tua alma e com ela viajo nas asas  dos teus sentimentos,  traçando de forma poética, como se fosses tu 

a escrever,  a desilusão vivida, sentida do teu grande amor.


Amei sim….

Amando sem ser amada.

Memórias de um gesto perdido,

trajado na ilusão e na mágoa,

decanta o prenúncio abandonada.

Ecoa no silêncio murmurante

lavo o perjúrio de amante,

nos olhos rasos de água.

Prendo a dor ao teu nome

querendo alimentar o sonho,

viver o passado distante,

saciando em ti esta fome,

quimera de um sonho alucinante

 

Amei sim….

Nesta paixão tresloucada,

tu és tudo eu sou nada,

de tanto esperar e sofrer,

prendo a ânsia de viver.

No silêncio espero por ti,

atada no vazio da espera,

entre nós, gastos cruéis e nefastos,

por tantos nomes que assumi,

amante por amor cativa,

no tempo frio, sem primavera,

maldita desta paixão altiva

 

Amei sim….

Rasgo o tempo, rasgo o véu,

calaram-se de memórias,

mos meus olhos de pedra.

Minhas mãos. procuram no meu ser.

forma alada na prece que pedi,

Se eu pudesse ter asas, as que o amor me deu!

Se eu pudesse voar para aí!

e chegar sem saber.

Perdia as minhas asas e caía do infinito,

fechava-me num grito, ficava dentro de ti

morreria contigo, no caminho para o céu.

João Murty

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MÁGOAS - I

 P odes sair, fugir, correr,

mas não te podes esconder,

por entre a minha sombra,

sempre difusa

Rasgas o tempo onde te guardas,

nos silêncios do teu querer,

fazes pequenas construções no meu afeto,

prendes nos meus, os teus olhos de musa

 

Por entre a aleivosia do momento,

posso fingir, que não quero ver,

injurias, cânticos, lamurias, feitiços de lua,

onde no rio do além, danças nua

Tenho na mão fechada, palavras

lançadas numa hora sem tempo.

Tenho a pele ferrada, por símbolos e juras que fizeste,

marcas de falácias e agruras no sentimento

 

Tenho o meu olhar, fixo nos teus olhos negros,

belos e inquietos de ansiedade,

profundos, unisses num olhar permanente

acorrentado ao meu coração,

por tanto querer um sim,

e eles dizerem que não

 

Podes sair, fugir, correr,

mas não te podes esconder

Na aparência que brincas e jogas,

no acaso, sem saber

envolta na interrogação tenebrosa

Se amanhã a manhã vier,

rompendo o dia sem que eu sinta

que a mereça.....

Então que o sol brilhe

e tudo me aconteça

 

Neste coração ardente,

em fogueira acesa,

de chama bruxuleante viva,

a crepitar.....


Procurando os teus olhos,

sem os encontrar

Incandescentes de angústia,

na chama da incerteza.

 

E esses teus olhos negros

ainda choram,

por entre dúvidas etéreas

desta paixão

Se um dia esses olhos

disserem sim....

Nunca mais por mim,

dizem que não.


João Murty

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DEMAGOGIA

Neste mundo de caos, de que vale rezar, pedir, implorar

Se as mentes são duras e os corações empedernidos

Destes líderes sem sentimentos, precoces no enganar.

Tudo promete. Sórdidos, sem ideias mas convencidos.

Promessas, feitas de palavras de fé e esperança

Proferidas num querer que nos toma e arrebata

Amenizam a tempestade, prevalecendo a bonança

Onde vegetando se vive, num sofrimento que s e arrasta.

 

Promessas, somente palavras saídas de boca em boca.

Repetidas por gente oca, atiradas e caídas por diante.

Palavras levadas e trazidas no vento bailam na mente louca

Hipócritas e disfarçadas zunem num silêncio asfixiante.

Palavras sem gramática, discursadas velozmente sem pausas

Nascidas e criadas na utopia, lançadas sem tino, sem substancia.

Palavras de outrora, filhas do vazio de num destino sem causas

Veem agora escamotear a verdade, bebendo na ignorância.

 

Palavras que escuto, que me roem o peito e me consomem

Ressuscitadas na demagogia, na desgraça e na perdição

Chafurdam o sofrimento, enaltecendo a dor dos que não comem

Indiferentes, sem cor, são como o fel, amargas frias e sem coração

Palavras sem sentimento filhas do escuro, perdidas no tempo

Zunindo como moscas nos excrementos da desilusão

Pairam no ar, lançando a semente nos ventos da utopia

Falácias de gentios, filhos do erro torpe e pais da demagogia.

 

Um dia talvez o sol fogueie as entranhas do tempo endeusado

Castrando as amarras de um prenúncio ignóbil e amortalhado

E o céu se rasgue rompendo a justiça, marcando nova vontade

Selando de negro as palavras em caixões de cedro, jasmim e jade

Numa aura que aquece o ar frio destes tempos vestidos de luto

Nascido nas asas de um prenúncio estranho e devoluto

Pena a pena irão caindo, queimada na tumba branca da verdade

João Murty
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INTERPRETAÇÃO

Nesse quadro de Dali, de cores vivas e ilusões

De flores sobre tumbas e de figuras de enredo

Num surrealismo perfeito marcado por distorções

Flutuam corpos e braços, que abraçam o segredo.

 

Na água turva da intuição, tu vês o que ele via

Lábios rubros brilhantes, olhares castos de ternura

Por entre os gestos do mundo, tu sentes o que ele sentia

Amargura e desejo, de um amor, que não perdura.

 

Nessa pintura tão forte, feita de abraços e cansaços

Esvoaçando em passos dobles, em boleros e bailados

Em instrumentos fluidos, de orquestras de mil braços

Vêm-se notas de piano, que se desprendem em trinados

 

Nessa pintura distorcida de pinceladas sem sentido

Tu vês o que ele via, tu sentes o que ele sentia.

Enredos, suspiros, temores de um amor proibido

Segredos e anseios, uma alma em dor, que se esvazia.

 

Num cenário esbatido por pinceladas de desilusão

Numa aura esbranquiçada, que ilumina a noite escura

Um coração sangrando, destroçado de frustração

Na sombra de uma mulher, jovem, bela e imatura

João Murty
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REMORSO

Remorso filho da culpa que no tempo perdura

Vives lado a lado no silêncio soberbo da minha dor

Gerado no passado tão presente que me tortura

Nesta vida tão sentida, descontente e sem sabor.

 

Em horas passadas profundas caladas e lentas

De rezas e preces erguidas em relicários de cipreste

De quem precisa do perdão e vive na tormenta

De quem clama e já não ouve o que me disseste.

 

De ombros caídos vergado por este peso que já não posso

Escrevo este poema arcaico, de inquietude na noite amena

De versos que brilham molhado nas lágrimas do remorso

De alma triste sem inspiração segregados por avara pena.

 

Escritos cantados em dor por entre o rouco soluçar da harmónica

Nesta culpa que me angustia a alma e me fustiga a cada passo

Remorsos perfilados persistentes num som de voz afónica

Sem espaço penetram e envolvem a mente num abraço.

 

De braços erguidos na minha cruz grito a Deus e ao universo

Até que a garganta fique fria e ceda a este mal que não espanto

Correndo nesta humilde e triste voz a estrofe deste verso

Nesta balada de remorso a quem aos meus mortos canto .

João Murty

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INTERROGAÇÃO

Tu que já foste astrónomo e alquimista

Tu que voas nas quatro faces do vento e percorres o firmamento

Tu que tens a chama do saber e movo-te a curiosidade de cientista.

Tu que procuras nos astros, uma nova ordem, um novo chamamento.

 

Tu que pretendes ser levado pelos grandes ventos da pura aspiração

Tu que queres ver uma Boa Nova e fundires-te nela cintilante

Tu que leis as constelações e queres saber a sua composição

Tu que olhas o universo não decifrado, como uma sombra só e delirante.

 

Sondei-te e sei de onde vens e o que queres saber

Podes ser do planeta da mais infinita pureza e esplendor

Mas nunca questiones a ordem da magnificência do Criador.

 

Tu vens da Terra, planeta ancião do universo, que está prestes a morrer

Moribundo, contaminado pela aura do pecado que se eleva persistente

Em névoa cinzenta ténue e esvaecida, que vos mata, lentamente.


João Murty

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POEMA ADORMECIDO

Poeta tímido, que te escondes no silêncio cinzento do teu poema

Castrando a inspiração na brandura da tinta dormente do teu verso

Eu moro onde habita a tua dor, nessa estrada que percorre a tua pena

Bebo a água fria do teu lago, onde a inspiração, ascende ao universo.

 

Poeta sem língua, filho de um poema esquecido

Fustigas o remorso no castigo de uma vida sofrida a sós

Transportas a angústia no choro da tua aura de poeta adormecido

Queres que seja branda essa dor, então, faz da pena a tua voz.

 

Não te deixes amordaçar no riso humano de estéril substância

Onde o materialismo perdura e se cultiva a ganância

No teu peito aberto, brota a chama e o calor desse poema ardente.

 

E se tudo vale a pena, então vou seguir os atalhos da tua alma

Sentir a magia do poema adormecido, que desperta nesta manhã calma

Iluminado neste sol cálido, que te aquece esta vida tão só e penitente


João Murty

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REBELDE

Não me castres as ilusões, deixa-me sonhar longe das amarras desse amor

Solto desse ensejo e ardor, que me marca e me amachuca em profundos traços

Deixa-me cantar ao vento, libertando em soluços esta minha dor

Até que o sol entre na minha alma e se funda no calor de outros braços.

 

Não me imponhas obrigações, deixa-me ser livre e amar como eu sei

De uma forma pura e selvagem, límpida e translúcida como a água

De um rio, que corre e desagua no amor desse oceano que já naveguei

De marés vivas, de ondas doces, sem o sal de lágrimas, sem o fel da mágoa.

 

Deixa-me voar no meu verso, sonhando nas letras dos poemas em que viajo

Em cada escala em cada passo, vejo-me enterrado no medo das tuas mágoas

Atira a angústia ao vazio do mar, e se a dor tiver cor, será de negro o seu trajo.

 

Como ondas rebeldes que se espraiam enroladas no seu movimento

O meu amor desaguou no teu martírio, solto à deriva, levado nas águas

Desse fingimento, feito de ardores onde se esconde o sentimento .


João Murty

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