Escritas

DEMAGOGIA

José João Murtinheira Branco

Neste mundo de caos, de que vale rezar, pedir, implorar

Se as mentes são duras e os corações empedernidos

Destes líderes sem sentimentos, precoces no enganar.

Tudo promete. Sórdidos, sem ideias mas convencidos.

Promessas, feitas de palavras de fé e esperança

Proferidas num querer que nos toma e arrebata

Amenizam a tempestade, prevalecendo a bonança

Onde vegetando se vive, num sofrimento que s e arrasta.

 

Promessas, somentepalavras saídas de boca em boca.

Repetidas por genteoca, atiradas e caídas por diante.

Palavras levadas etrazidas no vento bailam na mente louca

Hipócritas edisfarçadas zunem num silêncio asfixiante.

Palavras sem gramática,discursadas velozmente sem pausas

Nascidas e criadas nautopia, lançadas sem tino, sem substancia.

Palavras de outrora,filhas do vazio de num destino sem causas

Veem agora escamotear averdade, bebendo na ignorância.

 

Palavras que escuto,que me roem o peito e me consomem

Ressuscitadas nademagogia, na desgraça e na perdição

Chafurdam o sofrimento,enaltecendo a dor dos que não comem

Indiferentes, sem cor,são como o fel, amargas frias e sem coração

Palavras sem sentimentofilhas do escuro, perdidas no tempo

Zunindo como moscas nosexcrementos da desilusão

Pairam no ar, lançandoa semente nos ventos da utopia

Falácias de gentios, filhosdo erro torpe e pais da demagogia.

 

Um dia talvez o solfogueie as entranhas do tempo endeusado

Castrando as amarras deum prenúncio ignóbil e amortalhado

E o céu se rasguerompendo a justiça, marcando nova vontade

Selando de negro aspalavras em caixões de cedro, jasmim e jade

Numa aura que aquece oar frio destes tempos vestidos de luto

Nascido nas asas de um prenúncioestranho e devoluto

Pena apena irão caindo, queimada na tumba branca da verdade

João Murty
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