Escritas

MÁGOAS - I

José João Murtinheira Branco

 P odes sair, fugir,correr,

mas não te podesesconder,

por entre a minhasombra,

sempre difusa

Rasgas o tempo onde teguardas,

nos silêncios do teuquerer,

fazes pequenasconstruções no meu afeto,

prendes nos meus, osteus olhos de musa

 

Por entre a aleivosiado momento,

posso fingir, que nãoquero ver,

injurias, cânticos,lamurias, feitiços de lua,

onde no rio do além, danças nua

Tenho na mão fechada, palavras

lançadas numa hora semtempo.

Tenho a pele ferrada, porsímbolos e juras que fizeste,

marcas de falácias eagruras no sentimento

 

Tenho o meu olhar, fixonos teus olhos negros,

belos e inquietos deansiedade,

profundos, unisses numolhar permanente

acorrentado ao meucoração,

por tanto querer um sim,

e eles dizerem que não

 

Podes sair, fugir,correr,

mas não te podesesconder

Na aparência quebrincas e jogas,

no acaso, sem saber

envolta na interrogaçãotenebrosa

Se amanhã a manhã vier,

rompendo o dia sem queeu sinta

que a mereça.....

Então que o sol brilhe

e tudo me aconteça

 

Neste coração ardente,

em fogueira acesa,

de chama bruxuleanteviva,

a crepitar.....


Procurando os teusolhos,

sem os encontrar

Incandescentes deangústia,

na chama da incerteza.

 

E esses teus olhosnegros

ainda choram,

por entre dúvidasetéreas

desta paixão

Se um dia esses olhos

disserem sim....

Nunca mais por mim,

dizem que não.


João Murty

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