Lista de Poemas
MULHER MORENA
Mulher pequena,
tranquila
De traço moreno vincado
Olhares de ferro que
abri
Água dura derretida
Consciência entendida
Certeza de estar aqui
Olhar de memória parado
Olhar vidrado partido
Lábio de fogo acobreado
De gosto saboreado
Amargo, doce que senti.
Mulher grácil, morena
O amor não tem segredo
Amar vale sempre a pena
Ama-te a ti sem medo
Sem gestos perdidos
Sem frio e sem mágoa
Eu guardo e tenho na
mão
A corrente do teu coração
Quando para ti dizeres
Eu quero a vida solta
E se assim o entenderes
Eu dou-to de volta
João Murty
ALQUIMIA DO TEMPO
Selando de mármore os ouvidos de quem ama
João Murty
MATRIARCA
Nesse teu porte altivo
e sério, de carácter e vontade
Trazes na aura a
justiça de alma nobre e guerreira
Onde o presente é
futuro e o passado foi bandeira
Das vozes filhas da
dor, que choraram por igualdade.
Nesse coração
solidário, que chora por ver chorar
O teu sal é semente dos
frutos gerados na magia
Do pensamento verdadeiro
de quem ama e quer amar
De quem sente e sacia
a sede, na fonte da sabedoria.
Se a vida são vivências
de sucessivas experiências
Que de forma
repetitiva, sucedem sem cessar
As rugas desse teu
rosto são sulcos dessa vivência
Que na pele suportou
dores, de quem teve de lutar.
Matriarca, senhora de
ontem, mãe, esposa, tia, avó, e amiga.
Nesse coração puro e
vigilante, podes ser o que bem quiseres
De cetro justo e
cintilante, senhora de hoje, em vida antiga
Bendito seja o que
fizeres, louvado seja o que disseres.
Nesta sede de viver,
talvez eu me posso perder
Nas noites escuras e
profanas de encruzilhadas sem via
Feitas de ventos e
tormentos que cegam, e não deixam ver
O farol da verdade, que
tremula de enganos no pavio da utopia.
Se essa for a vontade,
grita por mim, mostra-me o meu norte
Mantém acesa a chama da
harmonia, aponta o rumo que devo tomar
Nessa luz de tom branco
onde mora o chamamento, talvez eu tenha sorte
E ouça o sentimento que
perdura para além da morte e me faça voltar.
João Murty
MÁGOAS – II
Podes sair, fugir, correr
Mas não te podes esconder
Pintei o teu amor com
Labaredas de fogo
Enlaçando no meu peito,
As cores do teu querer
Escondido nos gestos
Desse sedutor jogo
Tapei esse teu corpo com,
As minhas mãos vazias
Procurando esse sonho,
Que te acalma e descansa
Nas águas alcalinas, que Deus te deu,
Misturei tinta de amor ardente,
Neste querer que não te alcança
Dardejando, palpitante perto
Sem queixume
É um desejar que não sabe
Que existe, ou como nasceu
É cair nos teus olhos negros,
Embriagado no teu perfume
É sentir o pulsar do teu corpo,
E beijar essa boca rosa de lume
Podes sair, fugir, correr,
Mas não te podes esconder
Onde habita o sonho e flui o sentimento
Encontram-se as amarras do teu querer,
Porque se eu te perder!
Quem é que abraça com força o meu
corpo,
E entrelaça a minha mão,
Fundindo-se por entre acordos de um bolero.
Na penumbra do meu leito?
Quem é que me afaga, e alimenta a ilusão!
Quem é que me beija, e morde o peito?
Sem ti o sol morre de frio, e o mar se veste de luto
Matando este amor estranho, e devoluto,
Nascido em asas brancas, que tu me deste
Pena a pena vai caindo, pela mágoa que me fizeste
João Murty
REENCARNAÇÃO
Percorro as linhas da
vida, em contagem decrescente
Como um foguete lançado
na vastidão do universo
Vivo nesta escuridão,
carregado de culpa só e penitente
Morro e ressuscito,
como uma força fluida no tema deste verso.
Raspando as entranhas
do tempo, com a culpa que me domina
Num tempo sem horas,
onde o pó da memória não pára de correr
Suave em mágica
espiral, vaie-se amontoando em forma de colina
Esculpindo no destino,
o percurso que me cumpre percorrer.
Neste vale das almas,
em que o passado é presente na lembrança
Findo o tempo do peso
do meu karma, minha alma liberta o medo
O anjo - guia canta e
clama às almas, desabrochando a mudança.
Num parto prematuro,
num corpo de menino, reencarna mais cedo.
João Murty
FLOR DE QUERUBIM
No teu Jardim de querubim
onde nasce o bem da existência
e a eternidade se funde na ausência
flutuam auréolas de prata e cetim.
Nesse jardim da ilusão
uma estátua de marfim,
Há sonho, magia, canto e prosa
um segredo indecifrável,
de uma diva e uma rosa.
lendas intangíveis, mas tão sensíveis
gladiam o inóspito e o áspero
juntando fragmentos miscíveis
que fervem na
palma da mão
histórias lindas, mesmo que findas
pra sempre ficarão.
No teu Jardim de querubim
habita a lenda da flor que chora,
lágrimas de um triste fim,
gerado por um amor prematuro,
sucumbi-o à desilusão e foi embora,
não à bem que sempre dure
nem mal que não salte fora,
foi o corpo da bela diva, a solidão e o
momento
um segredo corrompido, na paixão e amor
uma traição, um gemido, um lamento
o triste chorar sentido,
no canteiro da rosa em flor
comunga da sua dor nas pétalas caídas ao
vento
na quietude do silencio, no chão jaz o odor
o orgulho ferido, o despeito revolvido
e marcas no sentimento.
João Murty
FRAGMENTOS II
UTOPIA I
Mascara de olhos verdes de sorriso
rasgado e denso
Resplandecente como ouro
de alquimia em fusão
Mascara de aroma,
magia inebriante como o incenso
Incandescente,
penetra no meu sonho de ilusão.
Com quanto ardor,
este sonho de reclusão me enleou
Em noites de chamas bruxuleantes,
neve branca misteriosa
Por onde andais?
Busco-te no silêncio do êxtase
que me embebedou
Procuro no recôndito da mente,
aroma fértil da noite voluptuosa
Dos recantos escuros,
esbate-se visões diluídas por bruxedo
Doces noites de desvelo!
Riso de uma mascara sinuosa
Vida, encanto, viagem no segredo,
traços nublado da tua imagem virtuosa.
João Murty
TENPOS DE INQUISIÇÃO
Cruzadas, Templários,
Cavaleiros de Malta, Inquisição
Loucos foram os tempos
e duros foram os anos
Ordens de fé costumes
profanos que adulteram a religião
Em atos de crueldade de
quem pode e causa danos.
Sagas da desgraça, que
se mata por fé, por raça e por pavor
Por ordens cruéis,
dadas por qualquer senhor da corte dos infernos
O ar queimado por
gritos dos mártires, roucos de dor
Perfilam-se na agrura
dos lares desfeitos por ódios paternos.
Instrumentos de
tortura, grilhões partidos, foles ardidos
Em sinais de espera,
dos cães de guerra dos mundos perdidos
No tempo das sombras,
de rezas de bruxas, de padres e algozes
De nobres da corte, por
vontade sua, travam na rua duelos ferozes
O tempo de caos,
sacrificado e dolorido, amarga no desgosto
Em caras marcadas
esgaces de horror, estampado no rosto
Peste nauseabunda em
corpos frenéticos de transpiração
Das chagas da lepra,
dos sorrisos imundos da decomposição
Fogueiras de corpos,
gemendo gritando, para morrerem de pé
Caídos e erguidos, são
queimados vivos, pelos falsos da fé.
Tempos que pariste
homens perversos, loucos sem compaixão
Vingando na maldade e
matando em nome da Santa Inquisição
E, no final, nem
vencedores nem vencidos, nem honra nem glória
Apenas uma nódoa no
passado, que marcou uma era da nossa história
Nascida no fanatismo da
religião, que envergonhou o nome de Deus
Sinais dos tempos, que
se encontrem reluzentes em alguns museus.
João Murty
MANHÃ DE AMORES
As estrelas virgens vão partindo
Piscando os olhos num ar matreiro
Para a manhã que vem chegando
Sonolenta e molhada de nevoeiro
Manhã envergonhada que no azul cinzento
Se perde num ócio de amanhecer
As estrelas já partiram no firmamento
E o sol estende os braços para nascer
Lavada pela luz benigna e triunfante
Sorri para o céu com amor
Saúda esse astro dominante
Que a visita com calor
As horas vão passando soalheiras
Pelos bosques e cumes arraigados
E a Manhã, vai-se furtando de mil maneiras
Às ordens dos deuses arreliados
Manhã jovem, de ar matreiro e angelical
Não vês que a luz da tarde já tremulava
É tempo, de outros tempos, afinal
E a Tarde na penumbra, cochichava.
Viver junto de ti justos amores
Ao sol que desponta nova aurora
Receber dos deuses mil favores
Beijar teus lábios sem demora.
E partir, só ao fim do entardecer
Desprender-me num desejo de ficar
Ver Vénus no princípio do anoitecer
E amar-te, como a Tarde sabe amar
João Murty
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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