REMORSO
Remorsofilho da culpa que no tempo perdura
Viveslado a lado no silêncio soberbo da minha dor
Geradono passado tão presente que me tortura
Nestavida tão sentida, descontente e sem sabor.
Emhoras passadas profundas caladas e lentas
Derezas e preces erguidas em relicários de cipreste
Dequem precisa do perdão e vive na tormenta
Dequem clama e já não ouve o que me disseste.
Deombros caídos vergado por este peso que já não posso
Escrevoeste poema arcaico, de inquietude na noite amena
Deversos que brilham molhado nas lágrimas do remorso
Dealma triste sem inspiração segregados por avara pena.
Escritoscantados em dor por entre o rouco soluçar da harmónica
Nestaculpa que me angustia a alma e me fustiga a cada passo
Remorsosperfilados persistentes num som de voz afónica
Semespaço penetram e envolvem a mente num abraço.
Debraços erguidos na minha cruz grito a Deus e ao universo
Atéque a garganta fique fria e ceda a este mal que não espanto
Correndonesta humilde e triste voz a estrofe deste verso
Nestabalada de remorso a quem aos meus mortos canto .
João Murty
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