Escritas

REMORSO

José João Murtinheira Branco

Remorsofilho da culpa que no tempo perdura

Viveslado a lado no silêncio soberbo da minha dor

Geradono passado tão presente que me tortura

Nestavida tão sentida, descontente e sem sabor.

 

Emhoras passadas profundas caladas e lentas

Derezas e preces erguidas em relicários de cipreste

Dequem precisa do perdão e vive na tormenta

Dequem clama e já não ouve o que me disseste.

 

Deombros caídos vergado por este peso que já não posso

Escrevoeste poema arcaico, de inquietude na noite amena

Deversos que brilham molhado nas lágrimas do remorso

Dealma triste sem inspiração segregados por avara pena.

 

Escritoscantados em dor por entre o rouco soluçar da harmónica

Nestaculpa que me angustia a alma e me fustiga a cada passo

Remorsosperfilados persistentes num som de voz afónica

Semespaço penetram e envolvem a mente num abraço.

 

Debraços erguidos na minha cruz grito a Deus e ao universo

Atéque a garganta fique fria e ceda a este mal que não espanto

Correndonesta humilde e triste voz a estrofe deste verso

Nestabalada de remorso a quem aos meus mortos canto .

João Murty

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