Lista de Poemas
JARDIM DE QUERUBIM
No teu jardim de querubim,
Auréolas de seda pairam no ar
Sussurrantes, tremem banhadas de luz
Ritmados, na batuta do delfim
Asas de anjos tremulam no esvoaçar
Palpitantes nos seus corpos nus
Sorriam por entre as flores do jardim
Ressoa notas cristalinas do clarim
Onde nasce o bem da existência
E a eternidade se funde na ausência
Presa na imaginação que coloris
A Via-Látea abre uma porta
Com as cores do arco-íris
No teu jardim de querubim
Venho do fundo remoto do tempo
A Esperança não sucumbe, ela não cansa
Não tenho tempo a perder
Bate nela a minha crença
No tempo sem horas no tempo sem fim
Abalam sonhos nas asas da descrença
Criam-se sonhos nas asas da esperança
Por penas aladas de querubim
Só queria ser um arcanjo
Sentir um amor exclusivo
Condensado nas normas celestiais
Flutuar no pecado abrasivo
E chorar por todos os demais
Sorrir quando o sol perder a luz
Sentir a sombra do corpo de anjo
Nas asas que transporte a minha cruz.
João Murty
NOITE DE ESPIRITOS I
Foi a noite mais louca
de todas as noites
Invoquei, chamei, e tu chegaste……….
Num vórtice de luz, brincando, escondendo
ondulando na escuridão, em vagas de desejo
sombras fugazes, longas esbranquiçadas,
lábios alvos sequiosos bebem na imaginação
dois vultos catalépticos, presos num beijo
correria etérea, num espaço sombrio em negra
magia
rumores, suspiros cadenciados reabrem a
ilusão
um estrebuchar bruxuleante, de prazer maldito
condensando o tempo, até ao romper do dia
nas asas do querer, voei alcançado o
proibido.
Foi a noite mais triste de todas as noites
Eu pedi, insisti, mas tu não ficaste……….
João Murty
PAIXÃO DEVOLUTA
LIBERDADE SEM IRA
Por muito culpado que
me julgues, não me flageles com palavras
O meu corpo sangra, e a
minha alma foi engolida pelo esquecimento
Não, não quero mais
sangue, nem mitos nem histórias, nem lavras
Pintado por um padrão
de horrores, sem piedade nem sentimento.
Também não grites para
essa gente, filhos de um passado presente
Surdos, não querem
ouvir, nem saber as razões de quem sentira
O erro de não querer
ser igual a tantos outros. Querer ser diferente
Esquecer o passado de
dor. E crescer sem ódio, sem mágoa, sem ira.
Se cada um cumpre o
destino que lhe cumpre, deixa-me ser como sou
Deixa-me então cumprir
o meu, livre das amarras deste meu passado
Cantando e chorando por
ser livre, podendo escolher por onde vou
Sendo certo, que o
caminho mais perto, nem sempre é o do pecado.
Não, não me prendas as
ilusões, deixa-me seguir a intuição
Deixa-me sonhar,
cantar, talvez as vozes solidárias se unem
E despertem as
inspirações seladas de negro, castradas na razão
Presas por gente vil,
de índole maligna, em ações que se punem.
Como o vento que é
vida, quero cantar liberdade. Liberdade sem ira
Em poemas, odes,
estrofes percorridas nas vozes desses trovadores
Que juntam os versos
dos poetas mortos, que abominaram a mentira
Abençoados pela sua luz
de martírio, perdoaram o tempo de horrores.
João Murty
VELAS DE MAR QUENTE
Trago comigo o
silêncio, comigo mora o passado
Nubladas de angústia no
pensamento, cerrado Impérvio anunciado!
Um místico sofrer
fadado de censura, só em penitência permanente
Lembranças fugazes
parcas de ternura mitigam as esperanças que persistem
No mar de razões mal-amadas,
corroído por tempestades que ainda existem
No espaço sideral deste
tormento, vivo a nudez das palavras assombradas
Véu tenebroso que
perpétua na história alada de metáforas amordaçadas
Por ruelas escondidas,
cenários sombrios de portas cerradas, becos e arcadas
Fragmentos de memórias,
dos teus olhos em sentimento
Lágrimas caídas,
estarrecidas no chão da noite escura
Por entre pedras e
ruínas, rolam vencidas ao sabor do vento
Momento inteiro, instante
único no adeus da desventura
Volteio no leito
estreito onde me deito, melancólico triste e fatigado
Medito na imagem
retida, das lágrimas dos teus olhos
Adormeço num sono
profundo, que se agita perfumado
Salto no imaginário, pulando
numa orbe de estrelas e de astros
De velas ao vento
navego solitário, por entre a caligem da saudade
Minha alma presa em
flor fia a dor na ponta alta desses mastros
Emérito de júbilo
coração de amor, na voz que por ti chama e por ti luta
Por intrínseca vontade
de outro valor, num frémito vibrante de ansiedade
Encontra a inocência
absoluta do instante, dessa tua dor que em mim perscruta
Emérito de júbilo
coração de amor, na voz que por ti chama e por ti luta
Por intrínseca vontade
de outro valor, num frémito vibrante de ansiedade
Encontra a inocência
absoluta do instante, dessa tua dor que em mim perscruta
João Murty
GUARDIÕES DO TEMPO
Tu és o
guardião do tempo, cobres ao meu lado esses gritos
De estandarte
ao vento, lanças a ponte entre nós e a tormenta
No teu relógio
sem horas profanas a mágica alquimia dos ritos
Soam como um
lamento expirado, ronronando na tarde pardacenta.
A minha nave
estática intranquila
Vagueia no
mar do inverno ao desabrigo
Em águas
revoltas permanece ao perigo do inimigo
Num
crepúsculo sem luz assalta o entardecer
A noite se
esmaga na terra, chegando aos meus ouvidos
Aquele eco
frio e tenaz que massacra os sentidos
Num redopio
alguém sem saber
Na sua sorte
beijou a hora da morte.
A eterna mente,
ainda encerra o eco frio e o sabor da terra
Que se cruza
nesta vida descontente, esvaída por uma quimera
E o seu
pranto cioso do silêncio em lagrimas de chuva se esvanece
Por entre
muros de olhares submersos
Florindo
arbustos de bagas rubras e violetas
Um prado de
odor intenso ser e matéria, razão e senso
Astrolábio
de estrelas incandescentes na noite de Primavera
Guardam o
silêncio do tempo onde os dias se afastam dispersos.
Somos filhos
do tempo, guardiões do silêncio
Do teu, do
meu, de muitos a quem nada importa
Coabitamos
com as dores, que volteiam o véu da inercia
Trespassando
de forma calada profunda e lenta
E os teus
medos acorrentados nos elos de cor cinzenta
São anéis da
nossa ponte tecida em corda
João Murty
MARÉS DE SAL
Chegaste suave e leve como
a brisa do ar
Desenhaste sem aviso
crianças na minha mão
E minha alma louca por
te encontrar
Pousou lentamente no
teu coração
Nesse coração de jardim
florido
Pegaste numa flor sem
pressa e a tua vida pousou para me amar
Doce e lentamente na
minha alma cheia de mar
Em revoadas soltas por
leves asas brancas
Por entre dunas
crescidas, feitas por ventos do norte
Em palavras floridas,
por juras de promessas santas
Por búzios lançados em
laços de amor de pulseiras da sorte
Por pisadas frescas marcadas
há beira – água
Por feridas sem dor e
por dor sem mágoa
Agora bate lentamente
esse coração enfraquecido
O dissídio angelical dissolverá
numa harmonia diva
A angústia na hora
pensativa no olhar tristonho e envelhecido
Sem ti sinto-me velho
na vida ou novo sem alegria
E esse teu ventre está
oco de filhos que não vêm mais,
Tenho o frio do teu Inverno,
numa herança de letargia
De letras surdas e
trémulas, sufoco no inferno de escrita rouca
Sinto que as minhas
mãos vão perder o cheiro do tempo de serem por ti tocadas
E os meus lábios vão
sofrer por selar o teu sorriso na minha boca
Tens ainda aqui o
coração deslumbrado,
À espera das mil coisas
que tens para dar
E um desejo infinito de
tocar o passado,
Amar, viver, morder no
tempo, gritar um não
Exaltas a revolta no
eco impotente desse grito décuplo,
Que se esbate no tempo
empíreo que te dão.
Um doce esquecimento,
um salgado gosto no chorar
Nada importa neste
percurso amargurado,
Tu és o rio doce, que
corre no meu mar
João Murty
NOITE DE ESPIRITOS II
Onde estás? Por céu, por mar e terra de procuro
porque me abandonaste e me enches de solidão
só apenas me resta as tuas histórias de
perjuro
e o bruar do eco da voz, que ecoa na
imensidão
uma voz doida, que chora, que grita, que
clama
rouca
e fraca, por chamar por quem ama.
Paira na noite, sombras da mentira ou a
verdade?
o eco devolve o som do vazio que me afasta
corroído na dor de uma alma doente que passou
vagueiam os
beijos de volúpia e maldade
flagelando o silêncio que me domina e me mata
No vácuo eterno em vão te busco sem te achar,
Introspetivo, também me procuro…sem me
encontrar
João Murty
ANATOMIA DO POEMA
Silabas magoadas, embriagadas,
á solta no berço da ilusão
vogam livres, amaldiçoadas
Encurralado num beco escuro
ingero, frases sem sentido,
dúbio fragmento e desilusão,
mastigo letras que não procuro,
arde-me o sangue, esforço ignoto,
sou poço de febre, um lobo de fogo,
perseguido como um mártir devoto.
Como se tratasse de um jogo,
cospem, palavras seladas na
obrigação,
em escrita boçal, sem sentimento.
Por onde andas musa?
é da poesia , que eu me alimento!
Vem… vem, chega de mansinho,
anatomia do poema, musa da poesia
moras na alma, carrego-te nos
meus ombros
então porque não vens? O amor é
magia!
ternura , emoções, loucura, olhos
de quem ama
vem, caminha na dor, entre ruinas
e escombros.
desgrenhada, nua e fria, feres o
espirito sem chama
Musa inspiradora, és meu prémio e
meu castigo.
Eu não morri! Vivo na alma do
poema! Vivo contigo
João Murty
PAIXÃO
Nesta fúria de paixão
tresloucada
Embalada na solidão de
amores imperfeitos
Ganhei a volúpia do
nada.
Carrego em passos
apressados, esses momentos de paixão
Nada vê, nada importa,
não distingue cores nem defeitos
Neste amor de amante,
de fúria, e de desejo
Em pressão recôndita,
sem ternura, sem condição
Apenas, um sorriso
fugaz num improviso de um beijo
E, as rápidas carícias,
nos instantes volúveis da sedução.
Nada fica, nada resta,
apenas o eco profundo da censura
Num silêncio lascivo,
que crepita no volteio das imagens
Na mente, uma luz
bruxuleante, ilumina a zona mais escura
Em danças de espíritos
que gemem nas noites selvagens
Ao ritmo desta paixão
indefinida, fogosa e imatura
Gerada no pensamento
que vagueia em mil viagens.
Ganhei a volúpia do
nada e nela embalo o berço
Desta paixão
tresloucada filha de amores imperfeitos
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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