Escritas

ANATOMIA DO POEMA

José João Murtinheira Branco

Silabas magoadas, embriagadas,

á solta no berço da ilusão

vogam  livres, amaldiçoadas

Encurralado num beco escuro

ingero, frases sem sentido,

dúbio fragmento e desilusão,

mastigo letras que não procuro,

arde-me o sangue, esforço ignoto,

 sou poço de febre, um lobo de fogo,

perseguido como um  mártir devoto.

Como se tratasse de um jogo,

cospem, palavras seladas naobrigação,

em escrita boçal, sem sentimento.

Por onde andas musa?

é da poesia , que eu me alimento!

 

Vem… vem, chega de mansinho,

anatomia do poema, musa da poesia

moras na alma, carrego-te nosmeus ombros

então porque não vens? O amor émagia!

ternura , emoções, loucura, olhosde quem ama

vem, caminha na dor, entre ruinase escombros.

desgrenhada, nua e fria, feres oespirito sem chama

 

Musa inspiradora, és meu prémio emeu castigo.

Eu não morri! Vivo na alma dopoema! Vivo contigo


João Murty

 

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