ANATOMIA DO POEMA
Silabas magoadas, embriagadas,
á solta no berço da ilusão
vogam livres, amaldiçoadas
Encurralado num beco escuro
ingero, frases sem sentido,
dúbio fragmento e desilusão,
mastigo letras que não procuro,
arde-me o sangue, esforço ignoto,
sou poço de febre, um lobo de fogo,
perseguido como um mártir devoto.
Como se tratasse de um jogo,
cospem, palavras seladas naobrigação,
em escrita boçal, sem sentimento.
Por onde andas musa?
é da poesia , que eu me alimento!
Vem… vem, chega de mansinho,
anatomia do poema, musa da poesia
moras na alma, carrego-te nosmeus ombros
então porque não vens? O amor émagia!
ternura , emoções, loucura, olhosde quem ama
vem, caminha na dor, entre ruinase escombros.
desgrenhada, nua e fria, feres oespirito sem chama
Musa inspiradora, és meu prémio emeu castigo.
Eu não morri! Vivo na alma dopoema! Vivo contigo
João Murty
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