JARDIM DE QUERUBIM
No teu jardim de querubim,
Auréolas de seda pairam no ar
Sussurrantes, tremem banhadas de luz
Ritmados, na batuta do delfim
Asas de anjos tremulam no esvoaçar
Palpitantes nos seus corpos nus
Sorriam por entre as flores do jardim
Ressoa notas cristalinas do clarim
Onde nasce o bem da existência
E a eternidade se funde na ausência
Presa na imaginação que coloris
A Via-Látea abre uma porta
Com as cores do arco-íris
No teu jardim de querubim
Venho do fundo remoto do tempo
A Esperança não sucumbe, ela não cansa
Não tenho tempo a perder
Bate nela a minha crença
No tempo sem horas no tempo sem fim
Abalam sonhos nas asas da descrença
Criam-se sonhos nas asas da esperança
Por penas aladas de querubim
Só queria ser um arcanjo
Sentir um amor exclusivo
Condensado nas normas celestiais
Flutuar no pecado abrasivo
E chorar por todos os demais
Sorrir quando o sol perder a luz
Sentir a sombra do corpo de anjo
Nas asas que transporte a minha cruz.
João Murty
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