Escritas

MARÉS DE SAL

José João Murtinheira Branco

Chegaste suave e leve comoa brisa do ar

Desenhaste sem avisocrianças na minha mão

 

E minha alma louca porte encontrar

Pousou lentamente noteu coração

 

Nesse coração de jardimflorido

Pegaste numa flor sempressa e a tua vida pousou para me amar

Doce e lentamente naminha alma cheia de mar

 

Em revoadas soltas porleves asas brancas

Por entre dunascrescidas, feitas por ventos do norte

Em palavras floridas,por juras de promessas santas

 

Por búzios lançados emlaços de amor de pulseiras da sorte          

Por pisadas frescas marcadashá beira – água

Por feridas sem dor epor dor sem mágoa

 

Agora bate lentamenteesse coração enfraquecido

O dissídio angelical dissolveránuma harmonia diva

A angústia na horapensativa no olhar tristonho e envelhecido

 

Sem ti sinto-me velhona vida ou novo sem alegria

E esse teu ventre estáoco de filhos que não vêm mais,

Tenho o frio do teu Inverno,numa herança de letargia

 

De letras surdas etrémulas, sufoco no inferno de escrita rouca

Sinto que as minhasmãos vão perder o cheiro do tempo de serem por ti tocadas

E os meus lábios vãosofrer por selar o teu sorriso na minha boca

 

Tens ainda aqui ocoração deslumbrado,

À espera das mil coisasque tens para dar

E um desejo infinito detocar o passado,

 

Amar, viver, morder notempo, gritar um não

Exaltas a revolta noeco impotente desse grito décuplo,

Que se esbate no tempoempíreo que te dão.

 

Um doce esquecimento,um salgado gosto no chorar

Nada importa nestepercurso amargurado,

Tu és o rio doce, quecorre no meu mar

 João Murty

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