MARÉS DE SAL
Chegaste suave e leve comoa brisa do ar
Desenhaste sem avisocrianças na minha mão
E minha alma louca porte encontrar
Pousou lentamente noteu coração
Nesse coração de jardimflorido
Pegaste numa flor sempressa e a tua vida pousou para me amar
Doce e lentamente naminha alma cheia de mar
Em revoadas soltas porleves asas brancas
Por entre dunascrescidas, feitas por ventos do norte
Em palavras floridas,por juras de promessas santas
Por búzios lançados emlaços de amor de pulseiras da sorte
Por pisadas frescas marcadashá beira – água
Por feridas sem dor epor dor sem mágoa
Agora bate lentamenteesse coração enfraquecido
O dissídio angelical dissolveránuma harmonia diva
A angústia na horapensativa no olhar tristonho e envelhecido
Sem ti sinto-me velhona vida ou novo sem alegria
E esse teu ventre estáoco de filhos que não vêm mais,
Tenho o frio do teu Inverno,numa herança de letargia
De letras surdas etrémulas, sufoco no inferno de escrita rouca
Sinto que as minhasmãos vão perder o cheiro do tempo de serem por ti tocadas
E os meus lábios vãosofrer por selar o teu sorriso na minha boca
Tens ainda aqui ocoração deslumbrado,
À espera das mil coisasque tens para dar
E um desejo infinito detocar o passado,
Amar, viver, morder notempo, gritar um não
Exaltas a revolta noeco impotente desse grito décuplo,
Que se esbate no tempoempíreo que te dão.
Um doce esquecimento,um salgado gosto no chorar
Nada importa nestepercurso amargurado,
Tu és o rio doce, quecorre no meu mar
João Murty
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