Escritas

LIBERDADE SEM IRA

José João Murtinheira Branco

Por muito culpado queme julgues, não me flageles com palavras

O meu corpo sangra, e aminha alma foi engolida pelo esquecimento

Não, não quero maissangue, nem mitos nem histórias, nem lavras

Pintado por um padrãode horrores, sem piedade nem sentimento.

 

Também não grites paraessa gente, filhos de um passado presente

Surdos, não queremouvir, nem saber as razões de quem sentira

O erro de não quererser igual a tantos outros. Querer ser diferente

Esquecer o passado dedor. E crescer sem ódio, sem mágoa, sem ira.

 

Se cada um cumpre odestino que lhe cumpre, deixa-me ser como sou

Deixa-me então cumpriro meu, livre das amarras deste meu passado

Cantando e chorando porser livre, podendo escolher por onde vou

Sendo certo, que ocaminho mais perto, nem sempre é o do pecado.

 

Não, não me prendas asilusões, deixa-me seguir a intuição

Deixa-me sonhar,cantar, talvez as vozes solidárias se unem

E despertem asinspirações seladas de negro, castradas na razão

Presas por gente vil,de índole maligna, em ações que se punem.

 

Como o vento que évida, quero cantar liberdade. Liberdade sem ira

Em poemas, odes,estrofes percorridas nas vozes desses trovadores

Que juntam os versosdos poetas mortos, que abominaram a mentira

Abençoados pela sua luzde martírio, perdoaram o tempo de horrores.


João Murty

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