LIBERDADE SEM IRA
Por muito culpado queme julgues, não me flageles com palavras
O meu corpo sangra, e aminha alma foi engolida pelo esquecimento
Não, não quero maissangue, nem mitos nem histórias, nem lavras
Pintado por um padrãode horrores, sem piedade nem sentimento.
Também não grites paraessa gente, filhos de um passado presente
Surdos, não queremouvir, nem saber as razões de quem sentira
O erro de não quererser igual a tantos outros. Querer ser diferente
Esquecer o passado dedor. E crescer sem ódio, sem mágoa, sem ira.
Se cada um cumpre odestino que lhe cumpre, deixa-me ser como sou
Deixa-me então cumpriro meu, livre das amarras deste meu passado
Cantando e chorando porser livre, podendo escolher por onde vou
Sendo certo, que ocaminho mais perto, nem sempre é o do pecado.
Não, não me prendas asilusões, deixa-me seguir a intuição
Deixa-me sonhar,cantar, talvez as vozes solidárias se unem
E despertem asinspirações seladas de negro, castradas na razão
Presas por gente vil,de índole maligna, em ações que se punem.
Como o vento que évida, quero cantar liberdade. Liberdade sem ira
Em poemas, odes,estrofes percorridas nas vozes desses trovadores
Que juntam os versosdos poetas mortos, que abominaram a mentira
Abençoados pela sua luzde martírio, perdoaram o tempo de horrores.
João Murty
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