VELAS DE MAR QUENTE
Trago comigo osilêncio, comigo mora o passado
Nubladas de angústia nopensamento, cerrado Impérvio anunciado!
Um místico sofrerfadado de censura, só em penitência permanente
Lembranças fugazesparcas de ternura mitigam as esperanças que persistem
No mar de razões mal-amadas,corroído por tempestades que ainda existem
No espaço sideral destetormento, vivo a nudez das palavras assombradas
Véu tenebroso queperpétua na história alada de metáforas amordaçadas
Por ruelas escondidas,cenários sombrios de portas cerradas, becos e arcadas
Fragmentos de memórias,dos teus olhos em sentimento
Lágrimas caídas,estarrecidas no chão da noite escura
Por entre pedras eruínas, rolam vencidas ao sabor do vento
Momento inteiro, instanteúnico no adeus da desventura
Volteio no leitoestreito onde me deito, melancólico triste e fatigado
Medito na imagemretida, das lágrimas dos teus olhos
Adormeço num sonoprofundo, que se agita perfumado
Salto no imaginário, pulandonuma orbe de estrelas e de astros
De velas ao ventonavego solitário, por entre a caligem da saudade
Minha alma presa emflor fia a dor na ponta alta desses mastros
Emérito de júbilocoração de amor, na voz que por ti chama e por ti luta
Por intrínseca vontadede outro valor, num frémito vibrante de ansiedade
Encontra a inocênciaabsoluta do instante, dessa tua dor que em mim perscruta
Emérito de júbilocoração de amor, na voz que por ti chama e por ti luta
Por intrínseca vontadede outro valor, num frémito vibrante de ansiedade
Encontra a inocênciaabsoluta do instante, dessa tua dor que em mim perscruta
João Murty
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