Escritas

DUETO - POEMA ADORMECIDO

José João Murtinheira Branco

DUETO - POEMA ADORMECIDO - João Murty/Joana Aguilar

 

Poeta tímido, que te escondes no silênciocinzento do teu poema

Castrando a inspiração na brandura da tintadormente do teu verso

Eu moro onde habita a tua dor, nessa estradaque percorre a tua pena

Bebo a água fria do teu lago, onde ainspiração, ascende ao universo.

 

Poeta sem língua, filho de um poema esquecido

Fustigas o remorso no castigo de uma vidasofrida a sós

Transportas a angústia no choro da tua aurade poeta adormecido

Queres que seja branda essa dor, então, fazda pena a tua voz.

 

Não te deixes amordaçar no riso humano deestéril substância

Onde o materialismo perdura e se cultiva aganância

No teu peito aberto, brota a chama e o calordesse poema ardente.

 

E se tudo vale a pena, então vou seguir osatalhos da tua alma

Sentir a magia do poema adormecido, quedesperta nesta manhã calma

Iluminado neste sol cálido, que te aqueceesta vida tão só e penitente 


João Murty

 

Poeta do silêncio, filho de um poemainspirado em amor ardente

A tua pena, percorre a estrada em escuraintimidade

Com as linhas da dor que se entrelaçam emvolta da verdade

Esvazias a inspiração no lago de água fria,tão só e penitente.

 

Poeta tímido, o meu amor desaguou no teu martírio

Nessa dor que te perscruta e inflamando ouniverso

Trespassa a morte, vivendo a ressurreição doverso

Em letras sagradas que ao céu ascendem, emdelírio.

 

Liberta-te, sente a magia do dia nas cores puras do encanto

Declama honra e vida, nestes inglórios tempos malfadados

No teu peitobrota, perfume ira e lume, que renova o canto.

 

Queima a tuaangústia nas brasas da razão esquartejada

Num grito de almaque sangra por todos os poetas amordaçados

Acorda o poema incandescente, em letras decinza imaculada .


Joana Aguilar


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