DUETO - AMNÉSIA
DUETO - AMNÉSIA - João Murty/Fernanda Mesquita
Tu sabes e nãofalas, não dizes quem eu sou
Vagueio como um cão que não tem dono
Percorro o meu destino, sem saber para onde vou
Como uma folha que erra, no vento do outono.
Sou um enteesquecido, uma amnésia da vida
Nesta alma errante, para quem nada importa
Apenas tenho silêncio, na memória esquecida
E a rua como morada. Uma parede nua, sem porta.
De tempo emtempos, vejo uma imagem nublada
De vertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado
E uns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.
Sou mais um, aquem o assombro entrou na alma em pecado
Que paga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada
Castrando na escuridão a chama desse desejo insaciado.
João Murty
Não evites certoslugares da tua memória...
Talvez elestransformem essa amnésia em fumaça
E permitam fluirlembranças onde a tua história
É muito mais doque essa mágoa que agora te despedaça.
O mundo não quersaber de tristeza!
Quanto maisquererá desgraças e pouco mais...
Existe um fulgorintenso na sua natureza
Em fazer-te cinzaadorada entre os mortais.
È uma forma de seenaltecerem mostrando dó;
Improvisam frases,lamúrias por seres quase pó
Chorandofalsamente sobre a tua face, quão falsos são!
Não queiras sermais um nesta terra estéril,
Onde em vida já teoferecem fúnebres flores...
Expõe a amnésia domundo mas rejeita a sua compaixão!
Fernanda R. Mesquita
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