Escritas

DUETO - EU SOU ÀGUA QUE ME MANTÉM SEM VIDA

José João Murtinheira Branco

DUETO - Carlos Bradshaw Alves / João Murty

Talha-me nesta vida que me espreita 

Solta o laço da minha fome 

Onde claros turvos se deitam 

Ergue-me nestas rochas perdidas

Perco-me a procura doutras vidas 

Afaga-me nestas correntes encolhidas 

A vida é um seguimento ou casualidade 

Causas medonhas ameaços de saudade 

Sou a brisa do monte 

Vontades que morrem de triste fé na minha fonte 

Quero adormecer

Não quero pensar no que possa acontecer 

O vento domina o meu pensar

Me envolto nesse chão frio... Quero sonhar 

Arde essa brisa sem fogo e sem chama

A minha morte no seu cântico dormente reclama 


 CarlosBradshaw Alves

 

Agua viva, nascida pura,

Nas rochas perdidas dos montes,

Corres num rasgo de formosura,

Gorjeando, abraças outras fontes,

Galgando correntes encolhidas,

Despontando a força da existência

Na procura de outras vidas,

Respira a alma a inocência.

 

A lua segue seu destino,

O vento perde-se no tempo,

Por desertos sem fim,

A noite canta o seu hino,

Abafando o teu lamento.

Sofre, mas serve o caminho

Vence a sombra que te invade

Se a hora é de torpe tempestade.

 

Onde está o êxtase que teembebedou?

Renega a morte no seu cânticojucundo!

No vácuo eterno se calarádisperso,

Exorciza-a no aroma fértil davida que te criou?

Nessa brisa sem chama, num fogomoribundo,

Jazerá castrada, num últimosuspiro ao Universo.

 

João Murty

 

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