Escritas

DUETO: MENDIGO DA ALMA

José João Murtinheira Branco

DUETO - MENDIGO DA ALMA - João Murty/Fernanda Mesquita

 

Velho de olhar triste, pobre e vagabundo

Tens por companheira a miséria dominante

Viajante de alma e mendigo neste mundo

Que em delírio beijas o pó, murmurante.

 

Onde os dias e as noites passam sem terpressa

Onde nada é diferente e tudo te parece igual

Até o dormir, no canto escuro de qualquertravessa

No chão de pedra, enganas o frio num leito dejornal.

 

Mora próximo a demência, que cultiva essefadário

Nessa alma adormecida, em que a sorte é amorte

Que num ato de amor, termina esse Calvário.

 

Poemas escritos de luto, marcados por almassem amor

Inspirados na desgraça, foram buscar a poesiaao teu sangue

De trajos negros te veneram, declamando umverso à tua dor.

 

João Murty

 

De que me servem versos escritos à minhador...

São um inferno na minha alma, murmúrios ofensivos

Que irrompem em mim a sensação de serinferior

Neste mundo indiferente, pleno de silêncioscorrosivos.

 

Como declarar independência de ideais tãopouco nobres

Que desprezam a verdade e a tornam escrava deuma moral,

Que envenenam o corpo da estrutura humana etornam pobres

Os direitos do homem comum, tornando-o tãodesigual.

 

  O Homem fez do mundo uma caixa quadrada...

Mas não terá a Terra uma forma arredondada,

Sem cantos moldados por uma apatia que oempobreceu?

 

O murmúrio sonso desses cânticos falsos são

Para amestrar o Homem-simples numa falsailusão

E assim pague, obediente, para viver na terraonde nasceu!

 

Fernanda R. Mesquita

 

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