Escritas

UTOPIA II

José João Murtinheira Branco

Mais uma vez, busco-te e choro,

 por tepoder achar

Por onde andais?

Bruta realidade tão dura e nua

No silêncio, em redor

ouço a noite no céu a estalar

Cedo a vida ao destino e ao tempo,

entrego a morte

Porque choro eu?

Se este sonho é meu. Utopia crua!

Um sonho de visões dilacerantes,

estranho sem norte

Acalento em meu delírio ardente,

que a tua imagem o destrua.

 

Deixai que a quietude do silêncio

invade a minha alma

Sou um ser, voltado ao seu interior,

 naprocura do que perdeu

Percorro introspetivo

na penumbra que me acalma

Trago na mente a utopia

de uma espera que me enlouqueceu

E a noite alberga pálida a Lua,

como um fantasma que se refugia 

De raios incertos,

a pratear na solidão da natureza morta 

Um rasto luzente flutua,

por trás dos ermos túmulos, um dia 

Quem me dera morrer risonho,

ao encontrar-te à tua porta

Fitando a nublosa do sonho

num delíquio de ventura louca

Na bruma, vai-se minha alma

toda nos teus beijos

Morto na utopia,

ri-se o meu coração na tua boca!

 

João Murty

 

288 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.