Lista de Poemas
Fora das sombra
Não há perfeição
ou medo de errar,
é tão natural
quanto o palpitar,
áustero e amargo,
do discriminar
entre velhos medos
e novas coragens.
Abrace ou rejeite,
virá e virá,
sem tempo que vire,
sem ter sabiá
que encante o minuto
e o faça parar
sob as asas fracas
de uma clemência.
Na batida franca
da inexatidão,
procuro escapar
e ver suas mãos
orquestrando as minhas,
como meros vultos
no vasto salão
de pó imantado;
polos desiguais
de imperfeição.
ou medo de errar,
é tão natural
quanto o palpitar,
áustero e amargo,
do discriminar
entre velhos medos
e novas coragens.
Abrace ou rejeite,
virá e virá,
sem tempo que vire,
sem ter sabiá
que encante o minuto
e o faça parar
sob as asas fracas
de uma clemência.
Na batida franca
da inexatidão,
procuro escapar
e ver suas mãos
orquestrando as minhas,
como meros vultos
no vasto salão
de pó imantado;
polos desiguais
de imperfeição.
👁️ 11
Carnaval pela janela
O calor embevece
a fileira de ébrios
transbordando no sol,
brasileiros legítimos
puxando a alegria
sem variar no anzol.
Dedicados ao corpo,
ao trigo deglutido
sob lábios alcoólicos,
Como iconoclastas
destruindo o exercício
do cogitar simbólico.
Tornar-se desejado
tornou-se objetivo
da multidão letárgica.
Deixar-se abandonado,
sem pensar no sentido,
é mister do indivíduo
que negociou sua alma
pela autêntica sensação
de se estar completado,
sem medo do carrasco
mergulhando a razão
na certeza da morte.
Um medo tão quente.
Quente a ponto de pular
do canto do peito
e, enfim, repousar
onde o calor embevece
a fileira de ébrios
que caminham, sujeitos
ao mesmo sol.
a fileira de ébrios
transbordando no sol,
brasileiros legítimos
puxando a alegria
sem variar no anzol.
Dedicados ao corpo,
ao trigo deglutido
sob lábios alcoólicos,
Como iconoclastas
destruindo o exercício
do cogitar simbólico.
Tornar-se desejado
tornou-se objetivo
da multidão letárgica.
Deixar-se abandonado,
sem pensar no sentido,
é mister do indivíduo
que negociou sua alma
pela autêntica sensação
de se estar completado,
sem medo do carrasco
mergulhando a razão
na certeza da morte.
Um medo tão quente.
Quente a ponto de pular
do canto do peito
e, enfim, repousar
onde o calor embevece
a fileira de ébrios
que caminham, sujeitos
ao mesmo sol.
👁️ 12
Um dia comum
Minhas preocupações ingênuas
avultam-se em aves pequenas,
revoam os velhos dilemas
e partem para a liberdade
sem saber onde encontrá-la.
Sobrevoam toda a cidade
em uma nuvem bela e cética,
em uma proposta asséptica
de eliminar qualquer vaidade
e extinguir a espécie humana.
Mas cada pássaro do bando
desmancha-se ao vento indolente,
traz nas penas o desencanto
de quem reprime a obliquidade
por verdades já poentes.
Como é triste a ingenuidade,
o irromper de linhas francas
em pontos ainda comedidos,
preocupar-se com o possível
quando o real nos desaponta.
Mesmo assim, as aves restantes
percorrem o céu lavrado
e encontram, estupefatas,
o alvorecer da liberdade
em um dia comum, cinzento.
avultam-se em aves pequenas,
revoam os velhos dilemas
e partem para a liberdade
sem saber onde encontrá-la.
Sobrevoam toda a cidade
em uma nuvem bela e cética,
em uma proposta asséptica
de eliminar qualquer vaidade
e extinguir a espécie humana.
Mas cada pássaro do bando
desmancha-se ao vento indolente,
traz nas penas o desencanto
de quem reprime a obliquidade
por verdades já poentes.
Como é triste a ingenuidade,
o irromper de linhas francas
em pontos ainda comedidos,
preocupar-se com o possível
quando o real nos desaponta.
Mesmo assim, as aves restantes
percorrem o céu lavrado
e encontram, estupefatas,
o alvorecer da liberdade
em um dia comum, cinzento.
👁️ 69
Nascer da semana
A barriga aumenta
na mesma proporção
que as barreiras,
teimosas e nevoentas,
ainda que intransponíveis.
Um eterno ensaio
de mentiras espinhentas,
de alopecia androgênica,
vertigem, desmaio
e insumo para crises.
Lábios cerrados
sob a serra volumosa
de imagens várias,
rancor populado
pela falta de amor próprio.
Com certa perícia
o ânimo logo entalha
uma ruga de desgosto,
mas não a vitalícia
que é insígnia do tempo.
Aos poucos, torna-se uma
a ideia hipocondríaca
de faltar, aqui dentro,
aquela pluma
com a qual se assina
o próprio contentamento.
na mesma proporção
que as barreiras,
teimosas e nevoentas,
ainda que intransponíveis.
Um eterno ensaio
de mentiras espinhentas,
de alopecia androgênica,
vertigem, desmaio
e insumo para crises.
Lábios cerrados
sob a serra volumosa
de imagens várias,
rancor populado
pela falta de amor próprio.
Com certa perícia
o ânimo logo entalha
uma ruga de desgosto,
mas não a vitalícia
que é insígnia do tempo.
Aos poucos, torna-se uma
a ideia hipocondríaca
de faltar, aqui dentro,
aquela pluma
com a qual se assina
o próprio contentamento.
👁️ 78
Constipação
As narinas abertas
haurem o espaço ocluso
com sofreguidão,
não há perspectiva
ou certeza que alente
a desobstrução
da paz enviesada,
da empresa que aliena
por furtar o tempo.
O problema é simples:
não há tempo livre
para se prender,
não há o cacho imaculado
da ninfa inspiradora
roçando-lhe a tez,
muito menos a adaga
da expressão inquisidora
arrepiando o pescoço.
Para onde foi a metáfora?
Só existem metas
e o resto está fora.
Para onde foi o pensar?
Só existe o agir
e todo tempo verbal
se reduz ao presente,
embalado e endereçado
às ilusões futuras.
Respira.
Mais um pouco.
Respira.
Está quase.
É questão de tempo.
Já está saindo.
As horas passam
e nada. Sequer vestígio
daquele dejeto
expelido, geralmente,
no fulcro da rotina
do poeta evanescente.
haurem o espaço ocluso
com sofreguidão,
não há perspectiva
ou certeza que alente
a desobstrução
da paz enviesada,
da empresa que aliena
por furtar o tempo.
O problema é simples:
não há tempo livre
para se prender,
não há o cacho imaculado
da ninfa inspiradora
roçando-lhe a tez,
muito menos a adaga
da expressão inquisidora
arrepiando o pescoço.
Para onde foi a metáfora?
Só existem metas
e o resto está fora.
Para onde foi o pensar?
Só existe o agir
e todo tempo verbal
se reduz ao presente,
embalado e endereçado
às ilusões futuras.
Respira.
Mais um pouco.
Respira.
Está quase.
É questão de tempo.
Já está saindo.
As horas passam
e nada. Sequer vestígio
daquele dejeto
expelido, geralmente,
no fulcro da rotina
do poeta evanescente.
👁️ 19
Por outras memórias
Por outras memórias
eu aniquilo a história
para nutrir a fantasia.
Por outras memórias
eu preparo a lâmina
e cogito um seppuku.
Por outras memórias
eu abandono o desejo
para tornar-me objeto.
Por outras memórias
eu embarco no vento
e escoo o céu azul.
Por outras memórias
eu performo Midas
e amputo as mãos.
Por outras memórias
eu invento um órgão
que circule esperança.
Por outras memórias
eu aquieto a batida
da própria obsessão.
Por outras memórias
eu troco o imaculado
em prol das sardas.
Por outras memórias
eu vejo crisântemos
no sorriso mais vil.
Por outras memórias
eu torno-me asceta
e castro os sentidos.
Por outras memórias
eu deixo meu corpo
olvidar a precedência.
Por outras memórias
eu aceito o inexistir,
como se fosse exorável.
eu aniquilo a história
para nutrir a fantasia.
Por outras memórias
eu preparo a lâmina
e cogito um seppuku.
Por outras memórias
eu abandono o desejo
para tornar-me objeto.
Por outras memórias
eu embarco no vento
e escoo o céu azul.
Por outras memórias
eu performo Midas
e amputo as mãos.
Por outras memórias
eu invento um órgão
que circule esperança.
Por outras memórias
eu aquieto a batida
da própria obsessão.
Por outras memórias
eu troco o imaculado
em prol das sardas.
Por outras memórias
eu vejo crisântemos
no sorriso mais vil.
Por outras memórias
eu torno-me asceta
e castro os sentidos.
Por outras memórias
eu deixo meu corpo
olvidar a precedência.
Por outras memórias
eu aceito o inexistir,
como se fosse exorável.
👁️ 95
Vida Perdida
Uma vida perdida
sob horários passados,
sob o ponto sem vírgula
em um itinerário.
Um atraso espontâneo
sob a rua deserta,
sob a morte oásis
por tudo encoberta.
O grito da ave,
o grito de ave,
o resgate do império
no vício atávico.
A moça que ri,
a moça que chora,
o enlaço que amarra
e pelo qual se implora.
A parte da vida
que parte o humano,
o partir dos andróginos
sem pano ou remendo.
o pender da coragem,
o pendor à insônia,
o distrair-se à vontade
para perder as chaves
dos dias, do cofre,
do sentir, da porta
que se escancara
ao esperar que um dia
A vida pródiga
retorne.
sob horários passados,
sob o ponto sem vírgula
em um itinerário.
Um atraso espontâneo
sob a rua deserta,
sob a morte oásis
por tudo encoberta.
O grito da ave,
o grito de ave,
o resgate do império
no vício atávico.
A moça que ri,
a moça que chora,
o enlaço que amarra
e pelo qual se implora.
A parte da vida
que parte o humano,
o partir dos andróginos
sem pano ou remendo.
o pender da coragem,
o pendor à insônia,
o distrair-se à vontade
para perder as chaves
dos dias, do cofre,
do sentir, da porta
que se escancara
ao esperar que um dia
A vida pródiga
retorne.
👁️ 17
Suspiros de amor
Ceifa-me a vitalidade.
Suas flores cacheadas
embalam-me na paisagem
de alpendres adornados
com frases tocantes,
retiradas de túmulos.
Seus beijos assombram
o canto mais iluminado
de uma alma avultada
pela constrição do abraço,
pela oxidação do afeto,
suspenso em camadas
agudas de necessidade.
E o seu andar vacilante
compensa a rigidez
de um amor agarrado,
de um ímpeto animalesco
denominado "amor"
apenas pela falta
de um termo adequado
ao tom vernacular.
Sua voz é o cutelo
que corta e separa
qualquer liberdade.
Seu choro é a agulha
penetrando meus olhos
e drenando a pupila.
Suas palavras são dores
organizadas em verso
no poema-navalha
dedicado ao pescoço.
Mesmo sua súplica
tem algo de pecado.
Mesmo seu gemido
tem algo de mártir.
E quando olho o relógio
já é hora de partir,
mas você não parte.
Nós permanecemos,
como sombras teimosas
imitando uma pessoa
que nunca existiu
sob o espectro óptico.
Suas flores cacheadas
embalam-me na paisagem
de alpendres adornados
com frases tocantes,
retiradas de túmulos.
Seus beijos assombram
o canto mais iluminado
de uma alma avultada
pela constrição do abraço,
pela oxidação do afeto,
suspenso em camadas
agudas de necessidade.
E o seu andar vacilante
compensa a rigidez
de um amor agarrado,
de um ímpeto animalesco
denominado "amor"
apenas pela falta
de um termo adequado
ao tom vernacular.
Sua voz é o cutelo
que corta e separa
qualquer liberdade.
Seu choro é a agulha
penetrando meus olhos
e drenando a pupila.
Suas palavras são dores
organizadas em verso
no poema-navalha
dedicado ao pescoço.
Mesmo sua súplica
tem algo de pecado.
Mesmo seu gemido
tem algo de mártir.
E quando olho o relógio
já é hora de partir,
mas você não parte.
Nós permanecemos,
como sombras teimosas
imitando uma pessoa
que nunca existiu
sob o espectro óptico.
👁️ 104
Esperança
Encarar o papel em branco,
a luz que trespassa a cortina,
o sábado em máximo avanço
por sobre semanas infindas.
A aranha tecendo, no canto,
uma teia não resolvida,
capturando o passar das horas
e sorvendo frutos da míngua.
Humano, aranha e flagelo.
O que mais guardar nas retinas?
Um mundo que nada nos guarda
além do que a mente germina.
a luz que trespassa a cortina,
o sábado em máximo avanço
por sobre semanas infindas.
A aranha tecendo, no canto,
uma teia não resolvida,
capturando o passar das horas
e sorvendo frutos da míngua.
Humano, aranha e flagelo.
O que mais guardar nas retinas?
Um mundo que nada nos guarda
além do que a mente germina.
👁️ 105
As teclas do piano
As teclas do piano sussurram,
demandam o inclinar da cabeça
para que se ouça em pleno tom
as verdades da alma sustenida.
Esse acorde, repetido ad nauseam,
é exatamente o som da tua vida.
Uma garoa, simples e sentimental,
retorcida entre as nuvens cheias.
O branco da neblina e o negro
dos olhos secos que observam...
As teclas do piano sussurram
e vertem lágrimas da harmonia,
cuspindo cifras melodiosas
em um refrão de covardias.
Seus dedos cansados arrastam
uma música feita para acabar,
uma súbita vontade de ouvir
aquilo que ninguém sabe entoar.
Muito menos você, bem menos.
Sua música é mera excrescência
de uma garganta secundária
por onde é impossível se comunicar.
As teclas do piano sussurram,
brancas e pretas na madeira.
Contam sua história inteira
e não deixam sequer uma dúvida
para mantê-la viva no segundo.
Ninguém irá ler sua partitura,
muito menos entender o símbolo
que representa sua clave.
As palavras não foram feitas
para você, instrumento humano.
Serás sempre incompreensível
como o ruído quase inaudível
que deduzem ser do piano.
demandam o inclinar da cabeça
para que se ouça em pleno tom
as verdades da alma sustenida.
Esse acorde, repetido ad nauseam,
é exatamente o som da tua vida.
Uma garoa, simples e sentimental,
retorcida entre as nuvens cheias.
O branco da neblina e o negro
dos olhos secos que observam...
As teclas do piano sussurram
e vertem lágrimas da harmonia,
cuspindo cifras melodiosas
em um refrão de covardias.
Seus dedos cansados arrastam
uma música feita para acabar,
uma súbita vontade de ouvir
aquilo que ninguém sabe entoar.
Muito menos você, bem menos.
Sua música é mera excrescência
de uma garganta secundária
por onde é impossível se comunicar.
As teclas do piano sussurram,
brancas e pretas na madeira.
Contam sua história inteira
e não deixam sequer uma dúvida
para mantê-la viva no segundo.
Ninguém irá ler sua partitura,
muito menos entender o símbolo
que representa sua clave.
As palavras não foram feitas
para você, instrumento humano.
Serás sempre incompreensível
como o ruído quase inaudível
que deduzem ser do piano.
👁️ 89
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