Por outras memórias

Por outras memórias
eu aniquilo a história
para nutrir a fantasia.

Por outras memórias
eu preparo a lâmina
e cogito um seppuku.

Por outras memórias
eu abandono o desejo
para tornar-me objeto.

Por outras memórias
eu embarco no vento
e escoo o céu azul.

Por outras memórias
eu performo Midas
e amputo as mãos.

Por outras memórias
eu invento um órgão
que circule esperança.

Por outras memórias
eu aquieto a batida
da própria obsessão.

Por outras memórias
eu troco o imaculado
em prol das sardas.

Por outras memórias
eu vejo crisântemos
no sorriso mais vil.

Por outras memórias
eu torno-me asceta
e castro os sentidos.

Por outras memórias
eu deixo meu corpo
olvidar a precedência.

Por outras memórias
eu aceito o inexistir,
como se fosse exorável.
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