Constipação

As narinas abertas
haurem o espaço ocluso
com sofreguidão,

não há perspectiva
ou certeza que alente 
a desobstrução

da paz enviesada,
da empresa que aliena
por furtar o tempo.

O problema é simples:
não há tempo livre
para se prender,

não há o cacho imaculado
da ninfa inspiradora
roçando-lhe a tez,

muito menos a adaga
da expressão inquisidora
arrepiando o pescoço.

Para onde foi a metáfora?
Só existem metas
e o resto está fora. 

Para onde foi o pensar?
Só existe o agir
e todo tempo verbal

se reduz ao presente,
embalado e endereçado
às ilusões futuras.

Respira.
Mais um pouco.
Respira.

Está quase.
É questão de tempo.
Já está saindo.

As horas passam
e nada. Sequer vestígio
daquele dejeto

expelido, geralmente,
no fulcro da rotina
do poeta evanescente.
21 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.