Um dia comum

Minhas preocupações ingênuas
avultam-se em aves pequenas,
revoam os velhos dilemas
e partem para a liberdade
sem saber onde encontrá-la.

Sobrevoam toda a cidade
em uma nuvem bela e cética,
em uma proposta asséptica
de eliminar qualquer vaidade
e extinguir a espécie humana.

Mas cada pássaro do bando
desmancha-se ao vento indolente,
traz nas penas o desencanto
de quem reprime a obliquidade
por verdades já poentes.

Como é triste a ingenuidade,
o irromper de linhas francas
em pontos ainda comedidos,
preocupar-se com o possível
quando o real nos desaponta.

Mesmo assim, as aves restantes
percorrem o céu lavrado
e encontram, estupefatas,
o alvorecer da liberdade
em um dia comum, cinzento.
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