Suspiros de amor

Ceifa-me a vitalidade.
Suas flores cacheadas
embalam-me na paisagem
de alpendres adornados
com frases tocantes,
retiradas de túmulos. 

Seus beijos assombram
o canto mais iluminado
de uma alma avultada
pela constrição do abraço,
pela oxidação do afeto,
suspenso em camadas
agudas de necessidade.

E o seu andar vacilante
compensa a rigidez
de um amor agarrado,
de um ímpeto animalesco
denominado "amor"
apenas pela falta
de um termo adequado
ao tom vernacular.

Sua voz é o cutelo
que corta e separa
qualquer liberdade.
Seu choro é a agulha
penetrando meus olhos
e drenando a pupila.
Suas palavras são dores
organizadas em verso
no poema-navalha
dedicado ao pescoço.

Mesmo sua súplica
tem algo de pecado.
Mesmo seu gemido
tem algo de mártir.
E quando olho o relógio
já é hora de partir,
mas você não parte.
Nós permanecemos,
como sombras teimosas
imitando uma pessoa
que nunca existiu
sob o espectro óptico.
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