Carnaval pela janela

O calor embevece
a fileira de ébrios
transbordando no sol,

brasileiros legítimos
puxando a alegria
sem variar no anzol.

Dedicados ao corpo,
ao trigo deglutido
sob lábios alcoólicos,

Como iconoclastas
destruindo o exercício
do cogitar simbólico.

Tornar-se desejado
tornou-se objetivo
da multidão letárgica.

Deixar-se abandonado,
sem pensar no sentido,
é mister do indivíduo

que negociou sua alma
pela autêntica sensação
de se estar completado,

sem medo do carrasco
mergulhando a razão
na certeza da morte.

Um medo tão quente.
Quente a ponto de pular
do canto do peito

e, enfim, repousar
onde o calor embevece
a fileira de ébrios

que caminham, sujeitos
ao mesmo sol.
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