Escritas

Lista de Poemas

86. Desobstruindo o Espaço Só Esta Mancha

86
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.

Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?

Dando lugar ao espaço    à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
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A Montanha

A montanha

figura

pousada

na língua do olhar
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76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra

76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.

Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.

Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
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88. Como Dizê-Lo: Ei-Lo, Aqui

88
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.

Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.

Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.

Março-Maio de 1978
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A Figura de Espaço E de Silêncio

A figura de espaço e de silêncio

no espaço de um silêncio
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Movo-Me Sobre a Montanha

Movo-me sobre a montanha

entre as pálpebras do caminho

A fragilidade da frase

na marcha

sob a cinza

do sol

o eco detém-se à altura da garganta

aridez da água     aridez     uma parede

que ascende     o papel da sombra
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No Peito da Página

No peito da página

o pulsar das pálpebras nas palavras

uma nova terra

na mão nova
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79. a Abstracta Figura Concretiza-Se

79
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.

Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.

Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
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Centro Tão Próximo

Centro tão próximo

na brancura

vertical
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As Raízes do Sono

As raízes do sono

e da terra

sob o vento do sono
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Comentários (10)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).