Poemas nesta obra
A Decisão Inteira
A decisão inteira
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
A Palavra Oscila
A palavra oscila
avança e vibra no vazio
avança e vibra no vazio
A Que Aparece Nua
A que aparece nua
na trama variável
figura numa teia viva
entre rupturas
alta adormecida
ou sem pálpebras perante o monstro
e informe perde-se sonâmbula
mas não o traço nem as sílabas
nem os resíduos de frescura
no obstinado escuro trajecto
na trama variável
figura numa teia viva
entre rupturas
alta adormecida
ou sem pálpebras perante o monstro
e informe perde-se sonâmbula
mas não o traço nem as sílabas
nem os resíduos de frescura
no obstinado escuro trajecto
A Superfície da Água Móvel
A superfície da água móvel
agita as nuvens
a claridade é urgente
para a linha única a marca
branca
O que germina na espessura
oscila em mil percursos
Os juncos seguem os meandros da água subterrânea
o ar move-se dança sobre a areia
As palavras dizem o que diz o ar
agita as nuvens
a claridade é urgente
para a linha única a marca
branca
O que germina na espessura
oscila em mil percursos
Os juncos seguem os meandros da água subterrânea
o ar move-se dança sobre a areia
As palavras dizem o que diz o ar
A Trave do Sol Pisada Entre Ramos
A trave do sol pisada entre ramos
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
Acende-Se Algo Na Garganta
Acende-se algo na garganta
A língua distensa ainda verde
dirá talvez o odor da tempestade
e o silvo terrífico nas chaminés
Mas o que está a arder tão baixo
é quase imperceptível
quase nulo
como este voo raso sobre o vazio
A língua distensa ainda verde
dirá talvez o odor da tempestade
e o silvo terrífico nas chaminés
Mas o que está a arder tão baixo
é quase imperceptível
quase nulo
como este voo raso sobre o vazio
Algo Completo Não Sei Onde
Algo completo Não sei onde
O desejo de o ver Forma e contacto
Um outro espaço ou este mesmo
Opaco Transparente
Intacto
O desejo de o ver Forma e contacto
Um outro espaço ou este mesmo
Opaco Transparente
Intacto
Algo Se Duplica
Algo se duplica
e inclina-se
refracta-se
num novo espaço em que se recompõe
Vertigem densa angústia do não igual de um outro qual?
O acaso decisivo
e o gesto imprevisível
negam ao espaço a multidão de imagens
e inclina-se
refracta-se
num novo espaço em que se recompõe
Vertigem densa angústia do não igual de um outro qual?
O acaso decisivo
e o gesto imprevisível
negam ao espaço a multidão de imagens
Ancas Intermináveis Flancos
Ancas intermináveis Flancos
que trucidam quando oscilam dançam
(Trucidemo-las)
já que elas rasgam templos
e o próprio tempo
e o espaço
que trucidam quando oscilam dançam
(Trucidemo-las)
já que elas rasgam templos
e o próprio tempo
e o espaço
Aqui Está Um Arbusto E a Sua Luz
Aqui está um arbusto e a sua luz
tão branca O seu volume
é leve surpreendente intacto
Se o trabalharmos sobre a terra parda
não saberemos não adivinhamos
a surpresa da flor vermelha
mas saberemos que insectos o assaltam
Ao vento à chuva
as flores tornam-se negras
são negras e todas hão-de arder
tão branca O seu volume
é leve surpreendente intacto
Se o trabalharmos sobre a terra parda
não saberemos não adivinhamos
a surpresa da flor vermelha
mas saberemos que insectos o assaltam
Ao vento à chuva
as flores tornam-se negras
são negras e todas hão-de arder
As Coisas Que Olhamos São Às Vezes Olhares
As coisas que olhamos são às vezes olhares
rostos Figuras da matéria
Como as estátuas nos antigos templos
Elas abrem os olhos as portas do olhar
O olhar é uma chave é esta chave
Avanço até à beira ainda visível
As pedras existem Existe esta montanha
São olhares também mas que se apagam já
Eu sei que assim me perco e tudo perco
se não souber arquitectar o fogo
desta matéria nova do rectângulo
rostos Figuras da matéria
Como as estátuas nos antigos templos
Elas abrem os olhos as portas do olhar
O olhar é uma chave é esta chave
Avanço até à beira ainda visível
As pedras existem Existe esta montanha
São olhares também mas que se apagam já
Eu sei que assim me perco e tudo perco
se não souber arquitectar o fogo
desta matéria nova do rectângulo
As Pernas São o Grito
As pernas são o grito
no rosto no ventre A língua
contra a língua
ou antes as duas línguas que a destroem
Vertigem dos limites
contra a vertigem
Explosão esta figura
ao atingir a superfície branca
no rosto no ventre A língua
contra a língua
ou antes as duas línguas que a destroem
Vertigem dos limites
contra a vertigem
Explosão esta figura
ao atingir a superfície branca
Até À Pedra Que
Até à pedra que
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
Com o Instrumento Frágil
Com o instrumento frágil
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
Como Dizer a Outra Face Num Vislumbre
Como dizer a outra face num vislumbre
uma figura respirando
na transparência
e a face transposta no suplício ou no prazer
das linhas
no branco o novo solo
Lê-las ou pisá-las com o estrume
tremendo no temor de estarem vivas
com raízes inextricáveis e vivazes
uma figura respirando
na transparência
e a face transposta no suplício ou no prazer
das linhas
no branco o novo solo
Lê-las ou pisá-las com o estrume
tremendo no temor de estarem vivas
com raízes inextricáveis e vivazes
Dançam Mas Não Na Praia Dançam Apenas Não Se Sabe
Dançam mas não na praia Dançam apenas não se sabe
o quê numa orla nocturna móvel Deserto na praia A
terra perdeu todos os sinais As únicas referências
são as do jogo Um obscuro combate para quê?
O que roçam os dedos ou o que eles segregam é um
muro de névoa ou uma muralha de astros
o quê numa orla nocturna móvel Deserto na praia A
terra perdeu todos os sinais As únicas referências
são as do jogo Um obscuro combate para quê?
O que roçam os dedos ou o que eles segregam é um
muro de névoa ou uma muralha de astros
Descida Oblíqua Leve
Descida oblíqua leve
iluminação do corpo
Inclinas-te
para o ângulo direito fascinante
os traços negros
incendeiam-se
e algo se estende algo se ilumina
iluminação do corpo
Inclinas-te
para o ângulo direito fascinante
os traços negros
incendeiam-se
e algo se estende algo se ilumina
Dizem Que É Jardim
Dizem que é jardim
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
É Um Lugar Para As Hordas
É um lugar para as hordas
para os cavalos Para algo
que se designa aqui
na evidência
Contanto que o ardor os nomeie
essa paixão árida que não canta
mas vibra seca no papel incerta
Quem detém os olhos? Quem vê o curso
do vento nas palavras?
E as flechas que por vezes se desfazem?
para os cavalos Para algo
que se designa aqui
na evidência
Contanto que o ardor os nomeie
essa paixão árida que não canta
mas vibra seca no papel incerta
Quem detém os olhos? Quem vê o curso
do vento nas palavras?
E as flechas que por vezes se desfazem?
Ei-La Despida Ou
Ei-la despida ou
dir-se-ia a altura de uma nuvem
a árvore seria densa espada
A expressão é forte
é ela própria o que diz
e mais forte ainda quando
se implanta no músculo
por onde
O vento é a inteligência libertada
E agora a árvore se adensa
no músculo
para que o acto da forma seja intenso
dir-se-ia a altura de uma nuvem
a árvore seria densa espada
A expressão é forte
é ela própria o que diz
e mais forte ainda quando
se implanta no músculo
por onde
O vento é a inteligência libertada
E agora a árvore se adensa
no músculo
para que o acto da forma seja intenso
Escrever a Um Outro Nível de Crescimentos Simples De
Escrever a um outro nível de crescimentos simples de
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
Há Uma Clareza Nas Pedras
Há uma clareza nas pedras
Uma obstinação ligeira nestas vespas
Entre a inércia e o voo
o fogo do ar
um sono escuro dos animais
o grande sono da brancura
Uma obstinação ligeira nestas vespas
Entre a inércia e o voo
o fogo do ar
um sono escuro dos animais
o grande sono da brancura
Húmido Como a Névoa
Húmido como a névoa
assim ainda se diz
Húmido pode ser um bosque
na sua densa massa
Um bosque? Uma luxúria
de verdes
semeado de clareiras
na espessura
Espessura esquiva onde se esconde a caça
onde ela se acende
e onde o esconder é grácil
como um jogo de analogia
assim ainda se diz
Húmido pode ser um bosque
na sua densa massa
Um bosque? Uma luxúria
de verdes
semeado de clareiras
na espessura
Espessura esquiva onde se esconde a caça
onde ela se acende
e onde o esconder é grácil
como um jogo de analogia
Inexplicável Para Não Explicar
Inexplicável para não explicar
saborear na língua a virulência
de uma circulação
de um influxo
Ligeiros jogos na aparência
mas o trabalho sempre do arado
o rosto exposto
à incessante ressaca
da terra
Material e método de uma experiência
a vida aberta gasta
até à transparência
aqui e além de uma palavra
Corpo e língua acesos
pela mesma obscura deflagração
saborear na língua a virulência
de uma circulação
de um influxo
Ligeiros jogos na aparência
mas o trabalho sempre do arado
o rosto exposto
à incessante ressaca
da terra
Material e método de uma experiência
a vida aberta gasta
até à transparência
aqui e além de uma palavra
Corpo e língua acesos
pela mesma obscura deflagração
Interrompendo o Vazio
Interrompendo o vazio
busca os seus limites
negros
Divide-se no sol
cintila ou não no espaço
busca a nudez que é ele próprio
uma dança quase
e estes resíduos
em que se reproduz e se desfaz
busca os seus limites
negros
Divide-se no sol
cintila ou não no espaço
busca a nudez que é ele próprio
uma dança quase
e estes resíduos
em que se reproduz e se desfaz
Limiar Ou o Silêncio
Limiar ou o silêncio
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
Mais do Que Um Rosto Um Espaço
Mais do que um rosto um espaço
multiplicado e branco para o desejo ou o obscuro
A palavra que o disser dissolver-se-á
dissolvê-lo-á
na brancura doutra
Outro desejo e o mesmo
na palavra nua
de um alento
e na surpresa nua
multiplicado e branco para o desejo ou o obscuro
A palavra que o disser dissolver-se-á
dissolvê-lo-á
na brancura doutra
Outro desejo e o mesmo
na palavra nua
de um alento
e na surpresa nua
Mais Raso
Mais raso
onde não é aqui
e o que vibra apenas vibra
ou nada vibra
quase ou já o limiar
incessante
que requer o limite ou o obstáculo
contra o grito
Aqui quando se diz
aqui
o desejo e o espaço
a palavra limite e não limite
do vazio
onde não é aqui
e o que vibra apenas vibra
ou nada vibra
quase ou já o limiar
incessante
que requer o limite ou o obstáculo
contra o grito
Aqui quando se diz
aqui
o desejo e o espaço
a palavra limite e não limite
do vazio
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
Não Compreendo As Palavras Deste Chão Vejo-As No
Não compreendo as palavras deste chão Vejo-as no
limite de ver e já no branco em que se dissipam como
folhas ou papéis Não é comparação mas um avanço
para o cúmplice espaço do silêncio
É necessário um texto com os poros
ao vento e à poeira opaco
e luminoso
não o lugar aqui
mas o lugar fictício e súbito evidente
limite de ver e já no branco em que se dissipam como
folhas ou papéis Não é comparação mas um avanço
para o cúmplice espaço do silêncio
É necessário um texto com os poros
ao vento e à poeira opaco
e luminoso
não o lugar aqui
mas o lugar fictício e súbito evidente
Não Deusas Habitam Este Átrio
Não deusas habitam este átrio
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
Nervuras Nítidas
Nervuras Nítidas
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
O Desejo a Surpresa
O desejo A surpresa
Ou a maravilha
Não pela igual imagem
mas destroçando-a
Resíduos só ou a passagem dos sinais
que dizem a passagem
do que será
se for o contacto imprevisível
do obscuro
inacessível corpo em outro corpo vivo
Ou a maravilha
Não pela igual imagem
mas destroçando-a
Resíduos só ou a passagem dos sinais
que dizem a passagem
do que será
se for o contacto imprevisível
do obscuro
inacessível corpo em outro corpo vivo
O Duelo de Um Braço
O duelo de um braço
lutando pelo contrário
no seu duplo ou duo
branco ou negro ou negro e branco
forma do obscuro
e nu
e nulo
lutando pelo contrário
no seu duplo ou duo
branco ou negro ou negro e branco
forma do obscuro
e nu
e nulo
O Fogo Sob Os Passos Vibra Verde
O fogo sob os passos vibra verde
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
O Lugar Onde o Lugar
O lugar onde o lugar
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte
Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas
Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte
Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas
Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
O Movimento do Repouso
O movimento do repouso
a trama do sol sem figura
o vento ou o sol
ou talvez
o sopro do sol
um sopro quente perdido
tão rápido no silêncio sob as árvores
a trama do sol sem figura
o vento ou o sol
ou talvez
o sopro do sol
um sopro quente perdido
tão rápido no silêncio sob as árvores
O Que Conta As Letras
O que conta as letras
esquece o viscoso e o obscuro
não vai mais longe que
o dicionário
O que ouve a música das sílabas
não se perde no prazer
a fugitiva luz está presente
em algo simples inacessível
Tocaste o lábio desse monstro
abre-se a ferida de uma estátua
um mugido ondula
e é ele próprio o sopro da brancura
esquece o viscoso e o obscuro
não vai mais longe que
o dicionário
O que ouve a música das sílabas
não se perde no prazer
a fugitiva luz está presente
em algo simples inacessível
Tocaste o lábio desse monstro
abre-se a ferida de uma estátua
um mugido ondula
e é ele próprio o sopro da brancura
O Que Segrega Névoa E Suor Debaixo de Um Sol Escuro Outro Sistema?
O que segrega névoa e suor debaixo de um sol escuro Outro sistema?
Nada mais do que sombras que não flectem nem respiram
Partiu-se o espelho das imagens
múltiplas
Abre-se o arco do sujeito nulo
no inesperado sopro de outras formas
Nada mais do que sombras que não flectem nem respiram
Partiu-se o espelho das imagens
múltiplas
Abre-se o arco do sujeito nulo
no inesperado sopro de outras formas
Quando
Quando
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
Secreta a Amadurecer E Abrindo-Se
Secreta a amadurecer e abrindo-se
quando a noite é a folhagem
Diria flor ou pétala mas não
Este segredo é de água une-se ao vento
São linhas ou corpos indecidida
resta a palavra que não segue a imagem
Entre uns e outros respira-se talvez
e uns caem separados na distância
e outros formam o volume branco
que une o obscuro à claridade
quando a noite é a folhagem
Diria flor ou pétala mas não
Este segredo é de água une-se ao vento
São linhas ou corpos indecidida
resta a palavra que não segue a imagem
Entre uns e outros respira-se talvez
e uns caem separados na distância
e outros formam o volume branco
que une o obscuro à claridade
Secreta E Branca
Secreta e branca
agita-se
sem flancos
à beira do vazio
agita-se
sem flancos
à beira do vazio
Será Viva Entre Acidentes
Será viva entre acidentes
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
Sucedem-Se As Imagens
Sucedem-se as imagens
sobre imagens
em busca de um alvo que recua a cada avanço inacessível
É preciso deter esta corrida e procurar o caminho da palavra
no branco que a desloca
suscitando
a nitidez nua de umas frases
que esparsas se reúnam num só corpo
sobre imagens
em busca de um alvo que recua a cada avanço inacessível
É preciso deter esta corrida e procurar o caminho da palavra
no branco que a desloca
suscitando
a nitidez nua de umas frases
que esparsas se reúnam num só corpo
Talvez Cante Um Pássaro E o Céu Talvez Seja Na Aparente
Talvez cante um pássaro e o céu talvez seja na aparente
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
Talvez Nada Nos Reste
Talvez nada nos reste
senão este trabalho
que divide e rasga a própria ferida
Tudo o que o poema faz desfaz
Mas sustenta a ferida
nas margens mais distantes
da distância
na insensata esperança
no abismo
Tu beijas aqui a dança e o desastre
Já ninguém te vê
palavra nula imediata
Nenhum sinal da aliança viva
um único sinal
dilacerante
acorde
Amanhã de novo buscarei
o lugar sem nome
e o nome inominável
senão este trabalho
que divide e rasga a própria ferida
Tudo o que o poema faz desfaz
Mas sustenta a ferida
nas margens mais distantes
da distância
na insensata esperança
no abismo
Tu beijas aqui a dança e o desastre
Já ninguém te vê
palavra nula imediata
Nenhum sinal da aliança viva
um único sinal
dilacerante
acorde
Amanhã de novo buscarei
o lugar sem nome
e o nome inominável
Terra de Um Sabor Denso
Terra de um sabor denso
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
Trazem As Marcas do Suor da Noite
Trazem as marcas do suor da noite
Trazem a noite
E são já a noite
na velocidade branca desta escrita
Nulos impenetráveis (habitáveis lâmpadas?)
perdidos nos seus nomes
perdidos vivos
Não são já eles e são eles que
Trazem a noite
E são já a noite
na velocidade branca desta escrita
Nulos impenetráveis (habitáveis lâmpadas?)
perdidos nos seus nomes
perdidos vivos
Não são já eles e são eles que
Um Corpo Se Retrai E Se Constrói
Um corpo se retrai e se constrói
pelo vazio que gira em torno dele o espaço é limitado
e se algo avança sem colunas
são formas que respiram na brancura
Aqui nesta procura a mão
dilata-se
A história que nos vence não nos vence
O desejo é o objecto da metamorfose
Com o desejo o corpo se levanta
As formas estão nas linhas
e um rosto se imagina
na árvore em ramos abstractos
pelo vazio que gira em torno dele o espaço é limitado
e se algo avança sem colunas
são formas que respiram na brancura
Aqui nesta procura a mão
dilata-se
A história que nos vence não nos vence
O desejo é o objecto da metamorfose
Com o desejo o corpo se levanta
As formas estão nas linhas
e um rosto se imagina
na árvore em ramos abstractos
Um Furor de Espuma Entre As Algas
Um furor de espuma entre as algas
e o abandono de qualquer coisa escura
A violência extrema a extremidade
desejável
Que verde a violência e que brancura
Neste outro branco agora balbucio
pássaro branco
insecto
espuma
e o abandono de qualquer coisa escura
A violência extrema a extremidade
desejável
Que verde a violência e que brancura
Neste outro branco agora balbucio
pássaro branco
insecto
espuma
Um Jardim Um Jardim Obscuro
Um jardim um jardim obscuro
É da luz que vem o obscuro
Os animais surgem numerosos
Ainda escuros mas sobretudo espessos
Cinzentos sobre o dorso
É inútil olhar
Só um maciço no branco é uma reserva
de um virtual contacto de uma chama
É da luz que vem o obscuro
Os animais surgem numerosos
Ainda escuros mas sobretudo espessos
Cinzentos sobre o dorso
É inútil olhar
Só um maciço no branco é uma reserva
de um virtual contacto de uma chama
Um Pouco Um Quase Nada Não Para o Fogo da Palavra
Um pouco um quase nada Não para o fogo da palavra
Arde só o branco e são as folhas disjuntas unindo-se
desfazendo-se Incertas Exactas No despojamento
o fogo branco
e altas crespas ervas
percorridas pela sombra
Arde só o branco e são as folhas disjuntas unindo-se
desfazendo-se Incertas Exactas No despojamento
o fogo branco
e altas crespas ervas
percorridas pela sombra
Uma Felicidade Nos Dedos
Uma felicidade nos dedos
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
Uma Figura Na Profundidade
Uma figura na profundidade
no centro móvel foge
e deixa um intervalo de luz
uma obscura arcada para os dedos
na intensidade da luz ou do escuro
Parte-se a serpente se
e são pedaços
vivos na noite que se agitam
no centro móvel foge
e deixa um intervalo de luz
uma obscura arcada para os dedos
na intensidade da luz ou do escuro
Parte-se a serpente se
e são pedaços
vivos na noite que se agitam
Verde a Lentidão
Verde A lentidão
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
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