Escritas

Lista de Poemas

Pedra de Sol Na Boca

Pedra de sol na boca

língua verde

ombros no horizonte

próximos
👁️ 929

Cor Viva Sem Figura

Cor viva sem figura

Ferida

árida     ávida
👁️ 455

78. Rosto Para Dizer o Rosto Rápido

78
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.

Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.

Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
👁️ 923

A Parede Escura E Verde

A parede escura e verde

e os sinais

entre as sombras

entre os ombros

da casa

que não tombam

entre as sombras
👁️ 1 084

69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura

69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.

Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.

Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
👁️ 468

22. a Pergunta da Mão Aberta

22
A pergunta da mão aberta
na manhã matinal do quarto
aberta ao espírito de suavidade.

Alimentando o fogo o feliz rosto
criando a lâmpada de amorosa noite
mão no puro centro do impuro centro
resumindo a luz em luz da boca.

Resumindo o corpo e o lábio branco
luz que vive a palavra suavidade
que vive o viver do sangue amante.
👁️ 875

55. Terra Não Só do Olhar Mas da Boca Límpida

55
Terra não só do olhar mas da boca límpida
e grafia do pulso língua absoluta
com uma perspectiva perene e sempre verde
tapeçaria subjacente e os socalcos da encosta.

Entusiasmo quase sem cor às vezes
no sem-cor da língua na escrita viva
ó terra do pulso e sexo secreto
macieza maternal do pai na escrita.

Tu dirás sempre e nunca a terra
tu serás não formosa mas terrestre bela
com um vasto conjunto dos aspectos
com um conjunto negro e amoroso.
👁️ 1 039

36. Imagem (Não Ardente Aqui) da Figura

36
Imagem (não ardente aqui) da figura
ardente e enterrada sob o ventre
do cavalo e da mulher ardente igreja
sendo a pausa do seio vermelho e branco.

A nuvem que atravessa o dom da boca
da imagem liberta do deserto
institui o segredo do ouvido da ave
abrindo o horizonte às negras ancas.

Traição presente da nuvem da figura
redução ao simples animal da erva
pedra para saber o segredo do insecto.
👁️ 970

61. Um Desafio Não Sei de Que Cor: Vermelha?

61
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.

Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?

Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
👁️ 449

50. o Claro Rumor Do

50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)

Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.

Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
👁️ 897

Comentários (10)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).