Escritas

Lista de Poemas

O Tronco: o Tronco do Tronco

O tronco:    o tronco do tronco

na boca

sem saliva
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80. Anca, E Depois Campo, E Forte

80
Anca, e depois campo, e forte
a curva dançante mas discreta e dura
ela é campo não azul, corpo e dança
a deusa dos olhos e da rua e da dança.

Ela é o corpo, ela é a dança, ela é a rua
e os olhos brilham a boca arde no campo
arde no brilho do pássaro vivamente
desloca a pedra para que ela passe.

Anca na boca na língua quadril forte
dança no campo sem flores no passeio
passa sobre a capa da visão translúcida.
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A Sombra do Vento

A sombra do vento

a sombra e o vento

para respirar

no vento     na sombra
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73. Perdido o Centro, Perdida a Rosa

73
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado

a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos

no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
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Entre Dois Espaços Entre Duas Sombras

Entre dois espaços     entre duas sombras

as pálpebras abriram-se no caminho

entre dois espaços     entre duas sombras?

no vento     oscila        uma lâmpada vazia
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77. Inflectida a Figura Recebe a Face

77
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.

Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.

Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
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Dói-Me Uma Noite de Terra Sobre a Fronte

Dói-me uma noite de terra sobre a fronte

mínimo coral nocturno     suspensão presente

— promontório

sem a memória das imagens

no círculo

dos derradeiros insectos
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75. a Pedra, o Corpo E a Escrita

75
A pedra, o corpo e a escrita
das árvores: cinza cinza que arde
quando o fogo da escrita arde sobre

o mineral negro, a ponta escura escreve
talvez uma laranja lancinante
talvez a simples mesa do pão branco.

Seja qual for o fim não há o fim
da aventura dessa pedra escrita
nesse escrever da pedra cinza negra.
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Uma Terra Que É Um Nome

Uma terra que é um nome

de terra

uma terra de um nome

fora do nome

uma terra

sob a terra
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Nudez de Frase

Nudez de frase

branca

na cor do vento
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Comentários (10)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).