Escritas

Lista de Poemas

O Que Resta Recomeçar

O que resta         recomeçar

com uma pedra
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Nada Se Transcreve Quando

Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível

Escrever é perder     perder para respirar
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A Face Submersa de Che

Gastaram-se as promessas da sempre morte viva
Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem

Sob as palavras as sílabas se reúnem
Outras palavras sob as palavras
nascem

A face submersa ressurge das raízes
Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre

Um rastro se propaga rasga as superfícies

Um perfume silvestre desempesta as cidades

As sílabas reúnem-se     Uma bondade antiga
retempera a revolta

Gastaram-se as promessas     A face submersa
ressurge das raízes

Outras palavras sob as palavras nascem
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Atravesso

Atravesso

a terra

com a rapidez de uma palavra
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Um Mar Furtivo Entre Dois Ventos

Um mar furtivo entre dois ventos

no limite

das árvores         as vagas

no papel áridas asas

uma cabeça oca     branca entre algas     dedos

transparência da luz alta

sobre as pálpebras

ávida morte         nua lápide da sombra
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83. o Pulso Activo. a Água Dos Insectos

83
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.

O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.

E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
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70. Incide a Água Onde Ainda É Água

70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.

Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.

As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
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As Palavras Brancas do Ar

As palavras brancas do ar

aqui

no cimo plano
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Sob a Palha do Sol As Sílabas

Sob a palha do sol as sílabas

soçobravam

intensidade próxima da cegueira

no cérebro da terra as fissuras abriam-se

e a boca sem caminho o seio sem o outro seio

nas lajes sem contacto à superfície nua

no obscuro deserto

de basalto
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O Tronco a Corda Branca

O tronco     a corda branca

e alta

na boca

ao vento
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Comentários (10)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).