Escritas

Lista de Poemas

Impenetrável Gérmen Que Adormece

Impenetrável gérmen que adormece
no livre abandono de uma pálpebra.
Lento equilíbrio que suporta
o súbito vagar do ar.
👁️ 1 086

A Mão Silenciosa Percorre o Dorso Cálido

A mão silenciosa percorre o dorso cálido
que é um adormecer contínuo nos limites.
Nada mais que terra e solidão solar.
Nada treme e tudo está suspenso no vazio.
Nada se diz. É o silêncio da palavra.
👁️ 1 024

A Distância Que Nasce Na Frescura

A distância que nasce na frescura
da distorção fluida
todos os sinais são pontes para
o implantado segredo da espessura.
👁️ 1 000

Amar Esta Sombra Que Desliza

Amar esta sombra que desliza
e que é talvez já a presença que nos foge.
👁️ 1 066

Na Tensão Apaziguante

Na tensão apaziguante
inicia-se uma viagem com o vento
vazios na dilatação do ar
lúcidos de pé abarcando o horizonte.
👁️ 971

É o Lugar. As Cores Rodam

É o lugar. As cores rodam
no silêncio, um leque branco.
Não mais nomes que não se reinventem,
sentindo a delicadeza do ar,
o dorso fascinante tão próximo e longínquo.
👁️ 963

Habitando a Paciência da Ondulada

Habitando a paciência da ondulada
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.
👁️ 903

Por Encanto de Nuvem

Por encanto de nuvem
no favorável silêncio voluptuoso
a forma afluiu com as cabeças
rompendo a água do azul.
👁️ 536

Quando Ao Sopro Esparso Iniciarmos

Quando ao sopro esparso iniciarmos
na brancura nua a veloz arquitectura
saberemos que a casa está intacta.
👁️ 1 107

Entre Mar E Sombra a Delícia

Entre mar e sombra a delícia
de um vento que abre um espaço original.
👁️ 448

Comentários (10)

Iniciar sessão ToPostComment
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).