Escritas

Lista de Poemas

Na Nudez do Labirinto

Na nudez do labirinto
ouvimos
o simples estar aqui.
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Dispersa Sede

Dispersa sede
a partir do fundo que não se oculta
nem é abismo
abrindo-se numa afirmação que ondula
em cadência que parece eterna
numa demora que é permanência clara.
👁️ 510

Gravitação Total Em Torno

Gravitação total em torno
de um contorno adormecido, forma ausente
de uma dança germinal que se retrai,
carícia de um sono imaculado.
👁️ 923

Na Seiva do Ar

Na seiva do ar
uma palavra que é rosto ou melodia.
👁️ 1 077

O Que Súbito No Vértice Reconhece

O que súbito no vértice reconhece
o vazio navegável do instante.
👁️ 1 050

Num Repouso de Fundura Agreste

Num repouso de fundura agreste
na ressonância suave da folhagem
encontrar as mais simples palavras
entreabrir as portas mais serenas.
👁️ 1 060

Dizer As Palavras Na Afluência

Dizer as palavras na afluência
que vem do impenetrável arvoredo.
São estes os vocábulos sem miragem.
👁️ 993

O Que Desperta E É Um Reino Suave

O que desperta e é um reino suave
já sem máscaras vazio sombrio ainda
não há escolha para ser ali há a leveza
do que não existe a semelhança nasce.
👁️ 1 050

Ao Vento Leve do Sol

Ao vento leve do sol
num verde e fresco entusiasmo
propagando o antes em nova agilidade
no esplendor da espiral levíssima.
👁️ 982

Por Encanto de Nuvem

Por encanto de nuvem
no favorável silêncio voluptuoso
a forma afluiu com as cabeças
rompendo a água do azul.
👁️ 537

Comentários (10)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2025-08-09

Muito belo este este homem , que esperou e tentou mudar sua vida e se transformou mais leve que sua sombra.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-27

Como já anotei; conheci o poeta António Ramos Rosa, já no outono da sua vida, indo a minha num aproximar-se do mesmo tempo natural. Tempo em que já não fumava, mas gostava da bica e do queque, sempre antes, em um amável sorriso, fazia o gesto de que alguém pagasse, aliás, era de um "espírito franciscano, em muitas dimensões". Lembro a nossa ida ao café, ele sorrindo e falando baixo, sobe o sua barba branca, imperfeitamente, aparada. Sentado, escolhia uma conversa de informação e gostava, muitas vezes de contar a história do nome "queque" para o bolo que mais gostava. Era de uma atmosfera serena simples "e vegetal" o pouco tempo da sua companhia.

Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2022-10-26

Obrigado pela contribuição, irei arranjar um espaço para colocar estes apontamentos.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-26

Conheci este génio da poesia já nos íamos em idade. Visitava-o sempre em companhia, talvez, como privilégio comum. No seu espaço pilhas de livros literários, de autores de algumas nacionalidades. O seu dia de poesia passava-o relendo em inspiração e pela noite, até não muito tarde, escrevia meia dúzia de poemas, quase sempre, extensos. Certas vezes achava-se em interrogação de dúvida e queria saber de nós se "ainda era poeta". Com a grandeza que a humildade concede aos génios Ramos Rosa sorria, sorria quase sempre, emitindo nele certos sons de garganta, que provavelmente lhe ficara do tempo em que ainda não tinha deixado de fumar. Agora António Ramos Rosa era um ser de leveza, - embora tocado pelos anos, mas o seu ESPÍRITO subia; subia com as palavras escritas.

Manuel Luís Lopes Batalha
Manuel Luís Lopes Batalha
2022-10-25

Continuação de parte do mesmo doc. "(...) Se conto este sonho é porque me parece que representa o meu desejo de um paraíso vegetal ou de um retorno a uma simplicidade elementar. (...).