Lista de Poemas
SEM GRAÇA
Oferece árvores flor e jardins
Passeio gramado e calçadas
Porém está deserta
O deserto
Acolhe pessoas carros e dunas
Vasta areia a céu descoberto
Porém sem jardins
O mundo é canteiro
Fértil de escolhas
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ACINTE
Desconexo incidente intrínseco da mente
Daquilo que arrebenta a origem
Complexa mutante do todo
Transeunte sob a finita face reticente
Pressuposto acidente acontecendo e ocorrido
O horror escorre feito sangue
E traz o torpor por desdobramento pendente
Mordido e absorto pela dor
Espúria e contundente
Vivendo de modo aturdido
Eu louco advirto e previno-me incólume
Antes que a lucidez me raspe o juízo
E eu ache demente e sinta-me impune
Ante todo ser vivente
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TOLICE
Paro para olhar a chuva na porta aberta
Com o frescor do respingo teimoso na cara
O cair da agua chiando demora
Retorno ao poema salvo na tela
Quanta tolice comete o poeta
A poesia acontece ali fora
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PACIENTE
Seria isto suficiente para um breve desespero
Sinal de alerta para qualquer jovem marujo
Ah o velho marinheiro continua seu curso
Remando paciente buscando o cais
Uma vez já mais perto que distante do porto
Essa a lição da maioridade
Desprender-se do casco ainda que erroneamente nade
Ir adiante mesmo que convalido definhando afunde
Pela certeza de chegar a qualquer ponto
À frente ou abaixo do esperado encontro
Há o acaso entre o azar e a sorte de haver partido
São assim as conquistas os amores os sonhos
As paixões que traspassam o turbilhão do tempo
Somos todos navegantes desse mar incerto
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VAGALUME
Como faz o pirilampo que afugenta o escuro
Tornando-se fulgente entre abelhas e mosquitos
Encanto-me com singelezas acendendo ideias
Em pleno espalhamento da luz porem sem ser estrela
Ilumino a minha casa com o fulgor da própria asa
Com mínima e parca energia imanente das colmeias
Entretanto espia-se o brilho e pouco importa se ligeiro
Sinuoso esvai-se ao breu como escorre o tempo
No inconsequente entremeio existente entre as fendas
Por mais que se apertem os dedos o que importa é o legado
Mútuo entre mestre e aprendiz seguido por primeiro
Alguém ao aperceber-se talvez da ousadia do vagalume
Possa invejar ou julga-lo por seu lampejo fugaz
Ser de pura insensatez querer se almejar lanterna
De minha parte porem desejo unicamente que a luz
Independa de brilhar mas aclare áurea e alma
E fortaleça nosso ser tornando a vida mais bela
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BRIOS
Empoçou suas aguas entre bancos de areia
Cansou de invadir o mundo das barrancas
Perdeu-se nas próprias pedras e beiradas
Um senil pescador que nadara em seu fundo
Chorou sete dias e viu que as lágrimas
Corriam saudosas no regalo do leito
E que naquele peito vida ainda haveria
Reuniu lá da vila todos os condenados
A viver sem futuro por falta de brios
Despertou-lhes a fome da fartura de peixes
E os levou para a ponte já sem necessidade
Juntos simplesmente insanos sonharam
Com a correnteza refeita novamente fluindo
Assim conta-se que o rio voltou a rolar
Mas já não sei confirmar pois mudei de cidade
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AINDA AGORA
Enumero os anos
Domino o menino que foi embora
Embora ele venha a qualquer hora
E se valha do velho que existe agora
Se velho não seria ainda
Talvez antigo nos preceitos
Usual nos conceitos diria aprendiz
Generoso por inteiro e arteiro
Aquele que revalida a própria história
Não faço questão dos demais dias
Se desde domingo decanta o tempo
Que afunila e desprende a fagulha
Que ainda acende a vaidade de outrora
Mesmo que a validade da idade desentoa
Tem sentido ter duplo medo
Só não preciso alarde e espanto
Quanto custaram-me bons segredos
Advindos do que serviram antes
Aguardo-os que me valham ainda e agora
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QUE FIZERAM DE MIM AS ESTAÇÕES
Lá fora a relva úmida
Exala interno sentimento
De que o âmago da vida
Resume-se a meras palavras escritas
Guiadas por pautas traçadas
Em branca folha de caderno
Iluminada tarde de primavera
Lá fora jorram cores
Por nuvens claras de cera
Onde os olhos reviram de amores
As promessas ilusórias
Descritas entre quintais e jardins
Em belas pétalas de flores
Quente noite de verão
Lá fora entre luzes acesas
Descansam as sobras do dia
Vertentes da escuridão
Digitais gravadas na mente
Prescritas fórmulas
Reverberando alegria
Soberba madrugada de outono
Lá fora dorme a natureza
Espremida entre silêncio e breu
Nem tão quente nem tão fria
Remando as barcas do tempo
Vagueiam sonhos tardios
Repletos de astucia e pureza
Que fizeram de mim as estações
Presas a tantas e todas que vivi
Uma parte da vida bem as senti
Outras me voaram por indícios
Sou eu ator partícipe destas cenas
Ainda que as traga em círculos
Recompostas de lembranças
Se sorri ao ouvir gritos
Ou gritei ao me ver sorrir
Misturei meus labirintos
Transpus máximas e os venci
É porque observei lá fora
Que o passado está aqui dentro
E o futuro efeito incerto do agora
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NASCI
Não senti o corte umbilical
Chorei somente no momento seguinte
Para que alimentassem a fome
Do tênue ar a carne que me trouxe aqui
A primeira lição foi respirar
As demais adquiri
Ademais sobrevivi
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HORIZONTES
Por cujas beiras de areia crescera a cidade
Mas eu na contramão das aguas
Deixei de aprender a nadar
Mal molhava os pés
Já antevia possibilidades de afogamento ao lacrimejar
Chorando assim embainhava cismas e medos
Recomendados por meus pais
O fim daqueles dias também morria todas as tardes
Abrasado entre as correntezas
Mas subitamente emergia na oposta margem das manhãs
Eu não entendia aquele fascínio caprichoso do sol
E como jurara viver para teimosamente revê-lo surgir
Sentia vontades mas acovardado com ele eu não fora jamais
Agora distante daquelas doces aguas e na borda do mar
Espero sozinho o sol trazer-me os mesmos brilhos de outrora
Pois sei que ele ainda se perde naquelas aguas distantes daqui
Não mais choro nem de medo nem saudades
Pois descobri os significados de ocaso e aurora
Idêntico ao sol que intransigente pra dormir
Cruza resoluto e aclara a pequenez dos meus sonhos
Ante a imensidão do meu país
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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