ENQUANTO EU IA

Eu sempre fui
Aprendi desde cedo a sair
Doía mas o clamor do destino me aquecia a ida

Via num lampejo
Os rios que riscavam os rostos
Dos que ainda assim me vendo ir sorriam
As lágrimas se desenhavam em curvas e retas
Das estradas que eu seguia
Procuravam os próprios espaços
Escorriam e pingavam de saudade dos idos

Seguia o contrassenso que me esperava
Aguardava-me a sequência dos dias
Então me confortava de que a qualquer tempo viria

Hoje por fim permaneço
Já não saio porque os caminhos não me cabem
Tenho agora o mesmo clamor de vazio entre os dedos
Que tremiam nas mãos dos que ficavam
Enquanto eu ia


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