O OUTRO

Eu guardei tudo o que ele pediu que aguardasse
Nada fora desperdiçado
Até mesmo as sombras recolhidas e armazenadas
Para serem usadas como lembranças de luz

Guardados também as peles trocadas
Os dentes de leite e os podres
As unhas cortadas, cutículas
Os pelos, os cílios, as lágrimas rizadas
Os calos, as cáries, suores
Caspas, acnes, espirros, tosses, odores
As dores, pesares, e o gozo nos prazeres

Tudo ficará assim vestido de poeira
Por questões dispostas na caixa de digitais
A infância que se fora, juventude
O que assoprei ou me assombrou

Só restarei maduro onde houver o outro
Porque ali sempre haverá respostas
As coisas mais insignificantes
Usará como vestígios de mim
Ele, o tempo, é tudo que soçobra
Ou o resumo que ressurge do que me sobra

Enquanto ainda penso que virá
Bem sabe que passei


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