Lista de Poemas

I-LXV Jaezes de vida e morte

Tempo indomesticável sob céus superestimados,

que diz me ver sem que eu queira saber,

no que me esforço humilha-me por ter que crer.

Crente na igreja que se fecha por não ter o que presta,

vejo por vocês quando não há o que resta,

sob um futuro que nos leva sem trégua.

 

Apressados, disseram-me ir construir seus lares,

a noite está perfeita, mas temem presságios de maus olhares.

Os disse ser eu o último visto por Deus,

e que nenhum traço de desagrado ouvi sobre o que os envolveu.

Mas crianças são sempre espantadas temendo dias que se acabam,

me pergunto ser esta a razão dos cruéis castigos que as matam.

 

Partilharia minha mente com quem queira,

se, dado a mim, fosse um corpo que me deleita.

Não sei o que fazer, mas é instintivo querer,

é sofrer por tentar ser, e perder por simplesmente viver.

Fascinado, perco-me na época das poucas coisas que me agradam.
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I-LXII Jaezes de vida e morte

Corro à frente, para que me sobre tempo para me explicar:

Temo ser vista como uma mulher apaixonada,

frustrada por um fantasma ser trocada.

Temo ser vista como tola e desajeitada,

que, sob as águas, carregava mais do que sustentava.

O dinheiro limita nossos destinos,

os sinais duplicam toda vez que nos repudiam.

 

Tenho alucinado, mas ainda as coisas separo.

Não é difícil quando sobreviver é a loucura que nos agarra,

nos puxa, nos afunda, nos fragmenta e nos alastra.

Se vejo as estrelas, se presencio o por do sol,

sempre há algo em qualquer lugar que nos faz parar.

É loucura pensar em nos encontrar.

 

Talvez com dias como agosto em anos embolísticos,

filha de Fanuel e Abraão, teria minha idade escrita

ao acaso por fingir-me morta sobre o chão.

Gozaria dias por dia, noites em uma revelação,

encargos por vida, e paixões por um homem sem coração.
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I-LV Jaezes de vida e morte

Pus-te como promessa de vida,

e vi-te ausentar para que me pusesse a pensar:

O quão longe tenho ido que precise ser omitido,

o quão distante perduraria se fosse eu quem o seguiria.

E sobrevivi daquela morte de fantasia.

 

Nunca o vi chegar, exceto agora que,

diante da passionalidade, o vi brotar.

Há quanto esteve lá? Pois o trouxe em meio

ao júbilo, como por culpa por ver-me queixar.

 

O passado justifiquei pela ignorância,

pedi perdão pelas ameaças de criança.

E pelo medo deste acaso, perco a noite

acordado: Será um presente por agrado,

ou és um grego desalmado?
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I-LXI Jaezes de vida e morte

Há tanto digo ao escuro:

Perdoe meus reflexos, meus péssimos hábitos,

cada noite sinto-me melhor sendo acuado.

Já levo o tempo para perder-se comigo,

atrasado, atado aos embaraços,

um presente como o passado.

 

Instinto infeliz que me pune por nada,

fez-se em minha casa, tomou-me a alma.

Temendo jogarem-me fora, vi-me perdendo a honra:

"Os erros não são meus, o mundo não se toca!

Chances nada adiantam se o dia sempre volta."

 

E tudo soa como piada para que alguns guardem mágoas.

Não que eu sinta o que escrevo ou de tudo me abstenho,

é só vício ludibriar-me por inteiro.
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I-LXIV Jaezes de vida e morte

Paixão infame que em círculo corre para me deixar,

procuro tal grego que venha a me presentear.

O levaria para sempre, temendo o amanhã que chega,

fazendo de mim a descoberta de quem salvação anseia.

 

Em um mundo que se expande e nunca cresce,

meus sonhos morrem e prevalecem.

São como as almas sem rancor, que nos

ensinam perder e viver por amor.

 

Assim sinto-me no fundo do discreto,

pensando em quem padece sob juízos incertos:

Se os anjos se extinguem quando a mente definha,

e se é azar a âncora à vida sofrida.
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I-LX Jaezes de vida e morte

Sós sendo um e perdidos quando par,

a esperança é pouca e não a vejo acabar.

É a ironia de quem existe e persiste,

ser leigo quando aprendo e fraco quando insisto,

é a pressa de estar diante de quem me tem repelido.

 

Ensino fogo aos homens para olharem sempre a quem,

pois o controle que me tem fere-me quando se mostra e intervem.

Rogo então ao Pai antes das construídas morais,

para que eu presencie e seja vítima das hipocrisias angelicais.

 

Liberto-me de quem me tem,

e afundo-me sem carregar o ar que tanto faz reféns.

Lastimo apenas os rastros que se perderam nos anos,

recuperar uma porção será como portar oceanos.

Pois quando me provoca, noto-me fervorosa,

como se a fonte da vida é ter-me exposta.
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I-LVI Jaezes de vida e morte

Como é bom estar vivo em prantos sob as asas de Piasa,

que, há muito, tem devorado minha raça.

Se meu Pai sonhar por me fora,

matar-me-ei antes desta hora.

 

É o testemunho de muitos que me faz verídico,

pois pelo pouco que ando já mal me sinto.

A crença de mim vem do inimigo,

a vida que fiz não me serve de abrigo,

e o passado que tracei foi tomado por vitimismo.

 

Me envergonho das loucuras passageiras e temo as que se permeiam.

É aflição que toma meu coração, pois me perdi nas lutas por paixão.

Queria eu residir aqui, como se, pelo mal, fosse meu teto resistir.

E não me acabaria em mil olhares, seria visto por mim e por Ele,

quem sabe.
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I-XLVII Jaezes de vida e morte

O vi e é verdade, como vulto sob arbustos,

cochichava sobre promessas de um futuro longe de influências.

Poderia eu ter o parado ali, mas era mau por si só,

e acreditei que ali mesmo se acabaria.

 

Ainda estava encantado pelas palavras dos criados,

desejando que, ao menos, meia duzia dita se realizasse.

Quando, sob controle do gim, estou a caminho de casa, os ouço aproximando.

Perguntam se meus temores são consequências dos rancores e,

o tempo dado-me para explicar que não os possuo,

prefiro fingir-me de mudo.

 

Não diga que é por acaso,

conheço o bem por minha tendência

de fazer da verdade sempre miserável.

Pois é tu que levado foi pelos amigos,

e não estou arrependido. Estou a caminho de casa

e já sinto o que fizeste comigo.
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I-L Jaezes de vida e morte

Vistes-me descer os céus, por que perguntas de onde vim?

Usas a liberdade mas esqueces da percepção,

exatamente como fui, carregando os homens com ambas as mãos.

Se dificilmente vê-se jovem, perdoe-nos enquanto ainda somos pobres.

 

Crio o que tens feito, a insegurança alimento,

e me empreguiço para evitar o que tanto tento.

Me apaixono por como ages sob o único sol que vejo,

mas a noite vem, lembrando-me ser ambos criados pelo Mesmo.

 

Prometa-me então, Charn, que à Londres nunca me levará,

pois me vicio em tu que me mata devagar.

Ouso enraizar-me ao chão,

abafo o mundo, guardo o perigo,

e mal sei sobre a loucura de quem cogita além do instinto.
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I-LIII Jaezes de vida e morte

Diante de tanta enfermidade, por nada sofro que me adoeça.

Amarguro-me sob luxos que me separam dos apuros,

e falho estando bem, lembrando-me dos anseios que trouxe ao mundo.

Privilegiado por chorar e viver para lembrar,

duvido ser vício, duvido não haver sentido no que lastimo.

 

Se há alguém, não sou eu quem a vida, com regalo, atravessa.

Não serei eu quem peregrina aos refúgios de quem espera.

Nego dizer que arrisquei por não haver o que fiz.

Perante aos infelizes em busca de tempo,

creio eu ser mais feliz.

 

Culpam minha índole que abandona a caça,

que, por qualquer prazer, se desvia da estrada.

Índole que me leva ao longe, ao fundo, respirando e desvairando,

alcançando e pensando, e menos me culpando.

Meu ápice do prazer é à tona trazer algo meu que nem sei se sou eu.

É pouco caso fazer do que conheço, e aos outros dizer que tenho o que mereço.

Gozo pelo privilégio de não ser exposto,

por o luxo de amar alguém pelo prazer do desconforto.
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