Escritas

I-XLVII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
O vi e é verdade, como vulto sob arbustos,

cochichava sobre promessas de um futuro longe de influências.

Poderia eu ter o parado ali, mas era mau por si só,

e acreditei que ali mesmo se acabaria.

 

Ainda estava encantado pelas palavras dos criados,

desejando que, ao menos, meia duzia dita se realizasse.

Quando, sob controle do gim, estou a caminho de casa, os ouço aproximando.

Perguntam se meus temores são consequências dos rancores e,

o tempo dado-me para explicar que não os possuo,

prefiro fingir-me de mudo.

 

Não diga que é por acaso,

conheço o bem por minha tendência

de fazer da verdade sempre miserável.

Pois é tu que levado foi pelos amigos,

e não estou arrependido. Estou a caminho de casa

e já sinto o que fizeste comigo.