Lista de Poemas

I-XLV Jaezes de vida e morte

Quando acabar o prazer, e seu sonho frustrado voltar,

pegue o que tens e dê-me um tempo.

Sei que agirá como se superou,

quando há minutos chorou por tolices menores que o marcou.

 

Quanto aos meus, não os perdi,

os escrevi para quando eu precise rir.

Mas o cansaço que os feriados me traz,

faz-me dormir antes de me lembrar.

E acordo suando, sob o mal desta cidade que,

há anos, vi-me aqui sonhando.

 

Não me digo arrependido,

os fantasmas daqui têm me distraído.

E tenho meu tempo gastado assentando esta casa,

um tanto irritado por não haver quem mais faça.

Estou crente que terminarei a noite ansioso,

e desfruto do dia com mau gosto.
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I-XLI Jaezes de vida e morte

Com única oportunidade,

acendendo o inferno sob o rio Miskatonic,

coberto por santa ingenuidade,

quero quem ouça minhas palavras treinadas.

 

Tenho ideias melhores para os homens,

escondidas frente aos olhos de Azathoth.

Vivo o anseio pelos dias seguros,

pela luz que leva ao início de tudo.

 

E se, antes desta chance, der-me um trato,

que eu suba ao Thánatos, e jogue ao Hades,

Voltaire, que tanto fez-me insultado.
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I-XXXVIII Jaezes de vida e morte

De pé, diante do crime,

vejo que sorte a minha estar em seu time.

Estavam desoladas em dias romanos,

esmolando o corpo a Giacomo,

por noites longe do chão de Marco,

que sobre Teodoro fez-se espaço.

 

Minha vida e meu destino foram algo até me descuidar dizendo isto alto:

Ao meu lado, amigas e vestidas, pedi para que fugissem da intriga daquele quem as queria despidas.

Estamos fora do mundo que criamos - disseram as vítimas em prantos.

Apontem então as vistas à Florença, para que, se abatidas, percebam

que quiseram conceber famílias.

 

Mas o castigo de quem fala é bala,

e vi, orgulhoso, minha noite ser acabada para tê-las salvas.
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I-XLIII Jaezes de vida e morte

Não há data que eu suporte

o Sol sobre esta cidade.

Orei para pisar nesta terra e, agora,

queimo como se meus pecados

adiantassem-me ao inferno.

 
Já não estou perdido suficiente?

Rodeado por almas fascinadas por lugares que não estou.

Vejo o dia que levarão meu corpo ao espaço.

 
Nem sequer sou livre

e ameaçam prender-me fora da realidade.

Sou âncora de qualquer coisa que os tirem daqui.

E não ligo, eu não vivo,

sou comida para almas cansadas do paraíso.
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I-XXXVI Jaezes de vida e morte

Pessoas relutam a se tornarem outras,

ainda assim, se eu fosse tu, de novo, aqui não me porias.

É assim tão gratificante ser este herói que se lembra de mim?

 

O inverno mal apazígua este calor,

que das curtas férias volta irritado.

Tento apressar-me, e me exalto nos passos.

Minhas orações secam as folhas,

e me iludo nesta vitória que não me traz vantagem ou outra.

 

Desprezo cada segundo que o ego torna-me virtuoso.

Já sofro por ser certo e por desgosto,

e por ver vivo quem quero morto.
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I-XXXIII Jaezes de vida e morte

As vezes que evoquei seu nome,

confesso, não tive fé.

Temi estender tempos que nada servem.

 

Oro por cautela, por alguns dias, não muitos.

E se, com o pouco, ter eu alguma certeza,

livre-me então das marcas que me remetem à demência.

 

Que eu toneladas pese,

suficiente para ter de Sansão ambas as suas mãos.

Que eu ocupe seu tempo e lhe atrase os sonhos.

Que seus fios testemunhem as besteiras que me consomem.

 

Quero gabar-me dos meus medos e rir de seus animais.

Quero dizer que o que diz é mentira, justificada por coisas banais.

E terei sempre razão, pois o que tens para dizer de ti, tens guardado para si.

Em vão.
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I-XXX Jaezes de vida e morte

Caminhando por delírios,

presencio mais do que deva ser isto.

Qual fato rege a vida de quem mal fato é?

Sobra quem eu repudie, imensamente maiores que eu,

afundam meu ego com besteiras de plebeus.

Mas o plebeu sou eu.

 

Já nem sei se mereço o que tenho

ou se merecem o que concebo.

Apenas escrevo como o passado sem carregar pretextos.

Anseio ser visto por quem seja adequado, não por quem repete boatos.

E talvez lugares são os que não sejam aqui.

Lugares que permitam quem queira existir.

 

Mas o ego fala grande,

fazendo-me afundar nesta vida como amante.

Ouvindo Dele o que fieis não entendem, questionando

o que demais os fazem carentes.

E a tarde logo chega, fazendo do breve a oportunidade de sentir-se sóbrio.

E os instantes a prevalência de meu ódio.
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I-XXXVII Jaezes de vida e morte

Por aí, ando sem haver luz, como se coisa alguma temesse mais.

Pernas faziam-se bambas e as mãos nunca abertas,

a pele suava, o coração sentia minhas obras inacabadas.

Sinto-me nem mais, nem menos fraca, apenas cansada.

É a exaustão por temer algo que há tanto se atrasa.


 O que se mostra adiante já nem mais basta,

e para ti tantas coisas adiantam.

À direita, insanidade, à esquerda, melancolia.

E ainda me puxa ao alto para que eu viva pior agonia.

Que castigo!

 

Mal chega a criatividade botando-te em palavras e já queres as últimas.

Que doença é esta que me faz pensar só haver você?

Escrevo por cima do que já havia dito, por vergonha,

e por ainda querer ser lida, mesmo que incompreendida.

Que eu me torne morta, se é a vida que me faz perdida.
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I-XXXII Jaezes de vida e morte

Ouvi sobre quem vive nesta ideia como quem vive no rancor.

Estive pressentindo o sentido do fim, e a isto corro como se corresse a mim.

Lembro-me de Árion cada vez que me sinto lento,

pois não sou Jó, nem ao Hades me arrependo.

 

Lembro-me das coisas vãs e das coisas más,

e disso nada serve-me de martírio ou pesar.

Aponto para os melhores, omito os piores,

faço que julguem quem tudo pode.

Assim sinto me vazio dos pés à cabeça,

oro apenas para sentir-me como Santa Catarina ou Teresa,

acreditando no que há de ruim com clareza.

 

E aos homens que ostentam gostos amargos,

às mulheres que casam de mau grado,

mostro-me como um refúgio do pecado.

Concebo em mentes cheias de mim,

o único lugar para um bom fim.
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I-XXXIV Jaezes de vida e morte

Cruzando a fronteira,

desta vez com papeladas, como uma boa moça.

Com motivos melhores, contei-te piores. 

E com justificativas tolas, fiz-me de boba.

Homens não ouvem tanto.

 

Sonhei com tu arruinando meu lar,

cobrava-me milhões pelo prazer de cobrar.

Apontavas tudo como a razão de minha solidão,

vítima de amigos que não me erguem do chão.

 

Sonhei-te com olhos azuis, 

asas douradas,  adornado com coisas caras.

Acordei irritada com o calor, e sei que me sentirei melhor

quando o pintar sem qualquer cor.
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